Trabalhadores dos Correios de nove estados iniciaram, nesta quarta-feira (17), uma greve por tempo indeterminado. O movimento protesta contra a falta de reajuste salarial e a ausência de um novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), além de denunciar a retirada de direitos da categoria.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
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No Rio Grande do Sul, a paralisação ganha força especialmente no setor de distribuição. Segundo Amanda Antunes, diretora da subsede Vale do Sinos do Sintect-RS, a adesão regional ultrapassa os 80%.
Cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapiranga, Campo Bom e Parobé “estão com as unidades de distribuição quase totalmente paradas”. “A gente está em negociação com os Correios há cinco meses e não tem uma solução. As únicas propostas apresentadas até agora são de retirada dos poucos direitos que os trabalhadores têm”, acrescenta Amanda.
Impacto no Vale do Sinos e região
No Centro de Entrega de Encomendas (CEE) de Novo Hamburgo, filas foram registradas no início da manhã desta quinta-feira (18). Um servidor da unidade, que preferiu não ser identificado, relatou que mais de 70% dos funcionários da unidade aderiram ao movimento, embora a entrega de encomendas continue ocorrendo com tempo de espera superior a uma hora.
A nível estadual, o Sintect-RS informa que cerca de 78% do setor de distribuição no Rio Grande do Sul está paralisado.
Movimento nacional
Além do Rio Grande do Sul, a greve ocorre simultaneamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Ceará e Paraíba. Os sindicatos alegam que a medida é necessária para demonstrar a insatisfação com a proposta da empresa, considerada “intransigente” em relação aos benefícios históricos da classe.
O impasse nas negociações ocorre em um momento de reestruturação na estatal. Em novembro, a administração dos Correios aprovou um plano que prevê o fechamento de até mil unidades consideradas deficitárias e um programa de demissão voluntária. A estratégia inclui ainda a venda de até R$ 1,5 bilhão em imóveis e a remodelagem de benefícios, como o plano de saúde, o que tem gerado forte resistência da categoria.
O que dizem os Correios
Em nota, a estatal informou que adotou medidas de contingência para mitigar os impactos operacionais e garantir a continuidade dos serviços essenciais. Segundo os Correios, todas as agências permanecem abertas e as entregas continuam sendo realizadas em todo o território nacional, apesar da mobilização dos trabalhadores.
Leia a nota dos Correios na íntegra:
“Todas as agências estão abertas e as entregas seguem sendo realizadas em todo o território nacional. Atualmente, cerca de 91% do efetivo da empresa está em atividade. Dos 36 sindicatos que representam os trabalhadores da estatal, 24 não aderiram ao movimento de paralisação. A adesão registrada é parcial e localizada, com concentrações em estados como Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para mitigar eventuais impactos operacionais, a empresa adotou medidas contingenciais que garantem a continuidade dos serviços essenciais à população.”