Uma pesquisa da Realtime Big Data, divulgada nesta sexta-feira (12), perguntou a 1.500 eleitores quem eles consideram o maior responsável pelo sucesso do Pix. O resultado aponta que 39% dos brasileiros atribuem o mérito ao Banco Central (BC), seguido por Jair Bolsonaro, com 23%, Lula, com 16%, e Michel Temer, com apenas 2%. Outros 20% não souberam responder.
A resposta mais votada, aliás, é também a mais precisa do ponto de vista histórico e técnico.
Como o Pix nasceu
O Pix é uma criação do corpo técnico do Banco Central do Brasil. Os estudos começaram em 2016, durante a gestão de Ilan Goldfajn à frente da instituição. Em maio de 2018, durante o governo Michel Temer, o BC oficializou um grupo de trabalho específico para desenvolver o sistema, reunindo especialistas em tecnologia, economia e segurança, além de representantes de mais de 130 instituições.
As especificações, o desenvolvimento do sistema e a construção da marca se deram entre 2019 e 2020, culminando com o lançamento em novembro de 2020. Naquele momento, Jair Bolsonaro ocupava a presidência, o que levou parte da população a associar o sistema ao seu governo.
Apesar de ter sido lançado durante o governo Bolsonaro, o Pix não foi criado por nenhum governo, mas sim pelo corpo técnico do Banco Central, como parte de uma estratégia independente de modernização do sistema de pagamentos brasileiro.
O que os brasileiros pensam sobre o Pix hoje
A pesquisa da Realtime também levantou outros dados sobre a relação dos brasileiros com o sistema. Segundo o levantamento, 78% dos entrevistados já utilizaram o Pix, e 96% de quem já fez ao menos uma transação aprova a ferramenta.
Vale ressaltar que a pesquisa foi realizada durante um momento em que o sistema sofre pressão estrangeira do governo norte-americano. O Pix foi citado em um relatório da Seção 301, que recomendou a imposição de tarifas ao Brasil, e o assunto virou pauta política. Para 41% dos consultados, existe risco de que o governo de Donald Trump consiga acabar com o Pix. Outros 37% não enxergam esse perigo.
Sobre o cenário de disputa, 63% dos entrevistados disseram que o Brasil não deveria permitir que serviços americanos concorram com o sistema nacional.
Lula e a disputa política em torno do Pix
Com a ameaça externa, o presidente Lula passou a se posicionar como defensor do Pix. A pesquisa mediu como os brasileiros interpretaram essa postura. Para 48%, a reação é legítima e representa uma questão de soberania nacional. Para 42%, é uma atitude oportunista, motivada pela perspectiva eleitoral. Os 10% restantes não souberam opinar.
O levantamento ainda questionou se o Brasil arriscaria ficar sem o Pix caso Lula perdesse a reeleição, tendo em vista a aproximação da família Bolsonaro com o governo Trump. Para 49%, não haveria esse risco. Outros 38% acreditam que sim.
A pesquisa tem margem de erro de 3 pontos percentuais e foi realizada entre os dias 10 e 11 de junho.




