O médico, doutorando e pesquisador hamburguense Wagner Scheeren Brum, 29 anos, recebeu em Manchester, no Reino Unido, o prêmio AAIC Neuroscience Next “One to Watch” Award 2026, concedido pela Alzheimer’s Association, devido ao seu estudo que investiga o uso de exames de sangue no diagnóstico do Alzheimer.
A premiação é voltada a jovens cientistas considerados promissores na área da neurociência.

Foto: Divulgação
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A relação do jovem cientista com o tema é de longa data. Em 2018 iniciou o curso de Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e logo ingressou em um grupo de pesquisa sobre a doença, sob orientação do professor Eduardo Zimmer.
Em 2021, iniciou o doutorado sanduíche na Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e lá desenvolveu pesquisas por dois anos. “Eu fui para o grupo que é o número um em biomarcadores para Alzheimer, tanto no sangue quanto no líquor”, contou em visita ao Grupo Sinos.
Histórico
Em 1984, foram estabelecidos os primeiros critérios diagnósticos amplamente aceitos para a Doença de Alzheimer, que a caracterizavam sob uma perspectiva clínico-patológica. Esses critérios determinavam que, durante a vida, o diagnóstico seria classificado como provável ou possível, sendo o diagnóstico definitivo reservado à confirmação histopatológica do tecido cerebral, geralmente realizada após o óbito do paciente.
Na década de 1990, grupos de pesquisa, incluindo o da Universidade de Gotemburgo, desenvolveram os primeiros testes para a análise das proteínas beta-amiloide e tau, associadas à Doença de Alzheimer, no líquor, coletado por meio da punção lombar.
No início dos anos 2000, por sua vez, foram desenvolvidas tecnologias complementares com o objetivo de detectar às alterações do Alzheimer: a Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET), embora com um alto custo.
Desafio técnico
Diante deste cenário, a comunidade científica passou a intensificar a busca por exames de sangue para medir as proteínas beta amiloide e tau através da coleta, explica Brum.
“Era principalmente um desafio técnico, porque as proteínas de origem cerebral estão em uma quantidade menor no sangue do que no líquor. Mas este panorama começou a mudar a partir de 2018, quando se desenvolveram tecnologias que permitiam medir as proteínas em baixa concentração derivadas do cérebro no sangue”, informa Brum.
Pesquisa baseada no exame P-tau217
A pesquisa de Brum se concentra na interpretação clínica do exame de sangue p-tau217, considerado uma das principais apostas para tornar o diagnóstico do Alzheimer mais acessível e rápido. “Ele funciona bem para destacar ou confirmar a presença de alterações típicas do Alzheimer no cérebro”, menciona.
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Um dos impactos positivos com a realização do exame, de acordo com Brum, é a elegibilidade para adquirir dois novos medicamentos que foram recentemente aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Modelo “dois passos”
Um dos trabalhos mais reconhecidos do pesquisador foi desenvolvido na Suécia. Pacientes deste país e do Canadá com problemas cognitivos passaram pelo exame de sangue p-tau217 e Brum e colegas propuseram um fluxo de incorporação na avaliação do usuário.
A proposta foi esse fluxo de implementação do exame de sangue na rotina. No primeiro passo, o paciente vê se é claramente positivo ou claramente negativo e, em um segundo momento, aqueles que tem resultados intermediários são encaminhados para fazerem um exame mais avançado.
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Foto: Divulgação
Trabalho foi reconhecido
Os estudos de Brum garantiram duas premiações. Além da distinção recebida em Manchester, o trabalho ganhou o prêmio Jovem Pesquisador Gaúcho, concedido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do RS (Fapergs).
De acordo com Brum, a maior parte dos estudos no tema é realizado nos Estados Unidos ou na Europa. Para entender a realidade nacional, a pesquisa Iniciativa Brasileira de Biomarcadores para Doenças Neurodegenerativas (IB-BioNeuro), na UFRGS, está em andamento.