Na maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul, o confronto entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo desperta um misto de sentimentos. Para descendentes de japoneses e imigrantes que construíram a vida no Brasil, o jogo desta segunda-feira (29) representa um raro momento em que as duas pátrias do coração estarão em lados opostos.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Durante a Feira da Colônia Japonesa, realizada neste domingo (28), em Ivoti, a resposta à pergunta “para quem vai a torcida?” ninguém quis escolher apenas um lado.
Filho de pai japonês e mãe brasileira, o presidente da Associação da Feira na Colônia Japonesa de Ivoti, Sérgio Takeda, 68 anos, resume o sentimento compartilhado por muitos. “Se o Japão ganhar, sou descendente japonês. Se o Brasil ganhar, sou brasileiro. Então, nesse caso, vou ganhar sempre”, brinca.
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Nascido no Japão e morando no Brasil desde criança, Naonari Urakami, 61, também encara a partida com leveza e bom humor.
“Eu torço para quem ganhar. Pros dois, mesma coisa. Eu nunca perdi.” Apesar de acompanhar a evolução da seleção japonesa, ele lembra que o favoritismo histórico ainda pesa. “O Brasil é o Brasil, é a principal potência do futebol. Mas, se tiver a surpresa do Japão ganhar, que bom”, destaca.
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Para Toshiyuki Uchiumi, 62, também não existe preferência. Ele afirma que acompanhará a partida, mas sem escolher um lado. Ao mesmo tempo, destaca que a expectativa entre os japoneses é grande. “Eu assisto o noticiário na NHK (emissora estatal japonesa) e lá eles falam que é a seleção mais forte de todos os tempos. A expectativa dos japoneses é até de título”, conta.
Já Masae Miyabi Urakami, 67, acredita que o resultado deve premiar quem apresentar o melhor futebol. “Eu estou torcendo para quem jogar melhor. Tem que ganhar no campo”, coloca. Embora tenha nascido no Japão, ela vive praticamente toda a vida no Brasil e diz que ficará feliz com qualquer vencedor.
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Filha de imigrantes japoneses, Vânia Naomi Hirakata, 53, admite que o duelo desperta um conflito que não existe quando o Brasil enfrenta qualquer outra seleção. “O coração fica totalmente dividido. Contra qualquer outra seleção eu torceria com certeza para o Brasil. Mas, no caso de Brasil e Japão, a gente acaba se dividindo”, conta. Ela destaca que sua mãe, nascida no Japão, deve torcer pela seleção japonesa. O pai, já falecido, provavelmente faria a mesma escolha.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
O sentimento de pertencimento aos dois países ganha um símbolo na história de Tazuko Arima, 79. Nascida no Japão e morando há décadas no Brasil, ela mantém o idioma de origem, já que pouco sabe falar português. “Como moro no Brasil, tenho vontade de torcer pela seleção brasileira. Mas, como nasci no Japão, o meu sentimento quase espontâneo é gritar: ‘Vamos lá, Japão'”, coloca, em tradução realizada por Vânia Hirakata.