Quando se fala em florestas brasileiras, é normal que as pessoas pensem logo na Amazônia. No entanto, um dos patrimônios ambientais mais importantes do país está localizado a milhares de quilômetros dali, no sudoeste do Paraná. É nessa região que se encontra a maior reserva de araucárias do Brasil e uma das mais relevantes do mundo.
A área está localizada na Terra Indígena Mangueirinha, território que abrange os municípios de Mangueirinha, Chopinzinho e Coronel Vivida. Com aproximadamente 17 mil hectares, a reserva abriga um dos últimos grandes remanescentes preservados da Floresta com Araucárias, ecossistema que já ocupou extensas áreas da região Sul, mas que sofreu intensa redução ao longo do último século.
Por que a araucária é tão importante para o Brasil
A araucária (Araucaria angustifolia) é uma das árvores mais emblemáticas do país e símbolo oficial do Paraná. Sua presença moldou paisagens, influenciou a economia regional e contribuiu para a formação de diversos ecossistemas da Mata Atlântica.
Além disso, durante o século XX, ocorreu uma grande exploração de madeira na região, o que ajudou no desenvolvimento econômico do local, mas deteriorou um pouco a presença da espécie.
Uma área estratégica para a biodiversidade
A importância da reserva vai muito além da preservação de uma única espécie de árvore.
As florestas de araucárias funcionam como habitat para diversas espécies de aves, mamíferos, insetos e plantas. Além disso, produzem o pinhão, semente que serve de alimento para animais e também possui grande relevância cultural e econômica para as populações da região.
Esse funcionamento cria um efeito em cadeia. Quando uma floresta desse tipo é preservada, não apenas a araucária é protegida, mas todo o conjunto de organismos que depende dela para sobreviver.
Por isso, pesquisadores e órgãos ambientais consideram a Terra Indígena Mangueirinha uma área estratégica para a conservação da Mata Atlântica e da biodiversidade brasileira.
Como a área é organizada e quem protege a maior reserva de araucárias do país
A maior parte da área de preservação está concentrada no município de Mangueirinha, no sudoeste do Paraná. O território funciona como o núcleo central da reserva, a ponto de cerca de 25% de todo o município estar diretamente ligado à área protegida. Essa configuração ajuda a explicar por que a região se tornou um dos principais pontos de conservação da Floresta com Araucárias no país.
Outro elemento central é a presença das comunidades indígenas que vivem na região. Aproximadamente 780 famílias das etnias Kaingang e Guarani habitam a Terra Indígena Mangueirinha e desempenham um papel direto na preservação ambiental do território. Na prática, essa ocupação tradicional está associada à proteção de um dos últimos grandes remanescentes desse ecossistema em escala global, reduzindo pressões externas sobre a floresta.
Além da terra indígena, a região também é complementada por outra unidade de conservação importante. Trata-se da Reserva Biológica das Araucárias, uma área federal administrada pelo ICMBio que se estende por cerca de 14.929 hectares entre os municípios de Fernandes Pinheiro e Imbituva. Esse conjunto de áreas protegidas cria um corredor de preservação que amplia a relevância ambiental do sudoeste do Paraná.




