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OPERAÇÃO

Análogo à escravidão: Adolescente e mulheres indígenas estão entre trabalhadores resgatados na Serra gaúcha

Contratados em colheita de alho estavam há mais de 30 dias sem receber remuneração; diversas irregularidades relacionadas à saúde e à segurança do trabalho também foram constatadas

Fernanda Steigleder Fauth
Publicado em: 23/03/2026 às 14h:03 Última atualização: 23/03/2026 às 15h:12
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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 11 trabalhadores em condições análogas à escravidão no distrito de Lageado Grande, no interior de São Francisco de Paula. Os profissionais foram encontrados atuando na colheita de alho e na produção de tomates. Eles têm idades entre 17 e 53 anos. Havia, ainda, duas mulheres indígenas e um adolescente de 17 anos.

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Trabalhadores resgatados em São Francisco de Paula



Trabalhadores resgatados em São Francisco de Paula

Foto: MTE/Divulgação

Segundo apurado pela fiscalização, os trabalhadores estavam há mais de 30 dias sem receber remuneração. Também foi verificada a alteração unilateral da forma de pagamento, que passou de diárias para remuneração por produção, resultando em ganhos inferiores ao piso regional da categoria no Rio Grande do Sul.

A maioria iniciou as atividades em outubro de 2025, com a promessa de registro em carteira, pagamento de diárias no valor de R$ 125, além de alimentação e moradia. Entretanto, não foram submetidos a exame médico admissional e o registro nunca foi providenciado pelo empregador.

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A operação, realizada no dia 11 de março, foi coordenada por auditores-fiscais e contou com o acompanhamento do Ministério Público do Trabalho (MPT), além do apoio da Brigada Militar, da Polícia Federal e da Secretaria de Assistência Social do município.

Irregularidades em alojamentos e à segurança

Foram constatadas, ainda, diversas irregularidades relacionadas à saúde e à segurança do trabalho. O empregador não fornecia Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), nem treinamento para o manuseio de agrotóxicos utilizados na lavoura.

As condições de alojamento também foram consideradas inadequadas. Os trabalhadores estavam instalados em casas com estrutura precária, com buracos nas paredes e no assoalho, além de instalações sanitárias em péssimo estado de conservação. Também foi identificada a ausência de armários e de roupas de cama.

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Diante das condições encontradas, o alojamento foi interditado pela fiscalização até que sejam realizadas as adequações previstas na Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31).

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Os trabalhadores foram retirados do local e receberam assistência para retorno às suas cidades de origem, no interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com apoio da Secretaria de Assistência Social de São Francisco de Paula.

A fiscalização segue em andamento para apuração das irregularidades trabalhistas, incluindo o pagamento das verbas rescisórias, o recolhimento do FGTS e o encaminhamento do seguro-desemprego aos trabalhadores resgatados.

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