Ao menos 12* pessoas foram presas até 7h40 da manhã desta terça-feira (14), por falsas campanhas de doação, além de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. As investigações começaram após grupo criminoso clonar a campanha de arrecadação de fundos para o tratamento de uma criança com câncer do Vale do Sinos.

Foto: Polícia Civil
Campanha clonada
A Operação Sophia, deflagrada hoje pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC), começou com uma denúncia.
A mãe de uma criança, em tratamento contra um câncer, denunciou que imagens e vídeos da filha estavam sendo usadas em anúncios pagos nas redes sociais para arrecadar falsas doações.
A DRCPE/DERCC começou a identificar os responsáveis e, junto com a análise dos dados, a polícia mapeou o caminho dos valores e chegou a diversos investigados com funções específicas no esquema.
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19 mandados de prisão preventiva
Estão sendo cumpridos 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, além de Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Às 11h50 desta terça, o número de presos aumentou para 16*.
Os mandados foram cumpridos em endereços vinculados aos investigados e às estruturas usadas para aplicar os golpes.
As ordens de busca de apreensão estão sendo cumpridas para a apreender aparelhos celulares, computadores, documentos, mídias digitais, dispositivos de armazenamento, cartões bancários, contratos sociais, registros de acesso, credenciais, arquivos de sites, contas em plataformas digitais e demais provas.
Ela conta com o apoio das PCs de PR, SP, MS e PE, além de equipes especializadas no cumprimento das ordens judiciais e na preservação de evidências digitais.
Esquema milionário
Ao menos R$ 294,5 mil foram rastreados diretamente entre as chaves Pix e outras formas de pagamento, somente relacionadas a essa campanha que deu origem ao inquérito.
A investigação também mostrou movimentações financeiras muito superiores em contas e empresas usadas pela organização, com destaque para uma empresa apontada como o hub financeiro do grupo. Ao todo, o esquema teria movimentado mais de R$ 1,7 milhão no período investigado.
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Com funcionavam os golpes
Conforme a investigação, a fraude consistia na criação de falsas campanhas de arrecadação de dinheiro. Para isso, eles usavam imagens indevidamente, além de vídeos e histórias reais de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Como no caso da criança do Vale do Sinos, que deu origem à investigação. O grupo criminoso usou os vídeos e as fotos da criança em tratamento de câncer, simulando a campanha de arrecadação para custear o tratamento.
A família não autorizou a campanha, nem recebeu os valores arrecadados.
O golpe era estruturado da seguinte forma:
Uso indevido de imagens reais
Os investigados pegavam imagens de crianças doentes, familiares delas e campanhas legítimas, e exploravam a comoção pública para induzir as vítimas ao erro.
Anúncios patrocinados
Os criminosos impulsionavam as campanhas falsas nas redes sociais, como Facebook e Instagram, por páginas como “Clube de Doadores”, “Doadores com Amor” e “Unidos pelo Amor”. Isso aumentava o alcance das publicações.
Sites falsos
Ao clicar no anúncio, a vítima era encaminha para sites falsos que imitavam plataformas legítimas de doação, muito parecidos com a plataforma Vakinha.
Pix e QR Code
Nos sites falsos, a vítima escolhia o valor do que acreditava ser uma doação, e recebia um meio para fazer Pix, sendo QR Code ou copia e cola. No entanto, o dinheiro era direcionado para contas bancárias, empresas de fachada e gateways de pagamento usados e controlados pelo grupo.
Ocultação
Para dificultar o rastreamento, o grupo usava intermediadoras de pagamento, empresas de fachada, contas de terceiros, domínios registrados em provedores estrangeiros, ferramentas de proxy, mecanismos de camuflagem de sites e contas de redes sociais previamente preparadas.
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Esquema organizado
A investigação descobriu que o golpe no Vale do Sinos não era um caso isolado, mas uma das fraudes de um esquema criminoso organizado.
O grupo contava com investigados responsáveis por:
- criação e hospedagem de sites falsos;
- registro de domínios e configuração de servidores;
- implementação de páginas de pagamento e QR Codes Pix;
- produção de vídeos, áudios e peças publicitárias fraudulentas;
- utilização de ferramentas de inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz;
- compra, fornecimento e administração de contas de Facebook e Instagram;
- impulsionamento de anúncios fraudulentos;
- utilização de proxies e ferramentas de camuflagem para dificultar a identificação;
- recebimento, pulverização e lavagem dos valores obtidos com os golpes.
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Uso de IA
Durante a investigação, também foram identificadas ferramentas usadas para manipulação de: imagens e vídeos, áudio, sincronização labial, criação de avatares, clonagem de voz, remoção de metadados e camuflagem de páginas fraudulentas.
O grupo também estaria procurando novas vítimas em situação de vulnerabilidade, conforme os indícios de pesquisas encontrados pela investigação. Especialmente crianças com doenças graves, o que demonstrou para a polícia a continuidade e profissionalização do crime.
Sophia
Sophia é usado como nome da operação como uma referência à criança que teve a imagem usada indevidamente pelos investigados em falsas campanhas de doação.
Segundo a polícia, “o nome representa o ponto de partida da investigação e simboliza a exploração criminosa da dor, da vulnerabilidade e da solidariedade pública, utilizadas pelo grupo para dar aparência beneficente às fraudes e induzir milhares de pessoas a realizar doações que, na verdade, eram desviadas para a organização criminosa”.
Alerta para a população
O caso também mostra que a população deve ficar alerta para que tenha cautela antes de fazer doações online. Antes disso, é preciso:
- verificar se a campanha é oficial;
- confirmar os dados diretamente com a família ou instituição responsável,;
- desconfiar de páginas impulsionadas com forte apelo emocional;
- conferir se o destinatário do Pix corresponde efetivamente à pessoa ou entidade beneficiária.
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