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ARTE E CULTURA

VÍDEO: Protagonistas que mantêm viva a cultura do circo mostram como novas gerações participam do show

Artistas circenses transformam arte e trabalho em uma grande família percorrendo cidades brasileiras

VÍDEO: Protagonistas que mantêm viva a cultura do circo mostram como novas gerações participam do show
Publicado em: 26/09/2025 às 07h:12
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Praticada há pelo menos 4 mil anos, a arte circense foi desenvolvida nos moldes atuais durante o Império Romano. As apresentações contavam com lutas de gladiadores, apresentações com animais e pessoas exibindo talentos pouco comuns.

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No Brasil, o circo está relacionado com comunidades ciganas, vivendo uma vida nômade com espetáculos espalhados pelo país, mudando de lugar conforme a presença de público. Atualmente, mesmo com infinitas possibilidades na internet, a arte segue fazendo sucesso e levando milhares de pessoas aos picadeiros.

Circo Fantasy - Vida de Circo  | abc+

“O circo é a mãe de todas as artes, que ainda sobrevive entre trancos e barrancos mesmo com todas as tecnologias oferecidas”, explica Roni Peterson, também conhecido como Palhaço Peteca.

Peterson reforça que o circo é capaz de criar memórias afetivas na cabeça das pessoas. “Ver um pai e uma mãe trazendo os filhos hoje para assistir ao espetáculo é muito satisfatório. Ele está fazendo isso muitas vezes pela memória que ficou da infância, de ter ido para o circo levado por alguém.”

Vida na estrada

Natural de Açailandia, no Maranhão, o artista vive na estrada, onde constituiu família. Ele conheceu a esposa, Rose Peterson, durante uma de suas viagens. “Estava passando por uma cidade, ela entrou para trabalhar e com o tempo fomos nos conhecendo e acabou que começamos a namorar.”

Desde o encontro por um acaso, o palhaço e a dançarina estão juntos há 25 anos. “O bom é que você trabalha, convive. Tem que ser amigo, companheiro, momentos de alegria, tristeza. A diferença é que estamos todos os dias, praticamente o tempo inteiro, juntos”, diz.

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Circo Fantasy - Família no Circo  | abc+

Questionado sobre as dificuldades em estar sempre na estrada, Peterson lembra do filme “O Palhaço”, estrelado e dirigido por Selton Mello e que tem Paulo José no elenco. “Tem muitas semelhanças com a realidade. Como os momentos de chegar na cidade, a dificuldade em montar o circo, as burocracias com prefeituras.”

A questão da renda e a importância do público é igualmente destacada, já que os artistas dependem exclusivamente desta atividade. “Precisamos da casa [circo] cheia, ter esse movimento é que faz o circo sobreviver.”

Família reunida

E Peterson não tem apenas a esposa no circo. A filha é contorcionista e a irmã, Rosane Sousa, se apresenta nas alturas, com tecidos. “Comecei em uma trupe com meus irmãos e depois fui experimentando novas atividades no picadeiro.”

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Rosane nasceu em Águia Branca, no Piauí, e sempre esteve envolvida com a arte. “Nasci no circo. Sou de uma família de sete irmãos, cinco mulheres e dois homens. Comecei a trabalhar com 7 anos, entrei como ajudante e depois fui recebendo outras oportunidades. Hoje sou casada [o marido é malabarista e participa do Globo da Morte] e temos uma filha, também criada no circo.”

Circo Fantasy - Vida de Circo  | abc+

A rotina fora do picadeiro é considerada comum. “A gente cuida do trailer, da filha, faz almoço. Depois já se prepara para o espetáculo, faço a maquiagem. No meio disso preciso trocar fralda”, brinca.

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Os treinamentos também são pesados e por ser uma atividade que envolve a parte física, lesões são consideradas comuns. “Agora mesmo, estou com uma lesão muscular, então tenho descansado mais entre um espetáculo e outro”, completa.

Circo Fantasy - Família no Circo  | abc+

Palhaço: o desafio de fazer rir e não chorar

Um dos personagens mais clássicos do picadeiro, o palhaço foi ganhando espaço nos shows até se tornar o protagonista. Apesar disso, Roni Peterson, ou Peteca, diz que a tarefa de fazer rir nem sempre é fácil.

“Às vezes a maior dificuldade está no dia a dia. Estamos cansados, com problemas na cabeça. Mas, quando chegamos ali, no momento que começamos a nos vestir e maquiar, tento tirar todo o estresse do dia para tentar entrar leve no picadeiro. “

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Circo Fantasy - Vida de Circo  | abc+

Há também a dificuldade em lidar com alguns traumas, tanto de crianças quanto de alguns adultos. “Algumas crianças já vem para o circo com aquele sentimento de medo.” Para evitar esse clima, Peterson tenta criar o personagem com leveza.

“Que eu possa quebrar esse gelo. Até de adultos, que tem esse medo guardado. Hoje consigo fazer isso, interagir e devagar ir passando a alegria para todo mundo”, finaliza.

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Visitas inéditas e nostalgia

Moradoras do bairro São Jorge, Joice da Silva, 27 anos e a esposa, Anabele Souza dos Santos, 45, foram com a família pela primeira vez ao Fantasy. “Ficamos sabendo pelos carros que estão passando nas ruas, então resolvemos trazer a família para aproveitar.”

O casal Felipe Pizzatto, 29, e Amanda Neuhof, 27, resolveram apresentar o espetáculo ao filho Henrique, 4 anos. “Temos uma nostalgia por ser do nosso tempo, então resolvemos trazer ele”, explica Pizzatto.

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O grupo formado pelos casais Gustavo Dias, 19, Larissa Mota, 17, Maicon Frohrich, 27 e Franciele Dias, 24, também foi contagiado pelo sentimento de nostalgia. “Quero saber como a minha filha vai reagir às atrações”, afirma Maicon, se referindo a pequena Lorena, 3 anos.

Também pretende saber como será a própria sensação ao pisar em um picadeiro depois de tanto tempo. “Vai ser uma emoção diferente”, completa, deixando claro que o circo permanece vivo em suas lembranças. 

Assista ao vídeo: 

Circo continua encantando gerações de jovens e adultos no Estado

O Circo Fantasy está instalado na Avenida das Nações, ao lado do Bourbon Shopping. As apresentações ocorrem de segunda a sexta-feira às 20h30. Sábados, domingos e feriados com três sessões diárias, às 16h, 18h e 20h30. 

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