O vereador de Canela Leandro Gralha, preso de forma preventiva na manhã de quinta-feira (4) pela Polícia Civil, foi solto ainda na noite de ontem. A informação foi confirmada pelo advogado de defesa, Luiz Fernando Tomazelli. O parlamentar é suspeito de ameaçar um morador, que teria feito uma denúncia na Câmara de Vereadores, envolvendo supostas irregularidades no Hospital de Caridade de Canela (HCC).
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Foto: PMC/Divulgação
“A defesa, após ter acesso aos autos, pôde constatar que não havia as mínimas condições e requisitos para a prisão do vereador Leandro, o que se confirmou logo no início da noite do mesmo dia de ontem, com a concessão da liberdade que se alcançou no Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, e pela impetração de um Habeas Corpus, em seu benefício, para que viesse, imediatamente, em sede liminar, ser restabelecida a liberdade de Leandro Gralha”, afirma Tomazelli.
Para o advogado, existem inconsistências no inquérito. “Não existe prova alguma no processo que pudesse remeter a uma suposta ameaça ou constrangimento do vereador contra a pessoa que, contra ele fez, uma denúncia na Câmara Municipal de Canela. E se não bastasse isso, o denunciante compareceu espontaneamente no Legislativo municipal e retirou denúncia, ou seja, mostrou seu arrependimento, e isso frente a vários servidores da Câmara e vereadores outros. Disse também o denunciante, aos servidores do Poder Legislativo, que estaria agindo por interesse de terceiro, o que é reprochável numa situação dessas”, pontua.
Conforme o defensor, “se observou nos autos que a única circunstância investigatória, e processual, contra Leandro é tão só a versão da vítima, o arrependido denunciante”. “E isso é possível se afirmar, pela sua própria versão. Diante disso, do arrependimento do denunciante, pouquíssimo provável que tenha esse sido ameaçado ou constrangido pelo vereador Leandro, pois não haveria lógica nisso e tampouco qualquer motivação para assim ocorrer. Saliento: é só a versão da vítima que fundamentou a representação pela prisão do vereador Leandro”, completa.
Em nota enviada ao ABCmais, o advogado complementa que “a decisão alcançada pela via do Habeas Corpus veio a reconhecer o posicionamento e entendimento da defesa, no sentido de que desarrazoada foi a ordem de prisão e de que deveria, como de fato foi, ser devolvida a liberdade do vereador Leandro Gralha”.
Entenda o caso
De acordo com a investigação da Polícia Civil, o caso teve início quando um morador protocolou a denúncia relatando possíveis desvios de verbas na instituição de saúde. Gralha foi secretário de Saúde e interventor da casa de saúde entre 2022 e 2023. Ao tomar conhecimento da acusação, o vereador teria ido até a residência do denunciante e feito ameaças que levaram à retirada da denúncia feita no Legislativo.
Conforme a Casa do Povo, houve o protocolo de uma denúncia contra Gralha, sob argumento de conduta vexatória e pedido para que fosse aberta sindicância contra ele. Porém, dias após o denunciante solicitou a retirada.
A vítima, ouvida duas vezes na Delegacia de Polícia, relatou ter temido por sua segurança, o que acabou comprometendo o andamento do processo administrativo que apurava as irregularidades.
O inquérito também aponta que o vereador possui histórico de envolvimento em outros procedimentos policiais, incluindo registros por peculato, corrupção passiva, crimes contra licitação e um inquérito anterior pelo mesmo crime de coação no curso do processo.
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