Sônia Ramos não planejava abrir uma empresa. Em 2009, ela tinha 64 anos, uma aposentadoria insuficiente para cobrir as despesas de casa e um filho que acabara de perder o emprego. O que ela tinha de sobra eram receitas de bolo que a família já conhecia bem. Foi dali que surgiu o negócio.
Um ano depois, a primeira loja da Casa de Bolos abriu as portas em Ribeirão Preto, em São Paulo. Ao fim do mesmo ano, já eram cinco unidades na região. O crescimento chamou os quatro filhos de Sônia para dentro da operação, e em 2011 a família apostou no modelo de franquias.
Receita caseira começou tudo
Simplicidade é a proposta da empresa, nada de massa pronta, conservantes ou corantes. Frutas frescas e as receitas da própria Sônia. Essa escolha foi o que diferenciou a rede num mercado acostumado a produtos industrializados.
Por nove anos seguidos, a marca figurou entre as 50 maiores franquias do país segundo a Associação Brasileira de Franchising. Em 2025, a rede tinha mais de 600 lojas espalhadas por 250 cidades, 20 estados e uma unidade em Lisboa. Eram 60 mil bolos produzidos diariamente e uma loja nova inaugurada a cada seis dias. O faturamento chegou a R$ 720 milhões no ano passado.
Tudo construído por uma mulher que, segundo ela mesma contou à revista Exame, nunca fez um curso formal de gestão. Foi aprendendo errando, observando e escutando.
A lógica por trás da compra
Quem comprou foi a AB Mauri Brasil, subsidiária da britânica Associated British Foods, grupo com receita anual de R$ 120 bilhões e dono de marcas como Fleischmann e Ovomaltine no país. A empresa adquiriu 100% da Casa de Bolos. O valor não foi divulgado e a transação ainda aguarda aprovação regulatória.
O movimento faz sentido quando se entende o mercado em que a empresa atua: vende ingredientes para padarias, confeitarias e indústrias de panificação. Ou seja, já estava presente nos bastidores da produção da rede. Com a compra, passa a dominar também a ponta final, a venda direta ao consumidor.
O diretor-geral da empresa no Brasil apontou a autenticidade da marca e a consistência do modelo como os atrativos principais.
O que se mantém?
Para quem é franqueado, a mudança de dono não deve alterar muito a rotina. A AB Mauri garantiu que a marca, as receitas e o modelo operacional continuam intactos. Os filhos de Sônia seguem na liderança da operação.
O que pode mudar, para melhor, é o suporte de abastecimento. Uma das maiores fornecedoras de ingredientes do setor agora controla a rede, o que pode representar condições mais vantajosas na cadeia de suprimentos.
Sônia, hoje com 79 anos, segue testando receitas e mantendo contato com a equipe.








