“Não tem dinheiro para a ração do mês que vem”, desabafa a protetora da causa animal e cofundadora da SOS Operação Nazário, Cláudia Azevedo, 51 anos. Com uma década de dedicação e amor incondicional a cães e gatos abandonados na divisa entre as cidades de Canoas, Cachoeirinha e Esteio, a ONG, que possui cerca de 200 animais assistidos, viu as contas colapsarem em razão da redução drástica do número de doações e apoiadores.
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“Infelizmente, é o efeito da tragédia que aconteceu no Bem-Estar Animal. As pessoas perderam a confiança. Mesmo quem faz um trabalho sério e idôneo está sofrendo as consequências. É geral, a porcaria feita por uma pessoa atinge a todos. Houve uma mancha na causa animal e não tem nada a ver com política, é um consenso entre os protetores da região, que estão desesperados pedindo ajuda para continuar salvando vidas”, explica Cláudia.
Após a enchente de maio de 2024, a SOS Operação Nazário dobrou o número de animais assistidos. Para manter a alimentação das duas centenas de animais, entre cães e gatos, a ONG necessita mensalmente de uma tonelada de ração.
“Só para a ração, o custo mensal é de R$ 5 mil. Contando as medicações, castrações, tratamentos de saúde e procedimentos no veterinário, o custo total por mês fica em torno de R$ 10 mil. Mas hoje, a realidade do caixa da SOS Nazário é preocupante. Não temos dinheiro suficiente nem para comprar o básico, ou seja, ração.”
A protetora explica que a maioria dos cães remanescentes da enchente são cachorros de grande porte.
“Cachorros maiores possuem menos procura pelos adotantes. Além dos 100 animais albergados no meu sítio e na casa da Laura [cofundadora], ajudamos os cães comunitários na região da Estrada do Nazário e também as famílias que possuem pets, mas são de baixa renda. São pessoas de bom coração, mas que não possuem condições financeiras para a compra de ração, por exemplo. Muitas vezes, os animais aparecem no pátio e a família deixa eles ficarem.”
Para Cláudia, a enchente trouxe mais visibilidade para a causa animal. No entanto, a má conduta de pessoas que se apresentam como protetores gerou dúvidas e suspeitas na população.
“As pessoas têm que avaliar. Fazer uma avaliação do trabalho. Existem muitos protetores de verdade. É importante observar se o protetor posta nas redes sociais todas as etapas, não só o resgate. Por exemplo, o dia a dia, que inclui muitas vezes algum tratamento de saúde, a albergagem, ou seja, onde o animal fica, e também se há registros de adoção dos bichos resgatados”, destaca.
Além da ração
A protetora e cofundadora do SOS Operação Nazário, Laura Fidelis, 37, fala sobre a área de atuação do SOS Operação Nazário.
“Estamos no entroncamento entre Canoas, Cachoeirinha e Esteio. É uma região de descarte de animais. As pessoas simplesmente abandonam sem qualquer tipo de peso na consciência ou punição. Já solicitamos às prefeituras a colocação de câmeras para coibir essas ações, mas não houve avanço. Temos uma limitação de perímetro. Infelizmente, não temos estrutura para atender outras regiões”, explica.
A saúde dos animais é outro motivo de preocupação para as protetoras. Atualmente, a ONG conta com vários cães e gatos em tratamento veterinário.
“O custo para qualquer procedimento veterinário é alto. Nós ainda temos uma vantagem, um anjo de veterinária, a Alessandra, que faz a baixíssimo custo os atendimentos. Sem ela, não seria possível. Mesmo assim, são custos consideráveis. Temos gatos em tratamento para a Felv [Vírus da Leucemia Felina], esporotricose [infecção fúngica grave], cães em tratamento urinário, em tratamento de pele. A cada novo resgate, garantimos a castração. Hoje, todos os animais que estão conosco e disponíveis para adoção são castrados. O trabalho vai muito além de alimentar, ele envolve amor, carinho e cuidados com cada bichinho.”
Formas de ajudar
Para manter a SOS Operação Nazário, as cofundadoras Cláudia e Laura realizam diversas ações, como brechós, rifas, feiras, venda de produtos. Recentemente, a ONG disponibilizou para compra uma camiseta comemorativa de 10 anos de atuação da ONG. A camiseta possui uma estampa em homenagem aos animais resgatados da enchente e custa R$ 60.
“O Instagram @sosoperacaonazario é o principal canal de comunicação para as pessoas acompanharem o nosso trabalho. Também temos o WhatsApp (51) 9282-9131. O Pix para doação de qualquer valor é sosoperacaonazario@gmail.com”, frisa Cláudia.
Interessados em contribuir mensalmente, a partir de R$ 10, com o trabalho realizado pela SOS Operação Nazário podem utilizar a plataforma Apoia-se “Ajuda para os Nazarenos“.
“Toda ajuda é bem-vinda. Seja doação de ração, polenta, seja com algum tipo de serviço, ou seja em valores. Tudo é bem-vindo. O nosso compromisso é com os animais. Lembrando que a maior contribuição é a adoção responsável. Cada bichinho merece um lar com muito amor e carinho. Todos os apoiadores e doadores da SOS Operação Nazário ajudam a salvar vidas todos os dias “
Para estimular a adoção dos animais, o SOS Operação Nazário realiza regularmente feiras de adoção em cidades da região metropolitana. As datas, horários e locais são divulgados na página do Instagram @sosoperacaonazario.
Fundação e trabalho voluntário
A SOS Operação Nazário foi criada em 2015 pelos protetores Cláudia Azevedo, Laura Fidelis e José Lima. Atualmente, os três são responsáveis pela assistência de cerca de 200 animais na região da Estrada do Nazário.
“Todos temos profissões e trabalhos em paralelo à causa animal. Somos três pessoas apaixonadas por animais que fundaram uma ONG para resgatar e ajudar cães e gatos. Eles precisam de uma segunda chance. O objetivo final é sempre a adoção. Sabemos das dificuldades, nem todos têm a sorte de ter um tutor, mas seguimos trabalhando e lutando para que todos tenham um lar”, conclui Cláudia.