Tradições são passadas de geração em geração há séculos no Rio Grande do Sul. Desde o gosto pelo chimarrão, passando pelo apego às danças e a história da Revolução Farroupilha. Em Campo Bom, alunos das 20 escolas municipais de ensino fundamental podem participar do Programa Acolher: Projeto Danças Gaúchas.
A atividade ocorre uma vez por semana no contraturno escolar, com aulas de até 1h30. Quatro professores se dividem em duplas: Dionatan Martins e Nicoly Arnold são responsáveis por 10 escolas, enquanto Vinicius Riss e Luana Weber atendem o restante. Já duas Escolas de Educação Infantil (Emeis) são atendidas na Praça CEU.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Segundo Dionatan, o tema que será trabalhado com os alunos é escolhido no início do ano letivo. “Toda nossa preparação é focada em momentos como a Semana Farroupilha. Ensaiamos diversas danças, são feitos testes antes da escolha definitiva.”
Podem participar alunos do 1º ao 9º ano, que dançam juntos. “A participação é muito boa, temos cerca de 500 alunos participando do projeto atualmente.” No entanto, o professor faz uma análise sobre questões que se tornaram rotina no tradicionalismo. “Temos cada vez mais a participação de meninas. Por outro lado, o número de meninos nas danças reduziu bastante.”
Sucesso em Campo Bom
O sucesso do projeto é comprovado com os resultados conquistados por Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) do município. “Muitas crianças saíram do nosso projeto e foram para os CTGs. Prova disso são as conquistas recentes.”
O professor se refere a conquista do CTG M’Bororé nas danças tradicionais do 29º FestMirim, que ocorreu em Santa Maria. A invernada já conquistou cinco vezes o FestMirim, além de uma vez o Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart).
E um exemplo dessas possibilidades pode ser presenciado pelos alunos, já que a professora Nicoly começou no projeto, seguiu para o CTG e hoje está dando aulas. “Comecei na escola Borges de Medeiros, depois fui para o CTG”, conta.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Nicoly reforça que a participação da comunidade é cada vez maior. “Passamos em todas as salas de aula oferecendo a atividade no contraturno. Os pais se envolvem bastante.”
Entretanto, aponta uma dificuldade para dar sequência à tradição. “Se tornou uma atividade muito cara para se fazer. A indumentária não é barata e isso acaba afastando as crianças dos CTGs. Por isso o projeto na escola é mais viável”, completa.
Apresentação no Parque do Trabalhador
Para fechar a preparação com chave de ouro, os alunos de todas as escolas participaram da Mostra de Danças Gaúchas no Parque do Trabalhador. O evento faz parte da Semana Farroupilha, sendo considerado o ponto alto para todos que participam.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Durante as apresentações, os pequenos se mostravam nervosos antes de subir no tablado. Os pais e responsáveis também estavam a postos, prontos para ajudar, inclusive nas trocas de roupas durante o espetáculo.
“Isso mostra a força da nossa tradição”, comemora o professor Dionatan.
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