Quem mora no campo ou em cidades com bastante área verde já deve ter reparado que as andorinhas aparecem em certas épocas e somem em outras. Não é coincidência. Boa parte das espécies que circulam pelo Brasil são aves migratórias, e cada uma chega aqui seguindo uma lógica própria de sobrevivência e reprodução.
Segundo o biólogo especialista em aves Luciano Lima, nem todas as andorinhas presentes no Brasil são migratórias, mas a maioria é. E entre as migratórias, boa parte percorre milhares de quilômetros para chegar até aqui, vindo de outros países e continentes.
De onde elas vêm e quando chegam?
A origem varia conforme a espécie. A andorinha-azul, a andorinha-de-bando e a andorinha-do-barranco, por exemplo, vêm da América do Norte e costumam chegar ao Brasil na primavera e no verão. Já a andorinha-chilena e a andorinha-do-sul, como os próprios nomes sugerem, migram de países vizinhos como Chile e Argentina e visitam o Brasil nos meses de outono e inverno.
O ponto em comum entre elas é o motivo da viagem. O Brasil funciona como destino de “descanso” para a maioria dessas espécies. Elas chegam para aproveitar a abundância de insetos e não se reproduzem por aqui.
Por que vivem em bandos?
O famoso ditado “uma andorinha só não faz verão” tem raiz no comportamento da ave. Durante o período de descanso no Brasil, as andorinhas formam grupos numerosos, às vezes com milhares de indivíduos. A andorinha-azul é um dos principais exemplos disso.
De acordo com especialistas na ave, elas adotam esse hábito pela sobrevivência. Viver em grupo aumenta as chances de sobreviver. Muitos olhos juntos tornam mais fácil identificar predadores, e mesmo que o risco não seja percebido a tempo, estar em um bando grande reduz significativamente a chance de um indivíduo específico ser capturado, segundo Lima.
Fora do período de descanso, esse comportamento muda. Durante a reprodução, algumas espécies se tornam mais solitárias e chegam a defender território. Outras, como a andorinha-grande, optam por nidificar em colônias, construindo ninhos próximos uns dos outros.
Espécies brasileiras
O país abriga 18 espécies de andorinhas, todas pertencentes à família Hirundinidae. Entre as características comuns estão a captura de insetos em pleno voo e, em muitas espécies, a cauda bifurcada. A andorinha-grande é a maior delas, podendo ultrapassar 20 centímetros. A andorinha-pequena fica na outra ponta, com cerca de 12 centímetros.




