Um homem, de 40 anos, foi levado ao pronto-socorro pela família com dores e náuseas. Já no local, ele confessou ter passado duas semanas comendo papel. Mais tarde, o engenheiro civil foi diagnosticado com a Síndrome de Pica, também chamada de alotriofagia.

Foto: Freepik
Estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo sejam afetadas por algum transtorno alimentar, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Bulimia, anorexia, compulsão alimentar são alguns deles, assim como a Pica.
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Como a Síndrome de Pica é diagnosticada
Conforme o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), uma característica essencial para o diagnóstico é comer uma ou mais substâncias não nutritivas e não alimentares, de maneira persistente. O consumo dessas coisas, que não são comestíveis, é tão severo que leva a pessoa a precisar de ajuda médica e hospitalar.
O consumo de objetos não deve fazer parte de uma prática culturalmente aceita e, geralmente, a pessoa deve ter passado dos 2 anos, quando está em fase de exploração de objetos com a boca e é normal acabar engolindo coisas sem querer.
O comportamento também pode estar associado a outros transtornos mentais, como deficiência intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA), entre outros. Nesse caso, o diagnóstico só não pode ser feito caso esteja apenas atrelado ao transtorno.
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“Desejo quase incontrolável de consumir papel”
O engenheiro civil chegou ao hospital desorientado e agitado, com dores intensas na região abdominal, além de náuseas e diarreia. Os exames mostraram que ele tinha uma quantidade elevada de chumbo no sangue.
Enquanto estava internado para observação e para que os tratamentos fossem feitos, ele confessou que tinha um “desejo quase incontrolável de consumir papel”, conforme descreveram os médicos no estudo do caso.
O homem contou ter comprado vários blocos de notas, que comeu no dia em que foi internado, após passar duas semanas com sintomas. “Diagnosticado com ansiedade seis meses atrás, ele não continuou o acompanhamento psiquiátrico”, explicaram os médicos no estudo, publicado no Brazilian Journal of Health Review, em 2023.
Ao ser encaminhado para avaliação de um psiquiatra especializado em transtornos alimentares, o homem foi diagnosticado com Síndrome de Pica.
Terra, talco e até metal
O papel é apenas um dos objetos que são comumente ingeridos por quem sofre com a Síndrome de Pica. Eles tendem a variar de acordo com a idade da pessoa e até da disponibilidade. Segundo o DSM-5, os mais comuns são:
- Sabão
- Tecido
- Cabelo
- Terra
- Fios
- Giz
- Tecido
- Talco
- Tinta
- Cola
- Metal
- Pedras
- Carvão vegetal ou mineral
- Detergente
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Onde procurar ajuda
Os transtornos alimentares são sérios e podem afetar a saúde física. O tratamento é multidisciplinar e feito já na atenção primária, com o alerta para os problemas que comer objetos pode causar, entre outras formas de prevenção. A psicoterapia também deve ser começada o mais rápido possível, indicam os médicos no estudo.
Também é indicado pela American Psychiatric Association (APA) que a pessoa seja testada para deficiências nutricionais.
O Sistema Único de Saúde (SUS) possui atendimento para pessoas que estejam passando por sofrimento psíquico, pela Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e no Centro de Atenção Psicossocial (Caps). O Ministério da Saúde explica que, para ter acesso a eles, é preciso passar pela Atenção Primária à Saúde, como na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
As informações veiculadas nesta matéria são apenas para fins de educação. Em caso de sintomas, ou de dúvidas, um profissional de saúde deve ser consultado.
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