A porteira se abre e o boi sai em disparada. Atrás dele, uma mulher montada em um cavalo gira a corda nas mãos, preparando o laço para alcançar o animal à frente. No 46º Rodeio Nacional de Campo Bom, que ocorre no Parque do Trabalhador até domingo (8), essa cena se repete diversas vezes e mostra que a mulher pode estar onde quiser — inclusive disputando no mesmo nível de dificuldade que os concorrentes masculinos.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Ainda tímida, mas cada vez mais presente, a participação feminina começa a ganhar protagonismo no rodeio. Com representantes nas provas, o laço crioulo deixa de ser uma atividade exclusiva dos homens e passa a ser incentivado também entre meninas desde a infância.
A competidora Camila Lincks, de Taquara, iniciou no laço aos quatro anos, influenciada pela família. Desde então, nunca mais parou e hoje integra o grupo de laçadoras que participam da competição.
“Hoje, a mulher tem mais representação no laço. Estamos conseguindo dar os primeiros passos em direção a esse esporte predominantemente masculino. Fico feliz em fazer parte dessa mudança”, comenta Camila.
O laçador Ednei Araújo também levou a tradição para dentro de casa. Apaixonado pelo rodeio, ele percebeu o interesse da filha pela montaria e passou a treiná-la. Renata, hoje com 14 anos, aprendeu ainda pequena a laçar os primeiros bois e se tornou companheira de competição na modalidade pai e filha.
“É a melhor coisa que tem. Adoro quando ela me acompanha nos rodeios. Isso me enche de orgulho e felicidade. Não foi algo que eu forcei, ela mesma tomou a iniciativa. Tenho certeza de que vai continuar mesmo depois que eu não puder mais participar. Ela também é muito ativa nas atividades do nosso CTG Sentinela da Tradição”, afirma Ednei.
Influência paterna
Durante o rodeio, é fácil perceber o interesse das crianças. Ao observar os mais velhos, muitas se encantam e começam a laçar tudo o que veem pela frente. O que para os adultos é competição, para elas vira brincadeira. Os pais, por sua vez, incentivam os filhos a manter viva a tradição campeira.
Moradora de Campo Bom, Pietra Rabelo Primaz, de oito anos, acompanha o pai, Airton Primaz, de 46, no rodeio. Segundo ele, a filha já demonstra paixão pelos animais.
“Ela já participa de laço de rédea, monta a cavalo e se diverte muito nos rodeios”, conta o pai, orgulhoso.
Durante a tarde, o pequeno Anthony Luan Pechoto Gomes, de seis anos, treinava o laço em um boi de madeira enquanto aguardava o dia em que poderá seguir os passos do pai, Bruno Luan Gomes, de 24 anos.
“Ele sempre tenta repetir o que o pai faz no laço. Já sabe montar no cavalo e preparar a rédea. Eu e minha esposa ficamos orgulhosos de vê-lo crescer feliz e se divertindo”, relata o pai.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Encilhar os cavalos
Desde segunda-feira (2), o Parque do Trabalhador se transformou para receber os competidores do laço crioulo, com disputas que seguem até domingo (8). Paralelamente às competições, o evento também abre espaço para atividades culturais e apresentações artísticas.
Todas as atividades são gratuitas, com cobrança apenas de estacionamento: R$ 20 para carros e R$ 10 para motos.
Além das provas de laço, o rodeio reúne apresentações culturais, gineteadas, danças tradicionalistas, invernadas artísticas e shows de nomes da música gaúcha. O parque também conta com estrutura de food trucks, parque de diversões e áreas de lazer.