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OBESIDADE

60% dos adultos estão obesos nesta cidade da região; veja lista com percentual de outros municípios

Dados sobre obesidade da população mostram situação preocupante e crescimento do risco de doenças crônicas

Débora Ertel
Publicado em: 13/05/2026 às 15h:02 Última atualização: 13/05/2026 às 16h:00
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Descasque mais, desembale menos. Com mais de 60% da população brasileira acima do peso e um crescimento no número de diabéticos adultos de 135% entre 2006 e 2024, mais do que nunca a base de uma alimentação saudável se faz urgente.

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Os dados integram a pesquisa do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2024, divulgada pelo Ministério da Saúde, chamando atenção novamente para o cuidado com a saúde.

Em Riozinho, 60% dos adultos estão obesos, conforme levantamento | abc+



Em Riozinho, 60% dos adultos estão obesos, conforme levantamento

Foto: Freepik

Os números vêm ao encontro do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), confirmando que o brasileiro não está em paz com a balança.

Em Lupércio (SP), 66,67% da população adulta é obesa, o percentual mais alto do Brasil. Dentre as dez cidades com maiores, três são gaúchas, sendo uma delas Riozinho, com 5 mil habitantes, localizada no Vale do Paranhana.

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Nas demais, outras duas ficam em São Paulo, duas no Paraná, uma na Paraíba e uma em Santa Catarina. No caso de Riozinho, 60% dos adultos estão obesos, conforme o levantamento.

Percentual de população adulta obesa em outras cidades da região:

  • Novo Hamburgo: 34,5%
  • São Leopoldo: 37,1%
  • Canoas, 38,4%

*Dados do Sisvan

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Já quando são analisados os índices de obesidade e sobrepeso dessas três cidades, das pessoas que procuraram a rede pública de atendimento em 2025, sete em cada dez estavam acima do peso ideal.

Além do crescimento de diabetes, hipertensão, obesidade e excesso de peso, há mudanças no comportamento. Se em 2019, a Vigitel indicou que 17% dos adultos faziam atividade física entre seus deslocamentos, em 2024 o percentual caiu para 11,3%.

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Pela primeira vez, o Vigitel trouxe dados sobre sono. Um quinto da população adulta dorme menos que seis horas por noite e 31,7% sofre com sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres.

Para a coordenadora do Curso de Nutrição da Universidade Feevale, Caroline Sica, essa situação reflete a necessidade de uma mudança cultural e da efetivação de políticas públicas.

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“A obesidade é multifatorial. Então não adianta eu ter uma alimentação extremamente saudável, mas ser inativa fisicamente, ter uma saúde mental completamente prejudicada, ter um sono completamente inadequado. Eu vou continuar sendo obesa”, pondera.

Como a pesquisa é feita por telefone, a partir da percepção do entrevistado, ouvindo uma fatia da população das capitais, a especialista acredita que cenário real seja ainda mais preocupante.

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Isso porque as informações que preenchem a pesquisa partem de uma autoavaliação da pessoa e não do diagnóstico clínico feito por um profissional da saúde.

Além disso, os dados individuais dos municípios, na avaliação da profissional são fragilizados por uma série de fatores que envolvem as dinâmicas de atendimento na rede de saúde.

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Atenção às políticas públicas

Segundo a representante da Feevale, apesar da gravidade, a maioria das pessoas não entende a obesidade como um problema de saúde.

“Mas a obesidade é a porta de entrada para várias outras doenças crônicas não transmissíveis”, alerta. Por isso, ela defende a implementação de políticas públicas adequadas, onde a população receba orientações adequadas e possa fazer escolhas conscientes de acordo com cada realidade.

A oferta de exercícios físicos e locais adequados para as práticas também é uma necessidade apontada por Caroline. “A população que está fora da escola, dos 18 aos 59 anos, não tem esse olhar para a questão de saúde física. Porque não tem ninguém para nortear”, comenta.

