O Museu Nacional, o museu mais antigo do Brasil, ficou de portas fechadas por tempo indeterminado em 2015, devido à ausência de recursos para pagar serviços básicos como limpeza e vigilância.
Vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e localizado na Quinta da Boa Vista, na capital carioca, o museu foi inaugurado em junho de 1818, por iniciativa de Dom João VI. Com quase dois séculos de existência, é reconhecido como o maior museu de história natural da América Latina e um dos principais centros de ciência do país.
O motivo do fechamento
O encerramento das visitas foi comunicado pelo próprio site do museu, que atribuiu a suspensão a problemas nos contratos de vigilância e limpeza. Na prática, a UFRJ não havia recebido os repasses federais necessários para manter esses serviços em funcionamento.
A direção do museu se manifestou publicamente, apontando a política de contenção de gastos do Governo Federal como responsável pela situação. O posicionamento citou o corte de repasses como um descumprimento dos compromissos com a universidade e com o patrimônio científico e cultural que o museu representa.
Um acervo sem paralelo
O Museu Nacional abriga um dos acervos científicos e históricos mais relevantes das Américas. São dezenas de milhões de itens catalogados, entre fósseis, meteoritos, múmias egípcias, espécimes biológicos, artefatos indígenas e registros arqueológicos.
Parte desse acervo remonta ao período colonial e imperial brasileiro. Muitas das peças são únicas no mundo e foram reunidas ao longo de gerações por pesquisadores e naturalistas que passaram pela instituição.
O desfecho trágico de 2018
O fechamento de 2015 já era um sinal do descuido com o patrimônio público. Três anos depois, em setembro de 2018, o Museu Nacional foi destruído por um incêndio de grandes proporções. O fogo começou à noite e consumiu a maior parte do palácio que abrigava a instituição.
O incidente destruiu a maior parte do acervo, estimado em mais de 20 milhões de itens. Peças insubstituíveis foram perdidas para sempre, incluindo o fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas, a Luzia.
Reconstrução em andamento
Após o incêndio, iniciou-se um longo processo de reconstrução e recuperação do que restou. A UFRJ, com apoio de parcerias nacionais e internacionais, trabalhou para reerguer a estrutura física e resgatar itens que sobreviveram ao fogo.
Parte do acervo digital e de coleções preservadas em outros locais também foi incorporada ao esforço de reconstituição do museu.




