Um dos atrativos de Sapucaia do Sul, cidade que completa 64 anos nesta quarta-feira (20), é a sua vasta Zona Rural, que conta com belezas como o Morro Sapucaia e o Morro das Cabras. A região, conhecida especialmente por praticantes de trilhas e escaladas, tem se tornado, cada vez mais, interessante para novos empreendimentos e para o fomento do turismo no município.

Foto: Acervo Pessoal – Ana Juliano
Secretário municipal de Cultura e Turismo de Sapucaia, Gervásio Santana, conta que a região tem tido um olhar especial da administração dentro do projeto turístico para a cidade.
“O Conselho Municipal de Turismo tem se reunido mensalmente para deliberar ações e estratégias focadas no turismo, tanto da área urbana quanto da área rural. Nesse sentido, a Administração Municipal e a Secretaria de Cultura e Turismo têm atuado, junto com a Emater, ADCR – Associação do Desenvolvimento Comunitário Rural, SENAR, ACIS e CDL, como facilitadora e incentivadora de empreendedores da área rural para melhorarem e transformarem suas propriedades em lugares de acolhimento turístico”, diz.
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Com este foco, segundo ele, foi criado um movimento chamado “Turismo Rural em Sapucaia do Sul”, onde mais de uma dezena de empreendedores se reúne mensalmente, unindo esforços e elaborando as melhores diretrizes para divulgação das potencialidades da Zona Rural. Para Santana, a diversidade é um dos diferenciais para investimentos na região.
“Além da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Morro de Sapucaia, do Morro das Cabras e do Morro da Pedreira, Sapucaia do Sul tem inúmeros atrativos na área rural para todos os tipos de gostos e aventureiros: ciclismo, trekking, montanhismo, cavalgadas, trilhas, acampamentos, gastronomia rural, cafés rurais, balneário, riachos, córregos e cascatas, turismo religioso, histórico e de contemplação, entre muitos outros”, diz.
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“Temos cerca de quatro milhões de pessoas na área metropolitana de Porto Alegre, morando numa selva de concreto, as quais estão sedentas para ter contato íntimo com a natureza, com morros, montanhas, matas, riachos, para sentir o ar puro, colocar os pés descalços no chão, apreciar a gastronomia, os pássaros, a abóbada celeste. E a área rural de Sapucaia do Sul oferece tudo isso, tanto para o turista que quer conhecer lugares diferentes pertinho deste grande centro urbano, quanto para quem quer investir e empreender, aproveitando as potencialidades turísticas de uma área rural abençoada por Deus”, opina.
Moradora da cidade desde criança, Elaine Rodrigues é uma das mais recentes empreendedoras da localidade Em dezembro do ano passado ela inaugurou o Recanto da Nany, um café rural que funciona aos fins de semana e feriados e que une delícias gastronômicas com a bela vista do local.
“Escolhemos investir aqui na Zona Rural de Sapucaia do Sul porque acreditamos no potencial e no charme desse lugar. Aqui encontramos tranquilidade, contato com a natureza e uma comunidade acolhedora. Queremos valorizar nossas raízes, proporcionando às pessoas momentos especiais, aproveitando o que há de mais genuíno na vida do campo”, comenta.

Foto: Acervo Pessoal
Elaine classifica o empreendimento como um “desafio gratificante”. “Sapucaia é uma cidade com uma comunidade unida, que valoriza o trabalho local e tem espaço para ideias novas. Aqui no Recanto da Nany, encontramos clientes que apreciam o cuidado, a qualidade e o acolhimento, o que torna cada esforço recompensador”, diz. Para ela, iniciativas simples podem ajudar a tornar a área ainda mais atrativa para novos negócios e visitantes.
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“A Zona Rural é o coração verde da cidade. Ela preserva muita história, cultura e lugares fantásticos. Acredito que para torná-la ainda mais atrativa, é importante divulgação do turismo rural, que já está sendo muito valorizado, eventos culturais, experiências que aproximem as pessoas da natureza”, opina.
“Atualmente, nossa Zona Rural já conta com asfalto, o acesso melhorou bastante. Assim, fortalecemos a economia local e despertamos o orgulho pela nossa terra. Semanalmente recebemos aqui no nosso café dezenas de pessoas de outras cidades, e o feedback é sempre positivo referente às belezas rurais da nossa cidade”, completa.
“Ilha de biodiversidade”
Administradora e proprietária da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Morro Sapucaia, Ana Maria Juliano, destaca que o espaço é uma espécie de “ilha de biodiversidade”, que faz conexão com os demais morros existentes na Zona Rural sapucaiense. Segundo ela, o plano de manejo da reserva apontou uma série de animais que vivem no local como gato-do-mato, gato mourisco, graxaim, mão-pelada, tamanduá-mirim, tatu, dentre outros.
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“Só da avifauna foram levantadas 210 espécies e muitas outras estão sendo mapeadas, incluindo as migratórias. Na flora foram encontradas 319 espécies pertencentes a 89 famílias de vegetação rupestre do topo do morro, de encosta, de campo e de floresta ombrófila densa (mata atlântica)”, conta.
Ana explica que em sua pesquisa de mestrado em Biologia da Conservação, foram estudadas espécies de quatro morros (Cabras e Sapucaia, em Sapucaia, Itacolomi, em Gravataí, e Vieira em Novo Hamburgo) totalizando 210 espécies e destes quatro morros, foram encontradas somente 16 espécies em comum. “O que evidencia o alto grau de riqueza florística de cada morro”, frisa.
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“A Zona Rural de Sapucaia é um vale entre morros. O Morro Sapucaia, também denominado Morro do Chapéu, e que integra a RPPN Fazenda Morro Sapucaia, que neste mês completa 23 anos de sua criação, é um dos mais antigos atrativos turísticos do município. Assim também o Morro das Cabras, que recentemente tem sido continuamente visitado. Desfrutar da paisagem do cimo destes morros e apreciar o pôr do sol são experiências únicas”, destaca.
Avanços numa localidade que ainda carece de melhorias
Aos 64 anos, Ana, que é filha do ex-prefeito da cidade Arno Juliano, lembra com carinho dos avanços já feitos na localidade nestas mais de seis décadas de emancipação. “Meu pai dizia que queria que Sapucaia crescesse como eu cresceria. Meus pais, Arno e Luiza Juliano, carregaram-me no colo na campanha de emancipação. E a Lei nº 4203 de 14 de novembro de 1961 foi assinada pelo governador Leonel de Moura Brizola, no dia do meu primeiro aniversário”, diz.
“Lembro que meu pai quando foi prefeito de Sapucaia, no período de 1964 a 1968, (seu segundo mandato) levou a energia elétrica à Zona Rural e construiu sua escola Adolfo Cassel. Atualmente, no sentido de dar à região rural um outro incentivo para desenvolvimento, vemos a pavimentação asfáltica da Avenida Justino Camboim, que facilitou o acesso à Zona Rural, embora não tenha se estendido até o limite com Gravataí”, cita.
Para ela, apesar dos avanços, obras e melhorias ainda precisam ser feitas. “A Zona Rural ainda necessita de obras de infraestrutura de acesso de várias vias para que possa conduzir os visitantes de São Leopoldo, já que a estrada Ivo Afonso Dias que liga a Avenida São Borja, em São Leopoldo, não é asfaltada e não possui largura adequada. Da mesma forma, o prolongamento da Avenida Justino Camboim até o Morro das Cabras, também não recebeu pavimentação asfáltica. Das carências podemos citar, ainda, a internet precária e as constantes interrupções de energia”, destaca