Candidatos à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) gaúchos podem começar o processo com as novas regras a partir desta segunda-feira (5), conforme anunciado pelo Departamento Estadual de Trânsito do RS (Detran-RS).
Era a oportunidade que Isadora Nascimento precisava. Desempregada, ela procurou um Centro de Formação de Condutores (CFC) para começar as aulas teóricas e iniciar o curso neste começo de semana.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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“Meu marido já faz corridas por aplicativo, então a ideia é a gente passar a se revezar com o carro e tirar uma grana extra para a casa”, explica a trabalhadora de 41 anos. “Porque agora ele vai conseguir pagar a carteira.”
As alterações garantidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) incorporam um modelo híbrido em que o candidato faz as aulas teóricas em casa e, caso seja aprovado, passa a fazer as aulas práticas de direção, com carga horária mínima obrigatória de duas práticas.
Também animado com a mudança, o jovem Victor Leonardo Silveira, 18 anos, procurou o CFC nesta segunda-feira, mas para marcar as aulas práticas após a conclusão do conteúdo teórico.
“Paguei normal as aulas teóricas, porque o preço continua o mesmo, mas dei sorriso de orelha a orelha na hora de acertar as práticas. Fiz as contas e gastaria R$ 1,7 mil, mas agora só vou gastar R$ 300”, calcula.
Mesmo que só houvesse a exigência para duas aulas práticas, Victor apontou ter marcado quatro aulas de instrução no CFC para garantir o reforço para obter a habilitação.
“Eu sei dirigir, mas não dá para brincar”, disse. “Tenho que passar no teste igual a todo mundo para só depois poder dizer que tenho a carteira de motorista.”
Melhoria visível
Amigo de Victor Leonardo, Vinícius Moraes, 18 anos, se ressente por ter feito a carteira no ano passado, antes que as mudanças fossem implementadas com novas regras para obter a CNH.
“Paguei R$ 2,7 mil para conseguir a carteira de moto”, lembra. “Se tivesse esperado um pouco mais, economizaria um monte, porque agora, do jeito que ficou, todo mundo consegue tirar a carteira”, opina.
Aprender a dirigir
Embora as mudanças anunciadas sejam conhecidas, na prática, ainda não há um impacto visível na procura pela Carteira Nacional de Habilitação, segundo avaliação dos profissionais do setor.
Diretor do CFC São Francisco, Rodrigo Xavier imagina que um aumento do setor possa ser detectado a partir de março, após o período de férias e de movimentação em direção às praias.
“É tudo muito novo ainda, então não dá para observar o impacto”, avalia. “Mas acreditamos, sim, que haverá um incremento na procura a partir do mês de março, após este período de veraneio.”
Conforme o diretor, mesmo com um mínimo estabelecido de duas aulas, será necessária avaliação do profissional da autoescola, que dirá se o candidato está apto ou não para o teste.
“Às vezes, em somente duas aulas, o aluno não vai se sentir seguro o suficiente para o teste, que permanece o mesmo. Então, ele vai precisar de mais aulas de reforço”, esclarece. “Na prática, a exigência de aprender a dirigir para obter a carteira continua.”
Confira o passo a passo para quem quer buscar a CNH
- No aplicativo CNH do Brasil, preencher o Requerimento da 1ª Habilitação e iniciar o curso teórico. O curso pode ser feito no próprio aplicativo, ou nos Centros de Formação de Condutores de forma remota ou presencial
- Ao mesmo tempo, em um Centro de Formação de Condutores (CFC), é possível fazer a coleta biométrica (gratuita), agendar a avaliação psicológica, o exame de aptidão física e mental e depois a prova teórica;
- Concluindo a etapa teórica e estando liberado nas avaliações de saúde, o candidato pode marcar as aulas práticas no CFC, já com a possibilidade da nova carga horária mínima de 2 horas/aula;
- Quando se considerar apto para fazer a prova prática, o candidato pode agendá-la. Quando aprovado, o candidato recebe a Permissão para Dirigir
Aulas particulares
A nova legislação federal traz a possibilidade de as aulas práticas serem realizadas por instrutores autônomos em veículo próprio. Neste momento, essa modalidade ainda não está disponível. O DetranRS trabalha na regulamentação do tema para disponibilizar um modelo seguro e legal, que evite impactos negativos no trânsito e eventuais conflitos jurídicos.
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