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CENTRAL DE VERÃO

"Olha o queijiiiiiinho": História de um policial militar que virou ícone de Tramandaí vendendo pão de queijo

Manoel Antônio Mateos Machado, o Queijinho, 71 anos, é vendedor de pão de queijo há 44 anos e conquista o público com jargões bem-humorados

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 12/01/2026 às 08h:31 Última atualização: 12/01/2026 às 08h:31
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Quem circula pelo Centro de Tramandaí dificilmente passa despercebido por uma voz estridente, que ecoa entre as lojas e ritmo frenético de carros e de pedestres.

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– Olha o queijiiiiiinho!

O alongar das vogais virou assinatura de um personagem que faz parte da identidade da cidade há décadas. Estamos falando de Manoel Antônio Mateos Machado, o Queijinho, 71 anos. [Veja o vídeo ao final desta reportagem.]

Vendedor de pão de queijo há 44 anos, ele atua há 30 anos no mesmo ponto, em frente ao Centro das Fábricas, na esquina da Avenida Emancipação com a Rua 15 de Novembro, no coração de Tramandaí.

Manoel Antônio Mateos Machado, o Queijinho, faz sucesso vendendo pão de queijo no Centro de Tramandaí | abc+



Manoel Antônio Mateos Machado, o Queijinho, faz sucesso vendendo pão de queijo no Centro de Tramandaí

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Queijinho conquistou gerações de moradores e veranistas com carisma, bom humor e uma forma única de se comunicar. Os jargões fazem parte do espetáculo diário. Quando a clientela não chega, ele dispara: “Façam fila! Não briguem, não empurrem, venha!”.

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Na hora da venda, a abordagem é com a clássica frase “vai levar quantos, minha cliente?”. E, quando o cliente vai pagar a compra com uma nota maior, de R$ 50 ou R$ 100, solta um sonoro “esse tá com a vida ganha”. No passado, quando o pacote de pães de queijo custava apenas R$ 1, o apelo para estimular a venda era outro, que arrancava risadas e abria vendas: “Quem não tem um real?”. Hoje, o pacote sai por R$ 10.

Uma mudança de rumo que virou história

Antes de se tornar um dos personagens mais conhecidos de Tramandaí, Queijinho teve uma vida marcada por desafios. Natural de Rio Grande, ele é filho de uma família numerosa, com 21 irmãos. Ainda jovem, com 17 para 18 anos, chegou a viver um curto período na rua, após largar tudo na sua cidade natal e se mudar para para Porto Alegre com a promessa de um trabalho que não se concretizou.

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A virada veio quando foi acolhido por um casal, que lhe deu suporte para recomeçar. Pouco tempo depois, foi chamado para servir o Exército e, na sequência, ingressou na Brigada Militar. No entanto, em uma época em que a profissão era pouco valorizada, ele decidiu mudar de caminho. “De um simples policial militar, eu me tornei um grande vendedor de pão de queijo. Achei o caminho certo”, resume.

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Antes do pão de queijo, Machado vendeu pães e cucas em municípios da região metropolitana. Foi ali que ele percebeu que a interação direta com o público era a chave para o sucesso. Inspirado pela forma como outras pessoas chamavam atenção nas ruas, decidiu adaptar a estratégia para o comércio.

Ele afirma que essa estratégia de vender gritando para chamar a atenção da clientela começou em Alvorada. Em um bairro de lá, segundo Queijinho, os traficantes passavam pelas ruas anunciando a chegada de drogas. “Eu pensei: se gritam pra vender drogas, por que não gritar pra vender pão de queijo? O melhor jeito de vender é brincando”, conta. A fórmula deu certo.

Queijinho vende 200 pacotes todos os dias no verão

Hoje, Queijinho produz o próprio queijo e cuida de toda a fabricação do pão de queijo que vende. No verão, chega a comercializar cerca de 200 pacotes por dia. No inverno, o volume diminui, mas segue significativo, entre 90 e 100 pacotes diários. A rotina é intensa e disciplinada. Ele trabalha de segunda a sábado, ajustando os horários conforme a estação. “Todo dia estou aqui”, afirma.

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Antônia Sala, 78 anos, veraneia há mais de 20 anos em Tramandaí e conhece Queijinho todo este tempo. “Desde quando ele vendia quatro pãezinhos por um real a gente ficou cliente. Acho ele uma pessoa fora de série, um homem exemplar, trabalhador, que merece todo esse sucesso que faz”, destaca.

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Ele se diz orgulhoso da sua trajetória. “Tudo começou do zero, do nada. E hoje posso dizer que ao longo de todos esses anos já fiz 100 mil clientes”, conta. O número de clientes é a estimativa da quantidade de pessoas que nessas quatro décadas adquiriram seu pão de queijo.

Vendedor de Tramandaí conquista clientes com carisma e estilo extrovertido

A identificação com a cidade é tão grande que, em 2024, seu Manuel recebeu o título de Cidadão Emérito de Tramandaí, concedido pela Câmara de Vereadores. Casado com Eliane, pai de um filho e morador de Tramandaí desde 1995, ele se vê como parte do cotidiano urbano e brinca sobre a própria popularidade. “Olha, acho que sou mais conhecido do que o prefeito”, descontrai.

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Além da irreverência, Queijinho revela a filosofia que sustenta sua longevidade profissional. “A dica que posso dar é para que as pessoas deixem os problemas no portão de casa. Nunca traga pro trabalho. Aprenda a sorrir pro mundo. Os problemas se resolvem em casa”, pondera. Segundo ele, é essa postura que faz a vida avançar. “Todos nós temos problemas. Agora, tem que saber resolver. Aí a tua vida cresce”, acrescenta.

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