Um acidente com três mortes registrado no último domingo (4) na RS-239, em Sapiranga, reacendeu os graves problemas dos retornos localizados na rodovia. José de Lemos Costa, 72 anos, Mateus da Veiga Silva, 21, e Nicolly Fernanda Chaviel, 17, morreram quando o Fiat Uno, conduzido por José, tentava concluir o retorno na altura da DG7 Veículos. Durante a manobra, o veículo acabou atingindo uma motocicleta Yamaha que trafegava no sentido interior-capital, conduzida por Mateus e que tinha Nicolly na carona.
Administrada pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), a rodovia deve ser repassada à iniciativa privada. O objetivo, conforme o governo do Estado, é efetivar as melhorias necessárias para que os motoristas tenham mais segurança ao circular pela estrada.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
No Programa de Exploração da Rodovia (PER) diversos aperfeiçoamentos foram apresentados. A projeção da Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg), responsável pelo projeto, é de que as obras comecem em 2027 e se estendam por dez anos.
Entre os avanços, novos retornos serão instalados no trajeto entre Novo Hamburgo e Rolante. Outras Passagens inferiores e superiores, incluindo viadutos, também estão programadas.
Dois tipos de retornos vão substituir o modelo utilizado atualmente na RS-239. Trevos devem ser novidade, reforçando a segurança.
Como serão os retornos
O retorno em X é usado em vias duplicadas (com canteiro central) em que as trajetórias dos carros que retornam se cruzam, formando a letra X quando visto de cima. As alças de acesso e retorno passam pelo canteiro central e voltam ao sentido oposto, facilitando a manobra sem parar no cruzamento principal.
No total, serão oito intervenções neste modelo, com conclusão prevista para 2034 no cronograma original da Serg. Já outros três retornos serão no formato atual, ou seja, em u. Neste padrão, o motorista faz uma curva fechada para voltar no sentido contrário da via, formando a letra U quando vista de cima.
As alternativas mais seguras serão as passagens inferiores e superiores. Na passagem inferior, também chamada de viaduto inferior, a via passa por baixo da outra por meio de um túnel curto ou faixa rebaixada, evitando o cruzamento entre veículos.
Já a passagem superior é uma obra onde uma via passa por cima da outra, usando um viaduto ou ponto. Isso faz com que os veículos fiquem separados em níveis diferentes, desviando cruzamentos diretos.
Uma das passagens inferiores, por exemplo, está projetada para ser construída no quilômetro 14,7 da RS-239, na altura da Estrada Germano Friedrich. Ainda em Novo Hamburgo, um viaduto deve ser erguido no quilômetro 16, altura do Teatro Feevale. Essas obras eliminariam os atuais retornos em U, localizados no trecho.
Bloco 1
A RS-239 integra o Bloco 1 de concessões ao lado de outras sete estradas (RS-020, RS-040, RS-115, RS-118, RS-235, RS-466), além da nova RS-010, que será construída. A previsão da Serg é divulgar o edital no mês de março, enquanto o leilão na B3, em São Paulo, deve ocorrer em junho.
LEIA TAMBÉM