A cera de ouvido é mais valiosa do que a ciência previamente pensava. Cientistas de uma universidade federal brasileira descobriram que ela pode ajudar a detectar se uma pessoa tem câncer.
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Foto: Freepik
José Luiz Spigolon, que se curou de um câncer na próstata em 2012, se voluntariou à pesquisa em 2019. No teste com a cera de ouvido, foram descobertas células cancerígenas.
“Para a minha surpresa, o meu deu positivo. Aí foi um impacto”, disse Spigolon ao Jornal Nacional, programa da TV Globo. Posteriormente, um exame de imagem confirmou que ele estava com câncer na região pélvica.
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A pesquisa, que acontece há mais de 10 anos, é desenvolvida pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com o Hospital Amaral Carvalho, no interior de São Paulo. O local é especializado no tratamento oncológico.
“Ela é uma pepita de ouro que está trazendo informações do corpo humano para nós”, disse a médica otorrinolaringologista Camila Oliveira.
Oliveira explicou ainda que ela está em um lugar “relativamente protegido” de influências e contaminações externas. “E é de fácil coleta”, disse.
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O professor da UFG e coordenador da pesquisa, Nelson Antoniosi Filho, afirmou que a cera de ouvido é “uma impressão digital da nossa condição de saúde”. E tudo tem a ver com a composição química dela.
Caso o organismo esteja saudável, essa composição será uma. No entanto, se houver mudanças que possam causar uma doença, ela se altera.
Ao todo, foram coletadas amostras de 751 voluntários. Deles, 220 não tinham sido diagnosticados anteriormente. Os pesquisadores identificaram substâncias atípicas na cera de ouvido, que poderiam ser indícios de câncer, em cinco deles.
Já os outros 531 voluntários já estavam em tratamento oncológico e o câncer foi identificado em todos os testes da cera de ouvido.
Após descobrir o câncer, José Luiz Spigolon fez 36 sessões de radioterapia. A cera de ouvido do voluntário passou por novos testes, que apontaram que a doença estava em remissão. Atualmente, ele está curado.
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A importância do diagnóstico precoce
Diagnosticar o câncer em estágio inicial faz com que o tratamento seja mais eficiente, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso também possibilidade que ele seja mais simples e com menos efeitos colaterais.
“Assim, é importante que a população em geral e os profissionais de saúde reconheçam os sinais de alerta dos cânceres mais comuns, passíveis de melhor prognóstico se descobertos no início”, afirma o Ministério da Saúde.