“Então fica como mais uma sobrecarga dos profissionais, dos nutres, médicos, enfermeiros”, complementa. Ela ainda chama atenção para a rede de atendimento em saúde mental que também precisa de mais investimentos.

“Se a gente parar para pensar hoje na nossa população, é uma população doente mentalmente. Completamente sedentária, uma população completamente com hábitos de sono errados e uma alimentação inadequada”, analisa.

Desde 2024, Campo Bom desenvolve o Projeto Leve a Vida, com a proposta de ofertar acompanhamento e tratamento a pacientes adultos com sobrepeso, obesidade grau I e obesidade grau II. O projeto surgiu a partir da preocupação com o excesso de peso na população.

Segundo o Sisvan, a cidade tem 35,8% dos moradores adultos com obesidade. Nos dois primeiros anos de execução do projeto, 40 pacientes participaram.

Por meio do projeto, conforme a prefeitura, é possível identificar melhorias necessárias e fortalecer estratégias de promoção da saúde e prevenção das doenças crônicas no município. Em 2026, ainda não foram abertas turmas novas da atividade.

Caroline destaca que a proposta de Campo Bom é excelente e poderia ser replicada em outras cidades. No entanto, comenta que são poucos moradores atendidos.

Comer bem custa caro?

Um dos mitos que ainda tem força entre a população é que comer bem, ou seja, ter uma alimentação saudável, pesa no bolso. Para Caroline, é preciso desconstruir essa ideia.

“Muitas vezes, uma garrafa de refrigerante custa mais que frutas da estação, que renderiam litros de suco natural”, pontua.

O problema, segundo a especialista, é que os alimentos ultraprocessados são mais “palatáveis” e oferecem saciedade imediata devido ao alto teor de gordura, sal e açúcar, tornando-se escolhas culturais enraizadas.

“O nosso lixo deveria ser muito mais casca do que plástico. Descasque mais e desembale menos: esse é o lema”, conclui.

Novo Hamburgo

A Prefeitura informa que uma das metas do Plano Municipal de Saúde é reduzir a prevalência de excesso de peso na população adulta.

“Em 2025, dados da Atenção Primária à Saúde apontam que 75,61% dos adultos avaliados apresentaram excesso de peso, o que significa que menos de 25% da população adulta avaliada está com peso adequado para sua estatura”, diz a nota.

Conforme o Município, esses dados reforçam a importância de ampliar ações de prevenção, promoção da saúde e acompanhamento multiprofissional para o controle da obesidade e de suas complicações.

Sobre o atendimento, a assessoria de imprensa informa que é realizado por meio de uma equipe multiprofissional, composta por médicos, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, que atuam de forma integrada.

São Leopoldo

Segundo a assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal da Saúde está promovendo um reordenamento da atenção nutricional dentro do município. A pasta conta com profissionais em diversos pontos da rede da atenção primária em saúde. Além disso, há profissionais na atenção especializada, em ambulatórios.

A Prefeitura informa que trabalha a intersetorialidade por meio de projetos articulados com outras secretarias, como por exemplo, o Programa Saúde na Escola, que tem como uma de suas diretrizes a prevenção à obesidade.

O Bolsa Família também possui entre suas condicionalidades o estado nutricional da população. São Leopoldo ainda cita o Programa Primeira Infância Melhor (Pim), que busca a introdução alimentar adequada e a amamentação, além da participação no Conselho Municipal de Segurança Alimentar Nutricional e da Câmara Intersecretarias de Segurança Alimentar Nutricional, que pensa não só em obesidade, mas o combate à fome.

“O município também está inserido em programas ministeriais que adquire produtos da agricultura familiar, priorizando alimentos saudáveis”, finaliza a nota.

Saiba mais

O Vigitel apontou que a proporção de adultos que realizam atividade física moderada no tempo livre aumentou para 42,3%.

A pesquisa também avaliou o consumo regular de frutas e hortaliças, que permaneceu estável, em torno de 31% da população.

Conforme o Ministério da Saúde, serão investidos R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física, com destaque para a retomada da Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026.

Colaborou: Dário Gonçalves

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