Estudantes do 7º ano da Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) São João, de Novo Hamburgo, trocaram a rotina da sala de aula por uma experiência ao ar livre, entre histórias e aprendizados, no jardim de suculentas da dona Odete. A atividade ocorreu no dia 19 de junho, no bairro Guarani.
Cultivadora das plantas há mais de cinco anos, a aposentada Odete Wilborn, de 73 anos, transformou o convívio com a espécie em uma fonte diária de bem-estar.
Em meio a vasos cuidadosamente organizados, a visita se transformou em um encontro de gerações, em que ensinamentos sobre cultivo e características das plantas dividiram espaço com experiências de vida e curiosidade dos jovens. A turma faz parte do projeto Com Vida, que consiste em ações junto à natureza, melhorias para a escola e envolvimento com a comunidade.
Veja também: Grupo Amigas de Mãos Dadas comemora 20 anos com chá especial na Catedral São Luiz Gonzaga
A atividade foi supervisionada pela professora de Ciências Simone Haag Pereira e possibilitada através da mediação da assistente social aposentada Karla Mombach, conhecida da família de Odete, que fala sobre as vantagens de manter contato com a natureza no dia a dia.
“Um remédio que não existe em nenhum outro lugar”
Para Odete, o contato com a natureza é praticamente uma forma de terapia. “É o que eu gosto de fazer. A melhor coisa que tem é pro íntimo da gente, para a nossa cabeça. Faz eu me sentir bem, nada me incomoda… plantar flor é como se fosse um tratamento, um remédio que não existe em nenhum outro lugar senão na terra, na casa da gente, comenta Odete.
“Mostrei às crianças o que eles também podem fazer em casa. Uma folhinha pode criar um vaso de flores e se multiplicar. É gratificante ver que dessa turma que vem aqui, alguém pode acabar amando plantar e continuar isso em casa”, acrescenta.
A estudante do 7º ano Stefani Rodrigues Godoy, de 12 anos, do bairro Guarani, se sentiu tocada pela iniciativa.
“Me senti muito acolhida e gostei bastante de aprender sobre as plantas venenosas, como a gente sabe quais são. Gostei muito da dona Odete, uma querida. Com esse contato, a gente pode transmitir conhecimentos e tem muitos que ela tem e nós não, que são passados de geração em geração.”
ENTRE NA COMUNIDADE DO ABCMAIS NO WHATSAPP
Da mesma forma, Pedro Daniel Loreno Cardoso, de 13 anos e da mesma turma e bairro, sente-se enriquecido pela experiência.
“No Projeto Com Vida, a gente tem uma estufa, que estamos sempre plantando e pensando em melhorias para a escola. Achei bem legal visitar a dona Odete porque a gente aprende muito mais sobre as plantas e tem esse convívio com a natureza.”
Visita na escola foi ponto de partida
De acordo com Simone, a troca de vivências começou primeiro com uma visita à escola.
“A Karla marcou de levar primeiro a dona Odete lá na nossa escola. A gente tem uma estufa de atividade agrícola do Projeto Com Vida, onde ela nos conheceu e conheceu a escola, além de falar sobre suas plantas. Ela tem bastante conhecimento sobre suculentas pela sua vivência e se propôs a fazer um trabalho com os estudantes”, afirma.
“Este é o propósito do Projeto Com Vida, gerar conexão e trazer a comunidade para dentro da escola. Acho muito importante essa troca de experiências porque as crianças trazem essa vida, essa alegria, e, em contrapartida, essa geração mais idosa traz a paciência, a experiência de como fazer as coisas”, continua.
“Faz bem para qualquer pessoa, de qualquer idade”
A professora Simone destaca o benefício que o contato com a natureza e o encontro de gerações podem trazer à educação dos estudantes.
“O conhecimento dessa variedade de plantas e o cultivo que, em tão pouco tempo, virou um jardim tão grande. Tenho a convicção de que a gente só cuida do que ama. Precisamos conhecer, amar e, a partir daí, teremos o cuidado. Por isso, essa experiência do contato com a natureza é tão importante para a gente cuidar do nosso planeta”, comenta.
“Essa proximidade com a natureza nos traz uma paz, um sentimento que é como se estivéssemos tirando todo o estresse do nosso corpo. Faz bem para qualquer pessoa, de qualquer idade”, prossegue.