Uma multinacional presente em diversos países e que, ao todo, conta com 9 mil funcionários, fechará uma grande unidade industrial em São Paulo. O fechamento deve impactar diretamente mais de 100 famílias que dependem da operação da fábrica para geração de renda. Além dos trabalhadores da planta, a medida também pode atingir profissionais ligados ao transporte, fornecedores e empresas prestadoras de serviço que atuam na cadeia produtiva da companhia.
A decisão ocorre após um acordo firmado entre o Ministério Público de São Paulo, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e a empresa responsável pela unidade. O entendimento prevê o encerramento das atividades industriais em razão de questões ambientais que vinham sendo discutidas há anos por autoridades e moradores da região.
A empresa era responsável pela produção de lã de vidro, atividade que deve ser encerrada até julho de 2026. Também ocorrerá a desativação do forno de fusão utilizado no processo produtivo. O equipamento era apontado como uma das principais fontes de emissões geradas pela unidade, que opera há décadas em Santo Amaro, na zona Sul da capital paulista.
Fábrica deixará de produzir no Brasil
A unidade pertence à Isover, marca integrante do Saint-Gobain, multinacional presente em dezenas de países. Embora a empresa continue atuando no mercado brasileiro, a unidade de Santo Amaro deixará de exercer sua função industrial. Isso significa que o local não será mais utilizado para fabricação de produtos, passando a operar exclusivamente como centro de distribuição.
A mudança representa o encerramento de um ciclo produtivo que se consolidou ao longo de décadas na capital paulista. Dessa forma, a companhia continuará comercializando seus produtos no país, porém sem manter a atividade fabril naquela instalação específica.
Segundo informações divulgadas pela empresa, o período até a paralisação definitiva será utilizado para executar o cronograma definido no acordo e implementar medidas destinadas a minimizar os impactos sociais provocados pela transição.
Entenda o que levou ao acordo para encerrar a produção
O encerramento das atividades não aconteceu de forma repentina. Nos últimos anos, moradores das áreas próximas à fábrica passaram a relatar uma série de incômodos relacionados ao funcionamento da unidade.
Entre as principais reclamações estavam a emissão de fumaça, odores considerados desagradáveis e ruídos frequentes, especialmente durante o período noturno. Alguns moradores também associavam esses fatores a desconfortos físicos, como irritação nos olhos, dificuldades respiratórias e problemas na pele.
A mobilização da população ganhou força em 2023, quando denúncias formais foram encaminhadas aos órgãos ambientais. A partir desse movimento, o caso passou a ser acompanhado pelo Ministério Público e entrou na pauta de reuniões técnicas e audiências públicas.
O processo culminou na construção de um acordo que definiu a interrupção da produção industrial como solução para encerrar os conflitos envolvendo a operação da fábrica e os impactos apontados pela comunidade local.
Empresa terá de cumprir obrigações ambientais
Além da paralisação das atividades produtivas, o termo firmado com as autoridades prevê uma série de responsabilidades ambientais para a companhia.
Entre as medidas estão ações voltadas ao gerenciamento de áreas contaminadas, destinação adequada de resíduos industriais e monitoramento das condições ambientais da região. O objetivo é garantir que a desativação da unidade ocorra dentro dos parâmetros estabelecidos pelos órgãos responsáveis.
Esse tipo de procedimento é comum em processos de encerramento industrial de grande porte, especialmente quando há histórico de questionamentos ambientais ou necessidade de recuperação de áreas utilizadas por longos períodos para atividades fabris.
Multinacional afirma que sempre atuou dentro das regras
Em posicionamentos públicos, a empresa afirmou que desenvolveu suas atividades em conformidade com a legislação vigente e com padrões nacionais e internacionais relacionados à sustentabilidade e à proteção da saúde.
A companhia também destacou investimentos realizados nos últimos anos para reduzir possíveis impactos da operação. Entre as iniciativas citadas estão melhorias voltadas ao isolamento acústico, tecnologias para diminuição de emissões e canais de diálogo com a população do entorno.
Mesmo com essas ações, o acordo firmado com os órgãos públicos definiu o encerramento definitivo da produção industrial na unidade. Com isso, uma das fábricas mais tradicionais da região de Santo Amaro deixará de fabricar seus produtos e passará a desempenhar uma nova função dentro da estrutura logística da multinacional no Brasil.




