A Polícia Civil de Sapiranga conta com a presença de duas novas cachorras da raça Pastor Belga Malinois em treinamento inicial para auxiliar em operações de busca. A ação se dá por meio do Projeto K9, que existe no município desde 2019 e recebe cães por doações da comunidade, de acordo com o delegado Clovis Nei da Silva.
Os animais ficam aos cuidados do adestrador Ruan Santos, cedido pela Prefeitura. “Nós também recebemos apoio para compra de ração e para levá-los ao veterinário. Atualmente são quatro cães, porque também temos a border collie Maju e o pastor alemão Hades, que já trabalham em operações”, diz Clovis.
“Para dar certo, tem que pegar desde filhote. Você até consegue trabalhar com um adulto, mas ele não atua tão bem. Porque quando ele é pequeno, já tem que dessensibilizar para barulho, sensibilizar ele para outros odores… e muitos aprendem também vendo o outro trabalhar”, continua o policial civil Iorhann Silva da Silva.
“Para eles, tudo é uma grande brincadeira”
Iorhann explica que, até que possam atuar em operações, os cães passam por um período de treinamento e adaptação. “Primeiro, eles precisam aprender a identificar odores e a sinalizar isso para nós. Para isso, nós temos um objeto com uma pequena porção de uma substância que a gente esconde para eles encontrarem”, descreve.
“Quando elas acham, elas ganham uma recompensa, seja um petisco ou um brinquedo que eles gostam. Para eles, tudo uma grande brincadeira, não é trabalho”, continua.
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O profissional garante que, tanto durante o período de treinamento como em operação, os animais recebem tratamento e cuidados adequados. “Elas têm momentos de lazer, as consultas em dia e alimentação controlada para que elas não tenham problemas de peso”, ressalta.
“Damos preferência a raças mais resistentes, que sentem menos o impacto quando se batem e conseguem subir morros, correr com mais facilidade e caminhar por mais tempo”, continua, exemplificando que raças como pastor alemão e border collie são preferíveis, especialmente em comparação com as de pequeno porte.
Cuidados essenciais
Iorhann Silva ainda acrescenta que, antes do treinamento inicial, há ainda um teste para verificar a aptidão do cão à rotina policial. “Se a gente vê que o cão demora para achar o odor, fica procurando muito, é um pouco lento, já reprovamos. Precisamos de cães que tenham bastante energia para gastar e muita vontade de brincar.”
Ainda conforme o policial, definir momentos certos para trabalho e descanso e evitar interações entre o cachorro e civis é fundamental para que o cão realmente consiga contribuir com as operações. “Se pouco antes de uma operação uma pessoa interagir com ele, dizendo, por exemplo, ‘ai, que cachorrinho bonitinho’, ele pode entender que já brincou e não auxiliar na operação depois”, exemplifica.
“Além disso, eles também são treinados para nos defender caso identifiquem uma ameaça, então se uma pessoa tentar fazer isso num momento impróprio, ele pode entender como ameaça e se avançar”, continua.
Projeto K9 nas escolas leva proximidade e conscientização a estudantes
Com o objetivo de aumentar a proximidade entre a polícia e a comunidade e conscientizar sobre o cuidado com os animais, a Polícia Civil de Sapiranga possui ainda, há um ano, o projeto K9 nas Escolas, liderado pela policial Mariane da Silva.
“Costumamos ir em escolas municipais, principalmente de Sapiranga, mas também de outras cidades, como Araricá, inclusive em locais de periferia, que tendem a ter uma relação mais difícil com a polícia, então a gente vai para reduzir aquele medo de policial, gerando mais proximidade com a população”, descreve.
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“A gente mostra os comandos dos cachorros para as crianças e tem um momento de interação, que ocorre posterior à apresentação da Maju, nossa border collie, e com isso, também ajudamos a conscientizar contra os maus tratos a animais”, continua.
Mariane explica ainda que a raça é a preferida para atividades que envolvem interação com outras pessoas. “Nós levamos ela porque é uma raça mais dócil, então as crianças podem passar a mão e fazer carinho nela”, continua.
A profissional comenta que o Projeto K9 nas Escolas tem gerado bons retornos nos locais em que já foi realizada. “As pessoas têm elogiado bastante o projeto, que faz com que os estudantes tenham uma atividade diferente na manhã ou na tarde.”