Abdelhak Nouri tinha 20 anos e estava prestes a viver a melhor fase da carreira quando tudo parou. Em 8 de julho de 2017, durante um amistoso de pré-temporada contra o Werder Bremen, na Áustria, o meia holandês do Ajax sofreu uma arritmia cardíaca em campo, desmaiou e nunca mais voltou a jogar futebol.
Hoje, aos 29 anos, Nouri vive afastado dos gramados com sequelas graves que limitam até sua comunicação com a família.
Uma das maiores promessas do futebol europeu
Nascido em 2 de abril de 1997, em Amsterdã, Nouri é filho de família marroquina e foi revelado pelas categorias de base do Ajax, um dos clubes mais tradicionais da Europa na formação de jovens talentos. Em 2014, antes mesmo de estrear como profissional, o jornal europeu The Guardian já o listava entre os 40 melhores jovens jogadores do mundo.
Sua estreia pelo time principal do Ajax aconteceu em setembro de 2016, numa partida da Copa da Holanda contra o Willem II. Nouri entrou em campo e marcou gol na goleada de 5 a 0. Ao fim da temporada 2016/17, recebeu o prêmio de Jogador da Temporada e foi promovido ao elenco principal do Ajax para o ano seguinte.
Quando tudo mudou
Durante o amistoso contra o Werder Bremen, Nouri caiu inanimado no gramado após sofrer uma arritmia cardíaca. Foi socorrido ainda em campo e transportado de helicóptero para um hospital em Innsbruck. Dois dias depois, o Ajax comunicou que “muitas partes do cérebro de Nouri não estavam funcionando” e que as chances de recuperação eram quase nulas.
Em agosto de 2018, o clube confirmou que ele havia saído do estado de coma. Porém, os danos cerebrais eram permanentes. Nouri permaneceu hospitalizado até março de 2020, quando a família anunciou que ele havia voltado à consciência e retornado para casa. No total, foram quase três anos sem qualquer forma de comunicação com o mundo ao redor.
Vida em casa
Desde então, Nouri vive com a família em uma residência adaptada para recebê-lo. A principal forma de interação com os familiares é por meio de movimentos das sobrancelhas, sem comunicação verbal.
O irmão Abderrahim, que assumiu o papel de porta-voz da família ao longo de todos esses anos, descreveu que o ambiente doméstico trouxe melhoras em relação ao hospital. Em entrevista concedida em 2020, afirmou que Nouri dormia, comia e reagia a estímulos, e que sua evolução era perceptível.
Investigação e indenização
Em 2018, uma investigação interna do Ajax concluiu que o atendimento médico prestado a Nouri em campo foi inadequado. A demora na reanimação foi apontada como fator determinante para os danos cerebrais sofridos pelo jogador.
A família entrou com processo contra o clube por meio do painel de arbitragem da Federação Holandesa de Futebol. Em fevereiro de 2022, o Ajax anunciou um acordo com a família, que incluía o pagamento de 7,85 milhões de euros, a cobertura vitalícia de todas as despesas médicas de Nouri e a aposentadoria da camisa de número 34.
O futebol lembra dos seus
Nos anos seguintes à tragédia que aconteceu com Nouri, as homenagens ao jogador se espalharam pelo futebol europeu. Em dezembro de 2018, o Ajax renomeou seu prêmio de Talento do Futuro em homenagem a Nouri. Vários ex-companheiros adotaram a camisa 34 em seus novos clubes.
O 34º título de liga do Ajax, conquistado em 2019, foi dedicado a Nouri, com o pai do jogador participando da celebração durante a entrega do troféu.




