Aquele triângulo com um número dentro, presente na parte inferior de quase toda embalagem plástica, não é só um detalhe de design. Ele indica o tipo de resina usada na fabricação do produto, o que determina tanto a forma correta de descarte quanto se o material pode ou não ser reciclado.
O erro mais comum é achar que o símbolo em si confirma que a embalagem é reciclável. Mas acontece que não é bem assim. O triângulo identifica o tipo de plástico. Se ele é aceito ou não pelos centros de reciclagem depende da infraestrutura disponível na região e do tipo específico de resina indicado pelo número.
O que cada número representa
O número 1 identifica o polietileno tereftalato (PET), um dos plásticos mais utilizados e também um dos mais reciclados. É encontrado em garrafas de bebidas, embalagens de produtos de limpeza e itens de decoração. Após o processo de reciclagem, pode-se transformar em fibras para edredons, vassouras, tapetes e até novas embalagens.
O número 2 corresponde ao polietileno de alta densidade (PEAD), um plástico resistente, leve e impermeável. Aparece em caixas de leite plásticas, frascos de xampu, embalagens de detergente e tampas. Após reciclado, vira sacolas plásticas e recipientes de uso não alimentício.
O número 3 é o cloreto de polivinil (PVC). Mais rígido e usado principalmente na construção civil, em tubulações, calhas e encapamentos de fios elétricos. Sua reciclagem existe, mas é menos comum em centros domésticos.
O número 4 indica o polietileno de baixa densidade (PEBD), o polímero mais consumido no Brasil. Está presente em sacolas de supermercado, plástico filme e bolsas de soro. Pode ser reciclado em sacos de lixo e tubulações para irrigação.
O número 5 é o polipropileno (PP). Aparece em potes de margarina, copos descartáveis, tampas de refrigerante, seringas e utensílios domésticos. Uma característica curiosa desse material é o chamado efeito dobradiça, que permite dobras no próprio plástico sem que ele quebre.
O número 6 identifica o poliestireno (PS), mais conhecido na forma de isopor. É leve, barato e amplamente usado em copos descartáveis, bandejas e caixas de ovos. Atenção: quando aquecido, esse material pode liberar substâncias prejudiciais à saúde, por isso não é indicado para alimentos quentes.
O número 7 agrupa tudo que não se encaixa nas categorias anteriores, incluindo policarbonato, ABS e acrílicos. Esses materiais são raramente aceitos nos pontos de coleta convencionais e precisam de formas alternativas de descarte, como o coprocessamento industrial.
O que não entra na reciclagem convencional
Nem todo plástico pode ser reciclado nos centros comuns. Embalagens contaminadas com gordura, invólucros de produtos tóxicos, espuma, celofane, fraldas descartáveis e embalagens metalizadas dificultam ou inviabilizam o processo. O ideal é sempre verificar os pontos de coleta específicos disponíveis na região antes de descartar esses materiais.




