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SAÚDE

Quando a bariátrica é a melhor alternativa? Entenda para quem é indicada e conheça histórias de vidas transformadas pela cirurgia

Obesidade atinge um terço da população brasileira e é uma das doenças que mais cresce no País

Publicado em: 10/09/2025 às 14h:17 Última atualização: 10/09/2025 às 14h:26
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Para quem olha de fora, pode parecer uma decisão estética. Porém, a cirurgia bariátrica também significa mais saúde e qualidade de vida. E não é para menos, pois a procura só cresce no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) mostram que mais de 50 mil pessoas fizeram o procedimento em 2024 no País. Na soma dos últimos cinco anos, entre 2020 e 2024, o número passa de 290 mil.

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Paralelamente, a obesidade é uma das doenças que mais cresce no Brasil. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 (World Obesity Atlas 2024), apontam que 31% da população está com algum nível de obesidade. De acordo com o Atlas, mais de 60 mil mortes prematuras podem ocorrer no País devido a doencas cronicas relacionadas ao sobrepeso, como diabetes tipo 2 e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

A bariátrica é indicada quando a “obesidade já está causando danos aos órgãos internos, como: fígado, coração, pâncreas, pulmão, entre outros”, como explica o Dr. Manoel Trindade, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Chefe do Grupo de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. “Se torna a melhor alternativa quando todas as medidas como dieta, atividade física, mudança de estilo de vida, não funcionaram no controle do peso”, destaca o cirurgião.Conforme ele, os riscos de complicações são baixos.

A obesidade é dividida em três graus de gravidade:

  • grau 1 (moderado, excesso de peso), quando o IMC se situa entre 30 e 34,9;
  • grau 2 (obesidade leve ou moderada), com IMC entre 35 e 39,9 e,
  • grau 3 (obesidade mórbida), na qual o IMC ultrapassa 40.

Quando associado a outras comorbidades, o sobrepeso traz riscos e, por conta disso, os médicos costumam recomendar o procedimento. Trindade enfatiza que entre os benefícios da bariátrica estão o “controle da hipertensão arterial, cura da apneia do sono, controle da diabete tipo 2, cura da esteatose hepática (gordura no fígado), diminuição da incidência de vários tipos de câncer”.

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Em alguns casos, até adolescentes podem ser beneficiados. O Conselho Federal de Medicina permite que pacientes com 14 anos ou mais, em casos de obesidade grave (IMC maior que 40), possam fazer a cirurgia. O procedimento pode ser realizado até os 70 anos.

Vidas transformadas

Bruna | abc+



Bruna

Foto: Arquivo Pessoal

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A moradora de Cachoeirinha Bruna Pires da Silva, 31 anos, é um exemplo de quem viu sua vida mudar após fazer o procedimento. Realizada em julho de 2021, a cirurgia foi uma decisão tomada em conjunto com seu médico, após “tentar várias dietas sem alcançar o resultado que precisava”.

Os 35 quilos perdidos se transformaram em mais qualidade de vida. Antes, ela lembra que tinha dificuldade em praticar atividades físicas. “Hoje treino com muito mais frequência, me sinto mais disposta e percebo os resultados com muito mais facilidade”, afirma.

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Para Bruna, a melhor parte foi a melhora na autoestima. “Consigo me olhar, usar roupas que antes não usava e me sentir bonita. Muitas pessoas acreditam que estar acima do peso é apenas uma escolha, mas a obesidade é uma doença.”

Carolina dos Santos Romero | abc+



Carolina dos Santos Romero

Foto: Arquivo pessoal

Já para Carolina dos Santos Romero, 43 anos, o principal benefício do procedimento, feito em 2018, é a saúde. A moradora de Porto Alegre relata que chegou a pesar 130 kg e atualmente está com 68 kg.

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“Mesmo quando obesa praticava ciclismo e não emagrecia. Com a eliminação dos quilos extras ficou muito mais fácil percorrer longas distâncias. Vejo o resultado da bariátrica no caso da autoestima como com plus”, declara.

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Qual o maior desafio após a bariátrica?

