Um grupo de aproximadamente 300 pessoas bloqueou a RS-115 no fim da tarde deste domingo (22), na altura do quilômetro 19, em Três Coroas, no mesmo ponto onde Fernanda Mikaella da Silva Barros e Clarissa Felippetti, a Sissa, morreram atropeladas no sábado (21). O marido de Sissa, Isac Ribeiro, segue hospitalizado, em estado gravíssimo em um hospital de Canoas.
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A mobilização ocorreu poucas horas após os sepultamentos das duas amigas e reuniu familiares, amigos, ciclistas, corredores e demais pessoas da comunidade. Com cartazes, flores e balões brancos, o grupo pediu justiça e punição ao motorista responsável pelo atropelamento. Segundo a polícia, ele dirigia sob efeito de álcool, já que o teste do bafômetro apontou 0,70 mg/l de álcool no organismo.
Organizado de forma pacífica, o ato contou com apoio do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), que bloqueou totalmente a rodovia por cerca de 30 minutos. Houve registro de longas filas nos dois sentidos, mas o trânsito começou a ser normalizado por volta das 18 horas.
Após a fala de um dos presentes, o grupo finalizou o ato com uma salva de palmas e ainda soltaram em torno de 100 balões brancos em homenagem às amigas. Duas cruzes foram colocadas às margens da rodovia e uma faixa com as fotos de Sissa e Fernanda também. Nessa faixa, a mensagem traduziu o sentimento de todos. “Respeite o ciclista! Não foi acidente, queremos justiça”, dizia a faixa.
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Amigo dos ciclistas fala em nome dos manifestantes
Durante o ato, Subli Alexandro Dreher, que tem uma relação familiar com Sissa e Isac (Dreher e Isac são sócios), afirmou que o episódio não pode ser tratado como acidente. “Que a justiça não veja como simples acidente, mas como crime. Eu clamo por justiça”, disse. Além disso, Dreher fez um apelo às autoridades policiais e pediu mais ações de fiscalização na rodovia, especialmente com a aplicação do bafômetro. “As pessoas têm o direito de beber, mas não têm o direito de pegar a chave do carro e transformar isso numa arma”, disse.
Dreher também fez um apelo por orações a Isac, lembrando que duas crianças pequenas aguardam pela recuperação do pai. “O nosso clamor continua. A Sissa e a Fernanda permanecem vivas nos nossos corações, mas os filhos precisam do pai”, sublinhou.
Mesmo sem vínculo direto com as vítimas, o ciclista Edison Claudio Klein, 71 anos, morador de Igrejinha, participou em solidariedade. “Se acontece com um, afeta todo mundo. Eu pedalo há 60 anos. A fiscalização da bebida precisa ser intensificada. É uma questão de segurança para todos”, afirma.
Braytner Claudino, 46 anos, amigo próximo dos ciclistas, destacou o choque da comunidade. “Eles eram atletas, faziam pedais longos. Dificilmente saíam juntos por causa dos filhos, e justamente no dia dessa tragédia estavam os dois. A morte delas, tudo o que aconteceu, nunca será superado”, disse.
“A rodovia comporta duplicação”, diz prefeito
O prefeito de Três Coroas, Fabiel Port, afirmou que a cidade vive um momento de profunda consternação e que a tragédia reacende a cobrança por melhorias na rodovia.
Segundo ele, o município já vinha solicitando investimentos ao Estado. A RS-115, que liga Taquara a Gramado em cerca de 36 quilômetros, é uma das principais portas de entrada da Serra gaúcha e conta com praça de pedágio administrada pela EGR, empresa pública vinculada ao governo estadual.
“Nós temos uma rodovia relativamente curta e uma das mais movimentadas do Estado. O movimento dela já comporta a duplicação de Taquara a Gramado. Hoje temos apenas um pequeno trecho duplicado. Precisamos de melhor sinalização, manutenção e estrutura”, afirma.
O prefeito também defendeu rigor contra a combinação de álcool e direção. “Álcool e volante é crime. É assumir um risco que pode tirar vidas. Precisamos de punições mais rigorosas e de ações permanentes de fiscalização”, defende.