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OPERAÇÃO

"Pessoas de coração bom estavam caindo": Mãe de menina com câncer fala sobre uso do rosto da filha de 2 anos para aplicar golpes

Entenda caso de Sophia, do Vale do Sinos, que deu início à investigação que levou a grupo criminoso com esquema milionário

Publicado em: 14/07/2026 às 12h:19 Última atualização: 14/07/2026 às 17h:12
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Foi em 2025 que uma moradora de Campo Bom, no Vale do Sinos, começou a ser procurada por conhecidos. Curiosos, eles gostariam de saber sobre uma suposta vaquinha para a filha dela, a pequena Sophia, de 2 anos, que passava por um tratamento contra o câncer. O problema é que a campanha havia sido encerrada meses antes. [Assista ao vídeo no final da matéria]

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Isso deu início à Operação Sophia, que foi deflagrada na manhã desta terça-feira (14) em cinco estados brasileiros, incluindo no Rio Grande do Sul. Até 11h50, 16 foram presos preventivamente pelo envolvimento em um esquema milionário que usava falsas campanhas de doações.

Vaquinha para ajudar Sophia foi clonada pelo grupo criminoso, conforme Polícia Civil | abc+



Vaquinha para ajudar Sophia foi clonada pelo grupo criminoso, conforme Polícia Civil

Foto: Polícia Civil

ENTENDA: Falsa doação: 12 são presos por lucrar mais de R$ 1,7 milhão com foto de menina com câncer no Vale do Sinos e outras vítimas

Em entrevista ao programa NH 10, na rádio ABC 103.3 FM, Kelen Viviane dos Santos conta que Sophia começou a fazer o tratamento contra o câncer em janeiro de 2025.

Para acompanhar a filha, Kelen teve que parar de trabalhar e, em fevereiro, uma campanha foi feita para arrecadar doações. “A vaquinha durou uma semana ou dez dias. Nós atingimos 80% do valor e encerramos”, explica a mãe da criança.

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Poucos meses depois, no entanto, a mulher foi procurada por uma familiar que perguntou se ela havia aberto outra. “Eu disse ‘não’, e ela disse: ‘porque uma amiga minha viu um anúncio pedindo dinheiro pra Sophia’.”

Confusa, ela pediu para ver o anúncio. A partir de então, Kelen começou a ser procurada por diversas pessoas, todas questionando sobre uma suposta vaquinha para Sophia, publicada nas redes sociais. “As imagens são da Sophia, imagens nossas porque pegaram dos nossos perfis, mas a voz que aparece é de Inteligência Artificial.”

A IA era uma das ferramentas usada pelo grupo criminoso, tanto para alterar imagens quanto as vozes em vídeos usados nas campanhas falsas, conforme a investigação.

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Anúncios nas redes sociais

A mãe de Sophia contou, ainda durante o programa, que por cerca de dois meses os anúncios usando a criança estiveram no ar em diferentes redes sociais, como TikTok, Facebook, Instagram.

Durante esse período, a família tentou denunciar as postagens e, quando conseguiam, mais eram publicadas. “A cada anúncio que a gente derrubava, eles criavam mais dois ou três.”

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“Estávamos angustiados”

Kelen lamentou pelas pessoas que, pensando estar ajudando Sophia, acabaram doando para o grupo criminoso. “Nós estávamos angustiados pelas pessoas”, disse. “Imagina, pessoas de coração bom que estavam caindo em golpes.”

Apenas durante a investigação da Operação Sophia, o esquema criminoso chegou a movimentar R$ 1,7 milhão. Somente com os anúncios da pequena, a Polícia Civil rastreou R$ 294,5 mil.

“Tratamento acaba, mas consequências ficam”

Atualmente, Sophia não faz mais o tratamento contra o câncer e não tem um pulmão. “O tratamento acaba, mas as consequências ficam”, disse Kelen. A mãe conta que a pequena continua com uma série de acompanhamentos, mas está bem.

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Operação Sophia

Ao todo, a Operação Sophia cumpriu 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em 4 estados além do RS, sendo Paraná, Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso do Sul. 

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O objetivo da operação é desarticular a organização criminosa especializada na prática de estelionato mediante fraude eletrônica, e lavagem de dinheiro a partir das campanhas falsas de doação.

Alerta para a população

O caso também mostra que a população deve ficar alerta para que tenha cautela antes de fazer doações online. Segundo a Polícia Civil, antes disso, é preciso:

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  • verificar se a campanha é oficial;
  • confirmar os dados diretamente com a família ou instituição responsável,;
  • desconfiar de páginas impulsionadas com forte apelo emocional;
  • conferir se o destinatário do Pix corresponde efetivamente à pessoa ou entidade beneficiária.

Veja vídeo:

Mãe da menina Sophia fala sobre golpes utilizando imagens da filha
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