Tanto para Bruna quanto para Carolina, o único desafio trazido pela bariátrica foi a Síndrome de Dumping. “Basicamente, é quando os alimentos passam rápido demais do estômago para o intestino, o que prejudica a digestão e pode causar tontura, fraqueza, náusea e diarreia, principalmente após ingerir açúcar ou gordura”, explica Bruna.

Essa complicação é frequente em pacientes submetidos à bariátrica, principalmente quando é utilizado o método bypass gástrico, e é ainda mais comum entre as mulheres, segundo um estudo feito pelas Universidades de Sergipe e Tocantins, publicado em 2024. Para a melhora da qualidade de vida, principalmente de quem vive com a Síndrome de Dumping, é importante que o acompanhamento continue no pós-operatório.

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O método Bypass é quando o estômago é reduzido com cortes ou grampos, e “é feita uma pequena bolsa gástrica com desvio para o intestino”, segundo o Dr. Manoel Trindade. Existe também a cirurgia bariátrica por Sleeve, que acontece quando do estômago é retirado, “sem alterar o intestino”.

Segundo Carolina, após a bariátrica a pessoa precisa adotar uma nova maneira de se alimentar. “Como e bebo de tudo de 2 em 2 horas, sem nenhuma restrição. O segredo é comer sempre, mas pouco. Tomo meu café da manhã cedo, depois uma banana com café preto, bolacha…”, conta.

Para o cirurgião do HCPA, os principais cuidados estão em manter um estilo de vida adequado, sem excessos alimentares, com acompanhamento de nutricionista e atividade física constante. Recomenda-se, ainda, que sejam feitos exames periódicos para verificar níveis de vitaminas adequadas, complementando quando necessário. “Desta forma o controle de peso é duradouro, melhorando a qualidade de vida e evitando danos da obesidade nos órgãos do corpo humano.”

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Bariátrica x Ozempic

Os medicamentos contra a obesidade estão cada vez mais fortes no mundo e no Brasil. No início de setembro de 2025, o grupo de remédios agonistas do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) entraram para a Lista Modelo de Medicamentos Essenciais (EML) da Organização Mundial da Saúde (OMS), tanto para o emagrecimento quanto para o controle da diabetes tipo 2.

O agonista do GLP-1 mais famoso é a semaglutida, vendida sob os rótulos famosos da Ozempic e da Wegovy. Além de agir no metabolismo e controle da glicose, ele ajuda na perda de peso, pois induz a saciedade e reduz o apetite, conforme o Relatório para a Sociedade do Ministério da Saúde, publicado neste ano.

LEIA TAMBÉM: Elimine a gordura no fígado: 5 hábitos recomendados pelos médicos para evitar e controlar a esteatose hepática 

Apesar dos resultados contra a obesidade serem notáveis, o tratamento deve ser continuado pelo resto da vida, conforme a SBCBM. E por ser um medicamento caro, a OMS lembra que o acesso da população aos agonistas do GLP-1 é limitado. Conforme estimativas da associação, a despesa com os remédios pode passar dos R$ 45 mil ao longo de um ano.

Para que o acesso aos medicamentos, como a semaglutida, se torne mais amplo, a recomendação da OMS é que haja o incentivo à concorrência de genéricos e que os remédios sejam disponibilizados na atenção primária à saúde.

No final de 2024, a primeira caneta emagrecedora foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Batizado de Olire, o remédio irá usar a liragutida, outro agonista do GLP-1. A estimativa é que ele chegue ao mercado em 2026, custando cerca de R$ 340. Apesar de sair mais barato que os mais de R$ 1 mil das marcas importadas, ainda pode pesar no bolso da população.

Por outro lado, a cirurgia bariátrica não auxilia na perda de peso apenas após o procedimento. Estudos apontam que ela pode promover a perda, em média, de 30% do peso por até 10 anos. O procedimento, que pode ser feito de forma particular ou através dos planos de saúde, está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“O SUS tem hospitais com programas especializados em cirurgia bariátrica, como é o caso do Hospital de Clínicas de Porto Alegre”, reitera o Dr. Manoel Trindade. Segundo ele, caso a pessoa opte por fazer o procedimento de maneira particular ou pelos planos de saúde, pode custar entre R$ 30 e R$ 40 mil.

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