Se os números já acendem um alerta, o tema também mobiliza lideranças regionais. No dia 31 de março, um fórum promovido pelo Grupo Sinos reuniu prefeitos, representantes de órgãos de segurança e técnicos para discutir soluções para a RS-239.
Ainda assim, mesmo após o encontro, o cenário seguiu preocupante. Desde então, ao menos três novos acidentes fatais foram registrados ao longo da via.
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Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Entre os principais pontos levantados no fórum estavam justamente os retornos, frequentemente citados como áreas de risco, seja pela configuração da pista, seja pelo comportamento dos motoristas.
Prefeito de Parobé, Gilberto Gomes Júnior afirma que o município segue pressionando por intervenções. “Seguimos cobrando da EGR as melhorias necessárias no trecho da RS-239 que cruza Parobé, porque estamos falando de intervenções fundamentais para a segurança viária, a mobilidade urbana e a qualidade de vida da nossa população.”
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Gilberto reforça que entre as principais demandas estão a modificação do acesso na entrada do Residencial Azaleia, a implantação de um retorno no bairro Planalto, a construção de uma passarela entre os bairros Guarani e Alexandria, além de melhorias nos serviços de limpeza e na sinalização ao longo da rodovia.
“São ações que podem reduzir riscos, organizar melhor o fluxo de veículos, ampliar a segurança para pedestres e oferecer mais tranquilidade para quem utiliza diariamente esse trecho, seja para trabalhar, estudar ou se deslocar entre bairros”, acrescenta.
Em Sapiranga, uma das apostas está na melhoria da iluminação da rodovia. O secretário de Planejamento, Carlos Regla, informa que está em andamento a instalação de iluminação em LED ao longo do trecho que cruza o município.
A intervenção prevê a colocação de 380 postes e cerca de 580 luminárias em um trecho de pouco mais de 8 quilômetros, entre Campo Bom, nas proximidades do posto do Comando de Polícia Rodoviária da Brigada Militar, até o limite com Araricá.
A execução ocorre por meio de parceria público-privada, e a expectativa é de que parte do sistema já esteja em funcionamento ainda em maio.
Além da economia e modernização, a medida é vista pela prefeitura como um reforço à segurança, especialmente durante a noite, período em que a visibilidade reduzida também contribui para o risco de acidentes.
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Percepções de quem vive às margens da rodovia
Para quem vive a rotina da rodovia, no entanto, os problemas são sentidos de forma mais imediata. O empresário Jeberson Moura, 35, é proprietário de uma revenda de automóveis em Sapiranga, em frente ao retorno que vitimou três pessoas em janeiro deste ano. Ele conta que depois daquele acidente, já houve pelo menos outras duas colisões no mesmo local, mas sem mortes.
“O problema é que este retorno fica em uma descida de quem está no sentido Sapiranga-Taquara. Então muitos motoristas vêm embalados, em alta velocidade e quando alguém tenta fazer o retorno, acaba tendo essas batidas. Na minha opinião, deveria ter um redutor de velocidade nesta descida, ou então fechar este retorno”, opina Moura.
A preocupação também envolve instituições diretamente impactadas pela rodovia. Em Novo Hamburgo, o acidente mais recente — registrado na noite de 24 de abril, no km 15 — ocorreu justamente em um retorno de acesso à Universidade Feevale.
Reitor da universidade, José Paulo da Rosa destaca que a instituição acompanha de perto as discussões sobre segurança na via, já que o câmpus e o Teatro Feevale estão localizados às margens da rodovia.
“A Universidade Feevale tem se envolvido em todas as ações que discutem a segurança na ERS-239, porque o Câmpus II fica e o maior teatro do Estado, o Teatro Feevale, ficam às margens da rodovia. Estamos envolvidos com uma melhoria no acesso ao teatro e já temos um projeto, que está sendo discutido junto à EGR, para melhorar esse acesso”, afirma.
No entanto, Rosa alerta que isso ainda é insuficiente para resolver os problemas de segurança de quem precisa atravessar a rodovia. “Pois me parece que esse é o principal problema da ERS-239: quando alguém quer sair de uma pista e atravessar, especialmente quem vem no sentido de Taquara e Estância Velha, de Taquara para Novo Hamburgo, e quer entrar na Universidade, no Teatro ou neste lado da cidade, é um movimento muito perigoso.”
Por fim, o reitor fala da expectativa de melhorias através projeto de concessão de rodovias. “Esperamos que parte disso seja resolvido, mas temos ciência de que é necessário um investimento muito grande para melhorar esses acessos na RS-239, especialmente esses próximos à Universidade Feevale”. conclui.