Pântanos, manguezais, várzeas, brejos. Durante boa parte do século passado, esses ambientes foram encarados como “terras improdutivas à espera de drenagem, aterro ou conversão em pasto”. Hoje, a ciência chegou a uma conclusão preocupante: a destruição dessas áreas cobrou um preço altíssimo do planeta.
As chamadas áreas úmidas, ou zonas úmidas, são ambientes onde a água domina o ritmo da paisagem, cobrindo o solo de forma permanente ou temporária. Incluem desde manguezais costeiros até turfeiras em altitude, passando por igapós amazônicos e banhados do sul do país.
Segundo dados da Convenção de Ramsar, tratado internacional que existe desde 1971, esses ecossistemas cobrem cerca de 6% da superfície terrestre, mas abrigam aproximadamente 40% de todas as espécies animais e vegetais conhecidas. Ou seja, a preservação desses ambientes corresponde à preservação dessas espécies.
Qual é a importância dessas áreas?
Um dos principais problemas apontados por especialistas é que essas áreas prestam serviços que só ficam visíveis quando estão em falta. Ou seja, quando as áreas somem. O primeiro, e um dos mais importantes, é que elas funcionam como filtros naturais da água, retendo sedimentos, nutrientes e poluentes antes que cheguem aos rios e ao mar.
Em segundo lugar, elas regulam o ciclo hidrológico, absorvendo água em períodos de chuva e liberando aos poucos nas secas. E atuam como freio contra inundações em regiões costeiras e ribeirinhas.
Além disso, são das maiores reservas de carbono do planeta. Estimativas apontam que regiões pantanosas chegam a concentrar cerca de 30% de todo o carbono armazenado em terra. Os manguezais, especificamente, são capazes de capturar e estocar até cinco vezes mais carbono por hectare do que florestas tropicais convencionais, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
O custo de destruir
Quando uma área úmida é drenada ou queimada, esse carbono armazenado vai para a atmosfera de uma vez. O solo perde a capacidade de amortecer chuvas, a água escoa mais rápido e em maior volume, carregando partículas do solo e contaminantes para outros lugares.
Pesquisadoras como Patricia Kandus e Priscilla Minotti, em publicação da Universidade Nacional de San Martin, apontam que a perda da cobertura vegetal natural nessas áreas acelera o ciclo da água de forma desequilibrada, com consequências diretas para rios, populações ribeirinhas e segurança alimentar.
A Convenção de Ramsar estima que mudanças climáticas adversas em áreas úmidas, incluindo recifes de coral, causem a perda anual de serviços ecossistêmicos avaliados em mais de 20 trilhões de dólares.




