Depois de protagonizar uma das maiores ascensões e quedas da história empresarial brasileira, Eike Batista voltou a chamar atenção do mercado com uma nova aposta de negócios. Desta vez, o empresário deixou de lado os setores que marcaram o auge do grupo EBX, como mineração e petróleo, para concentrar esforços em uma área que mistura biotecnologia, energia renovável e produção agrícola.
A estratégia gira em torno do chamado “ouro verde”, expressão utilizada para destacar o potencial econômico de uma nova geração de cana-de-açúcar geneticamente modificada. A expectativa é que essa tecnologia permita elevar significativamente a produção de etanol e biomassa no país, ampliando a eficiência do setor sucroenergético sem exigir uma expansão proporcional das áreas cultivadas.
A tecnologia que está no centro da nova aposta
O projeto não é uma invenção de Eike Batista. Ele foi iniciado por Sizuo Matsuoka e Luis Carlos Rubio, por meio da extinta Vignis. A tecnologia atua no desenvolvimento de variedades de cana que apresentam produtividade superior à observada nas plantações convencionais.
Segundo as informações divulgadas sobre a iniciativa, a tecnologia foi criada para produzir mais matéria-prima por hectare cultivado e oferecer maior resistência a fatores como estiagens e pragas agrícolas. O objetivo é aumentar a produção de etanol e biomassa sem depender exclusivamente da abertura de novas áreas agrícolas, uma questão cada vez mais relevante dentro das discussões sobre sustentabilidade e segurança energética.
Segundo informações veiculadas pelo MoneyTimes, a nova variedade da cana-de-açúcar possui um potencial de rendimento impressionante: gera até o triplo de etanol por hectare e multiplica a produção de biomassa por até 12 vezes em comparação ao cultivo tradicional.
Em entrevista ao portal, Batista revelou a expectativa de que a iniciativa passe a dar retorno financeiro em 2028. Além disso, projeta que, em duas décadas, a supercana ocupe ao menos 30% do território hoje destinado à cana comum. Caso essa transição ocorra em todo o país, as projeções do executivo apontam para uma safra nacional de dois bilhões de toneladas do vegetal.
A tentativa de aproveitar a transição energética
Um ponto importante é que o projeto surge em um momento de transformação global do setor energético. Diversos países vêm ampliando investimentos em combustíveis renováveis como forma de reduzir emissões de gases de efeito estufa e diminuir a dependência de combustíveis fósseis.
Nesse cenário, o etanol brasileiro aparece como uma alternativa estratégica. A avaliação dos envolvidos na iniciativa é que o aumento da produtividade da cana poderia fortalecer ainda mais a posição do Brasil dentro do mercado internacional de biocombustíveis.
Vale destacar que a aposta não se limita apenas à produção de combustível. A biomassa gerada pelo cultivo também pode ser utilizada para geração de energia elétrica e desenvolvimento de novos produtos industriais, ampliando as possibilidades de monetização do projeto.




