O avanço da crise climática e a densidade urbana têm trazido à tona uma vulnerabilidade na infraestrutura de saneamento: a incapacidade dos sistemas convencionais em lidar com poluentes emergentes. O alerta parte da academia, onde pesquisas indicam que a água que chega às torneiras, embora dentro dos padrões vigentes, carrega traços de substâncias que o processo atual de tratamento não consegue eliminar.

Foto: Reprodução
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De acordo com o Professor Marco Antônio Siqueira, do curso de Engenharia Química da Universidade Feevale, o modelo de tratamento utilizado pela maioria das companhias de saneamento no Brasil está defasado frente aos novos desafios químicos.
O professor destaca que o problema é acentuado pela ausência de marcos regulatórios. “Hoje, as legislações de potabilidade não obrigam o monitoramento de resíduos de medicamentos ou desreguladores, criando um vácuo de informação sobre o real impacto desses elementos no organismo humano a longo prazo,” explica Siqueira.
Economia circular como solução
Diante desse cenário, o grupo de pesquisa da Feevale, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), propõe uma mudança de paradigma: a Economia Circular aplicada ao saneamento. Em vez de apenas descartar o efluente tratado, a proposta é transformar as estações em unidades de recuperação de recursos.
– Recuperação de nutrientes: Extração de fósforo e nitrogênio para fabricação de fertilizantes.
– Reuso industrial: Descontaminação avançada para que a água retorne ao setor produtivo, preservando fontes de água potável para o consumo humano.
– Barreiras jurídicas: O pesquisador aponta que o Brasil ainda carece de permissões legais para o reuso potável direto, prática já consolidada em regiões de escassez hídrica extrema, como a Califórnia (EUA).
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Para o professor, a solução para a crise sanitária iminente depende da quebra de burocracias entre o setor público e as universidades. “Precisamos de agilidade para acessar materiais de pesquisa e testar soluções em escala real”, afirma. A integração entre ciência e gestão pública é vista como o único caminho para modernizar o sistema antes que a escassez e a contaminação tornem o custo do tratamento inviável.
Campanha “ME POUPE!”
Uma iniciativa do Grupo Sinos, em parceria com o Serviço Municipal de Água e Esgoto de São Leopoldo (Semae), que busca incentivar o consumo consciente da água, com conteúdos informativos e dinâmicos.
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