A sensação de que os contêineres de lixo “sumiram” das ruas de Novo Hamburgo tem sido recorrente entre moradores, síndicos e comerciantes, especialmente na área central da cidade. A percepção ganhou força nos últimos meses, com relatos de acúmulo de resíduos nas calçadas e dificuldades para o descarte correto do lixo.
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No entanto, a Prefeitura afirma que não houve redução no número de contêineres disponíveis no município, mas sim uma readequação do sistema durante uma fase de transição para um novo contrato de coleta de resíduos.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Os contêineres de coleta coletiva foram implantados em Novo Hamburgo em meados de 2017, com o objetivo de facilitar o descarte de resíduos em áreas de maior densidade populacional e em locais onde o acesso dos caminhões é mais restrito.
O programa iniciou com a distribuição de 300 coletores na cidade, mas o número foi ampliado em 2020. Pelo contrato vigente, a empresa responsável pela coleta deve manter 700 contêineres espalhados pela cidade, sendo 450 na cor laranja, destinados ao lixo orgânico, e 250 na cor verde, voltados ao descarte de resíduos secos.
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Com o passar do tempo, moradores notaram a redução dos contêineres verdes e, em alguns pontos, até mesmo a ausência total dos equipamentos. No Centro, uma das situações relatadas ocorre na Rua Magalhães Calvet, entre a Rua Joaquim Nabuco e a Avenida Nicolau Becker, onde o lixo costuma se acumular, especialmente às segundas-feiras.
“Desde que eu trabalho aqui, é um contêiner para a rua inteira. É muito lixo, acaba acumulando e fica feio. Precisaria de mais contêineres, talvez três só nesse trecho, faria muita diferença”, relata a comerciante Cristielen Saraiva, 24 anos, que trabalha em uma loja da via.
Mudança gradual: coletores de cor verde serão extintos
Apesar da percepção da população, o secretário municipal de Meio Ambiente, Anderson Bertotti, garante que os 700 contêineres previstos em contrato seguem em operação no município, até porque anualmente a empresa que administra o serviço tem obrigação contratual de repor em torno de 70 coletores novos para substituir os que são alvos de vandalismo ou que estragam durante a operação de coleta.
Segundo ele, o que mudou foi a forma de distribuição e o padrão dos equipamentos, em razão da preparação para a nova licitação da coleta de lixo, em andamento desde o primeiro semestre de 2025.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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“Não há sumiço de contêineres. O que existe é uma readequação conforme a demanda da cidade e uma transição para o novo modelo de coleta. Os contêineres verdes estão sendo gradualmente retirados porque, no novo contrato, haverá apenas um tipo de contêiner, na cor laranja. O coletor de cor verde será usado apenas em eventos públicos”, explica Bertotti.
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De acordo com o secretário, a partir da nova licitação, prevista para ser concluída ainda no primeiro semestre de 2026, os contêineres deixarão de ter a identificação exclusiva para lixo orgânico. Eles passarão a ter nova identidade visual, funcionando como equipamentos de coleta seletiva, onde poderão ser depositados tanto resíduos secos quanto orgânicos.
“A orientação é que a população continue separando o lixo. Mesmo que o resíduo seco seja colocado no contêiner laranja, ele será separado na central de triagem do município”, reforça Bertotti. Ou seja, hoje o morador já pode depositar o lixo seco nos contêineres de cor laranja.
A mudança, no entanto, não elimina os transtornos enfrentados por quem vive ou trabalha em áreas onde os contêineres foram retirados por danos ou desgaste. O síndico profissional Claiton da Silva Azevedo, que administra cerca de 15 condomínios em Novo Hamburgo, relata que em alguns pontos os equipamentos foram levados para manutenção e não retornaram.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
“Aqui nós tínhamos dois contêineres na esquina das ruas Magalhães Calvet com Júlio de Castilhos e mais um em frente a outro condomínio. Um quebrou, foi retirado, depois outro também danificou e levaram embora. Hoje não temos mais nenhum”, afirma.
Segundo ele, um dos condomínios da região reúne cerca de 110 apartamentos, além de outro próximo com aproximadamente 80 unidades. “Sem os contêineres, tivemos que improvisar uma lixeira antiga, aberta, o que gera problemas com cães rasgando sacos e lixo espalhado. Já abrimos protocolo na Prefeitura, mas fomos informados de que a reposição depende de licitação”, pontua.
Novo contrato prevê aumento de mais de 100% no número de coletores em Novo Hamburgo
Bertotti reconhece que muitos contêineres acabam sendo danificados, seja por vandalismo ou durante o processo de coleta, e afirma que a Secretaria está atenta às reclamações. “Diante dessa percepção da comunidade, vamos fazer uma varredura para identificar onde os contêineres estão instalados e avaliar pontos que precisam de reforço”, garante.
O secretário destaca também que o programa de coletores não foi implementado no município para atender condomínios residenciais. “Os condomínios têm obrigação, por lei, de instalar lixeiras próprias em frente aos estabelecimentos para atenderem suas demandas”, observa.
Sobre a reclamação dos condomínios da Magalhães Calvet, a Secretaria de Meio Ambiente esclareceu que os coletores foram retirados após reclamações, especialmente de comerciantes do local que estavam incomodados com o mau uso dos equipamentos.
Além da padronização dos equipamentos, o novo contrato de coleta de lixo prevê a ampliação do número de contêineres de 700 para 1.500 unidades, o que representa um aumento de 114,3%, atendendo à crescente demanda do município.
“Temos uma alta demanda de solicitações para a colocação de contêineres em determinados pontos, e os pedidos são analisados caso a caso. A comunidade pode solicitar o serviço ou registrar reclamações sobre através do protocolo online ou via 156”, reforça Bertotti.
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A nova licitação do lixo também inclui a modernização da frota, com mais caminhões, rastreamento por GPS e monitoramento por câmeras das rotas de coleta, medida que deve ajudar a confrontar reclamações sobre falhas no serviço.