O longa O Exorcista (1973) aterrorizou milhares de telespectadores ao redor do mundo nos anos 1970 e mudou a história do cinema, principalmente quando se trata do gênero terror. O que poucos sabem é que a história é baseada em um caso real, que não só inspirou o filme como continua a aterrorizar o mundo: a possessão de Roland Doe.

Foto: IMDB/Reprodução
Era janeiro de 1949, quando um garoto de 13 anos começou a ter experiências estranhas – diferente do que é retratado em O Exorcista (1973), onde tudo aconteceu com uma menina de 12 anos.
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Caso real por trás de O Exorcista
Chamado por anos de Roland Doe ou Robbie Mannheim, o adolescente começou a ouvir sons estranhos dentro das paredes, como se unhas estivessem arranhando a madeira, assim como o chão do quarto. Ele também começou a escutar a torneira pingando devagar e a ver o colchão, assim como outros objetos, se mexendo sozinhos.
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Pouco mais de um mês depois, os arranhões, antes presos dentro das paredes, começaram a aparecer no corpo do adolescente. Em mais quatro dias, palavras estavam sendo escritas e marcadas na pele de Roland.
O desespero tomava conta da família a cada dia que passava. Eles se preocupavam, principalmente, com a possibilidade de Roland estar sendo perseguido pelo espírito de uma tia, que havia falecido recentemente.
Foi ela também que apresentou o menino a um objeto considerado amaldiçoado por muitos religiosos e supersticiosos: o tabuleiro Ouija.
Antes de possessão, psiquiatras
Tudo isso começou em Maryland e terminou no subúrbio de Saint Louis, nos Estados Unidos. Apesar de hoje ser conhecido como um dos casos de possessão mais famosos do mundo, a igreja não foi a primeira opção da família. Antes, eles visitaram inúmeros médicos e psiquiatras, até procurarem o ministro da igreja luterana a qual frequentavam.
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Muito interessado nos assuntos do “sobrenatural”, o reverendo Miles Schulze aconselhou a família do menino a procurar um padre católico. Foi assim que a família chegou até o padre E. Albert Hughes, que apenas deu uma garrafa de água benta e mandou que eles voltassem para casa e esperassem.
Mas o padre não havia desistido de ajudar a família. Ele pediu ao arcebispo de Washington para fazer um exorcismo em Roland. Antes de ter o pedido aceito, o garoto passou pela primeira tentativa enquanto estava hospitalizado. Mas não foi o suficiente.
Marcas continuavam a aparecer no corpo do jovem e a família começou a se perguntar se uma mudança não faria bem. Foi quando a palavra “LOUIS” surgiu na pele de Roland, vista como um “sinal” de que eles deveriam ir até a cidade.
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Em St. Louis
Junto com a mãe, o menino chegou em março em St. Louis, onde ficou na casa de parentes. Isso não impediu que os arranhões parassem e várias pessoas testemunharam os momentos em que o colchão de Roland se moveu de forma violenta.
Um dos parentes de Roland estudava na Universidade de Saint Louis e era aluno do padre Raymond Bishop, que mais tarde detalhou o exorcismo e a possessão do jovem em um diário, usado de inspiração para a criação do livro que, em 1973, deu origem ao O Exorcista (1973).
O padre falou com outros dois religiosos que concordaram: Roland deveria ser exorcizado. Em 16 março de 1943, o ritual começou. Mais de um mês depois ele chegou ao fim.
Durante esse período, o adolescente foi enviado para um hospital, de volta para a casa dos parentes, uma casa paroquial onde foi batizado e catequizado, voltou para Washington e então para St. Louis, direto para outro hospital.
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Possessão que inspirou o filme
A possessão de Roland virou uma nota no jornal The Washington Post em agosto daquele ano, com o título: “Padre liberta menino de Mt. Rainier que supostamente estava sob o domínio do Diabo”.
Anos mais tarde, o autor William Peter Blatty citou o artigo como uma das inspirações para a criação do livro O Exorcista, publicado em 1971. Foi com base nessa obra que o diretor x criou um longa que mudou a história do horror no cinema, lançando O Exorcista (1973).
Em 1993, a história “completa” da possessão real veio à tona no lançamento do livro Possessed.