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OPERAÇÃO SOPHIA

Falsa doação: 12 são presos por lucrar mais de R$ 1,7 milhão com foto de menina com câncer no Vale do Sinos e outras vítimas

Mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva são cumpridos em 5 estados do Brasil, incluindo RS

Publicado em: 14/07/2026 às 09h:10 Última atualização: 14/07/2026 às 11h:53
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Ao menos 12* pessoas foram presas até 7h40 da manhã desta terça-feira (14), por falsas campanhas de doação, além de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. As investigações começaram após grupo criminoso clonar a campanha de arrecadação de fundos para o tratamento de uma criança com câncer do Vale do Sinos.

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Operação Sophia clonou campanha de fundos para o tratamento de criança com câncer do Vale do Sinos | abc+



Operação Sophia clonou campanha de fundos para o tratamento de criança com câncer do Vale do Sinos

Foto: Polícia Civil

Campanha clonada

A Operação Sophia, deflagrada hoje pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC), começou com uma denúncia.

A mãe de uma criança, em tratamento contra um câncer, denunciou que imagens e vídeos da filha estavam sendo usadas em anúncios pagos nas redes sociais para arrecadar falsas doações.

A DRCPE/DERCC começou a identificar os responsáveis e, junto com a análise dos dados, a polícia mapeou o caminho dos valores e chegou a diversos investigados com funções específicas no esquema.

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19 mandados de prisão preventiva

Estão sendo cumpridos 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, além de Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Às 11h50 desta terça, o número de presos aumentou para 16*.

Os mandados foram cumpridos em endereços vinculados aos investigados e às estruturas usadas para aplicar os golpes.

As ordens de busca de apreensão estão sendo cumpridas para a apreender aparelhos celulares, computadores, documentos, mídias digitais, dispositivos de armazenamento, cartões bancários, contratos sociais, registros de acesso, credenciais, arquivos de sites, contas em plataformas digitais e demais provas.

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Ela conta com o apoio das PCs de PR, SP, MS e PE, além de equipes especializadas no cumprimento das ordens judiciais e na preservação de evidências digitais.



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Esquema milionário

Ao menos R$ 294,5 mil foram rastreados diretamente entre as chaves Pix e outras formas de pagamento, somente relacionadas a essa campanha que deu origem ao inquérito.

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A investigação também mostrou movimentações financeiras muito superiores em contas e empresas usadas pela organização, com destaque para uma empresa apontada como o hub financeiro do grupo. Ao todo, o esquema teria movimentado mais de R$ 1,7 milhão no período investigado.

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Com funcionavam os golpes

Conforme a investigação, a fraude consistia na criação de falsas campanhas de arrecadação de dinheiro. Para isso, eles usavam imagens indevidamente, além de vídeos e histórias reais de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Como no caso da criança do Vale do Sinos, que deu origem à investigação. O grupo criminoso usou os vídeos e as fotos da criança em tratamento de câncer, simulando a campanha de arrecadação para custear o tratamento.

A família não autorizou a campanha, nem recebeu os valores arrecadados.

O golpe era estruturado da seguinte forma:

Uso indevido de imagens reais

Os investigados pegavam imagens de crianças doentes, familiares delas e campanhas legítimas, e exploravam a comoção pública para induzir as vítimas ao erro.

Anúncios patrocinados

Os criminosos impulsionavam as campanhas falsas nas redes sociais, como Facebook e Instagram, por páginas como “Clube de Doadores”, “Doadores com Amor” e “Unidos pelo Amor”. Isso aumentava o alcance das publicações.

Sites falsos

Ao clicar no anúncio, a vítima era encaminha para sites falsos que imitavam plataformas legítimas de doação, muito parecidos com a plataforma Vakinha.

Pix e QR Code

Nos sites falsos, a vítima escolhia o valor do que acreditava ser uma doação, e recebia um meio para fazer Pix, sendo QR Code ou copia e cola. No entanto, o dinheiro era direcionado para contas bancárias, empresas de fachada e gateways de pagamento usados e controlados pelo grupo.

Ocultação

Para dificultar o rastreamento, o grupo usava intermediadoras de pagamento, empresas de fachada, contas de terceiros, domínios registrados em provedores estrangeiros, ferramentas de proxy, mecanismos de camuflagem de sites e contas de redes sociais previamente preparadas.

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Esquema organizado

A investigação descobriu que o golpe no Vale do Sinos não era um caso isolado, mas uma das fraudes de um esquema criminoso organizado.

O grupo contava com investigados responsáveis por:

  • criação e hospedagem de sites falsos;
  • registro de domínios e configuração de servidores;
  • implementação de páginas de pagamento e QR Codes Pix;
  • produção de vídeos, áudios e peças publicitárias fraudulentas;
  • utilização de ferramentas de inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz;
  • compra, fornecimento e administração de contas de Facebook e Instagram;
  • impulsionamento de anúncios fraudulentos;
  • utilização de proxies e ferramentas de camuflagem para dificultar a identificação;
  • recebimento, pulverização e lavagem dos valores obtidos com os golpes.

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Uso de IA

Durante a investigação, também foram identificadas ferramentas usadas para manipulação de: imagens e vídeos, áudio, sincronização labial, criação de avatares, clonagem de voz, remoção de metadados e camuflagem de páginas fraudulentas.

O grupo também estaria procurando novas vítimas em situação de vulnerabilidade, conforme os indícios de pesquisas encontrados pela investigação. Especialmente crianças com doenças graves, o que demonstrou para a polícia a continuidade e profissionalização do crime.

Sophia

Sophia é usado como nome da operação como uma referência à criança que teve a imagem usada indevidamente pelos investigados em falsas campanhas de doação.

Segundo a polícia, “o nome representa o ponto de partida da investigação e simboliza a exploração criminosa da dor, da vulnerabilidade e da solidariedade pública, utilizadas pelo grupo para dar aparência beneficente às fraudes e induzir milhares de pessoas a realizar doações que, na verdade, eram desviadas para a organização criminosa”.

Alerta para a população

O caso também mostra que a população deve ficar alerta para que tenha cautela antes de fazer doações online. Antes disso, é preciso:

  • verificar se a campanha é oficial;
  • confirmar os dados diretamente com a família ou instituição responsável,;
  • desconfiar de páginas impulsionadas com forte apelo emocional;
  • conferir se o destinatário do Pix corresponde efetivamente à pessoa ou entidade beneficiária.

VEJA VÍDEO: 

12 são presos por lucrar milhões com foto de menina com câncer no Vale do Sinos e outras vítimas

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