Um questionário elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado (Sedes), está sendo aplicado em 133 municípios gaúchos, onde ao menos 5% da população encontra-se na linha de pobreza. Destas cidades, 17 fazem parte da região de abrangência do Grupo Sinos. Se sobressaem, Canoas, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Gramado e Canela.
Mas, afinal, qual a finalidade desta pesquisa? Encontrar o diagnóstico sobre quais são as principais necessidades da população mais vulnerável no Rio Grande do Sul. Quem afirma é o diretor do Departamento de Inclusão Socioprodutiva e Projetos Especiais da Sedes, Matione Sonego.

Foto: Cufa RS/ Divulgação
“Precisamos saber quais são as vulnerabilidades do público alvo da pesquisa.” Na sequência, o objetivo é executar ações práticas, visando retirar esse percentual da população da faixa de pobreza.
“Vamos criar o 1º Plano de Inclusão Sócioprodutiva. Não será uma ferramente de governo, mas para o Estado”, explica. A coleta de dados é feita por uma equipe com mais de 40 profissionais da Central Única de Favelas (Cufa).
Sonego destaca que a população de cada região tem uma necessidade diferente, por isso a relevância de coletar os dados de maneira abrangente. “As realidades são diferentes. Na Grande Porto Alegre podemos encontrar problemas de renda, moradia, enquanto na Serra o contexto é outro.”
Cronograma
O cronograma está pronto, restando apenas 11 municípios para concluir a coleta de dados. A etapa seguinte é entender o diagnóstico dos resultados. “90 dias após a finalização das pesquisas, vamos ter o estudo pronto.”
O diretor enfatiza que o plano deve ser finalizado até o fim do ano. “A partir disso, colocar em prática. Vamos ter em mãos as reais necessidades da população vulnerável.” No total, foram produzidos 10,3 mil questionários.
Municípios da região na linha de pobreza
Na região, além das já citadas Canoas, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Gramado e Canela, outras 12 cidades têm ao menos 5% da população na linha de pobreza. Os municípios em questão estão localizados no Vale do Sinos, Vale do Caí, Vale do Paranhana, Vale do Gravataí, Serra e Litoral Norte.
São eles: Sapiranga, Sapucaia do Sul, Esteio, Gravataí, Montenegro, Capela de Santana, Igrejinha, Taquara, Parobé, São Francisco de Paula, Imbé e Tramandaí.
Nota-se que não há um perfil único entre as cidades. Grandes, pequenas e médias fazem parte do grupo. No entanto, o desafio é o mesmo, retirar as pessoas da vulnerabilidade social.

Foto: Cufa RS/ Divulgação
O exemplo é que as vizinhas Campo Bom e Sapiranga, do mesmo porte, estão em posições opostas. O mesmo acontece na Serra, onde duas das cidades mais visitadas no Estado, Gramado e Canela, contam com ao menos 5% da população na linha da pobreza, a vizinha Nova Petrópolis ficou de fora, ainda que faça parte da mesma região.
Canoas, Novo Hamburgo e São Leopoldo
Entre os 10,3 mil questionários produzidos, 277 foram aplicados em Canoas, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Segunda maior cidade da Grande Porto Alegre, atrás apenas da Capital, Canoas teve 139 famílias entrevistadas.
Em Novo Hamburgo foram 53 famílias, enquanto São Leopoldo buscou os dados de 85 famílias utilizadas como parâmetro no município.
O secretário da Assistência Social de Canoas, Márcio Freitas, comunicou que o município agendou uma reunião com o presidente da Cufa no Estado. “Estamos ampliando o atendimento no Restaurante Popular e nos CRAS”, explica, reiterando a preocupação da Prefeitura com o tema.
Outro projeto que está em andamento é o Emancipa Família Gaúcha, em parceria com o governo do Estado. “Serão oito cursos gratuitos, como de manicure, cabeleireiro, serviços gerais. No final, todos os alunos vão ganhar R$ 1,5 mil em materiais, para começar a trabalhar”, completa.
A reportagem procurou as prefeituras de Novo Hamburgo e São Leopoldo. No entanto, os municípios optaram por não se manifestar sobre o tema no momento.
Papel da Cufa
Responsável por coletar os dados nos 133 municípios gaúchos, a Cufa atua com conhecimento sobre o tema. “Capacitamos pessoas que são moradoras de periferia. Inclusive, muitos participaram do último Censo”, explica o presidente da Central Única de Favelas no Rio Grande do Sul, Junior Torres.
Junior reforça que a pesquisa em desenvolvimento é a maior com base no CadÚnico realizada no País. “Esse trabalho é fundamental. Para ter políticas públicas de qualidade é necessário ouvir o público envolvido.” O presidente salienta que o papel da Cufa é fazer a escuta e registrar todos os dados, que vão auxiliar na criação do Plano Estadual Socioprodutivo.
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