abc+

INADEQUADO

Roupas estragadas e de verão: 60% das doações para a Campanha do Agasalho não podem ser aproveitadas em São Leopoldo

Muitas peças que chegam ao Banco do Agasalho são para o calor ou então consideradas descarte, com rasgos e manchas

Priscila Carvalho
Publicado em: 16/06/2026 às 13h:37 Última atualização: 16/06/2026 às 13h:43
Publicidade

O frio voltou com força à região, elevando a preocupação sobre as pessoas em situação de vulnerabilidade e reforçando a importância da solidariedade para ajudar famílias a enfrentar as baixas temperaturas.

Publicidade

Coordenadora do Banco do Agasalho leopoldense, Francine Lucchese diz local chegou a atender 125 pessoas num único dia, nas últimas semanas



Coordenadora do Banco do Agasalho leopoldense, Francine Lucchese diz local chegou a atender 125 pessoas num único dia, nas últimas semanas

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

Lançada há pouco mais de três semanas, a Campanha do Agasalho leopoldense já arrecadou cerca de 10 mil peças de roupas e calçados, que foram destinados para distribuição no Banco Municipal do Agasalho (BMA).

O problema é que muitas destas peças não podem ser entregues a quem mais precisa no momento. Isso se dá pelo estado em que os itens são enviados ao local – manchadas, estragadas ou com rasgos – ou mesmo por serem roupas de verão, que não são usadas neste período do ano.

ENTRE NA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP E RECEBA MAIS NOTÍCIAS

“Mais ou menos 25% do que vem é descarte. E uns 35% é de verão. Então, o que vem de inverno é muito pouco perto do que a gente precisa”, lamenta a coordenadora do BMA, Francine Lucchese, confirmando que 60% das doações recebidas atualmente na ação são inutilizadas ao menos temporariamente, ou seja, não podem ser usadas ou doadas.

Publicidade

“Ou tem que ficar guardado, ou tem que ser descartado. E a gente não tem um espaço físico pra guardar assim, por muito tempo, essas roupas de verão que não vão ser doadas nesse momento. Por isso que a gente pede pra serem doadas peças de inverno”, enfatiza.

Peças masculinas entre as maiores necessidades

A dificuldade maior, segundo ela, está na arrecadação de peças masculinas. “De inverno, a gente precisa de tudo, mas masculina é a maior deficiência que a gente tem, está mais difícil de vir. Vem roupa de mulher, mas masculina está vindo muito pouco, e alguma coisa que está vindo ainda é de verão, e não é uma coisa que tem uma saída agora né. O que a gente precisa são roupas quentinhas de inverno”, reforça Francine.

A coordenadora comentou ainda sobre o que mais tem chegado e o que está fazendo falta. “No feminino, está chegando bastante calça jeans, blazer. Mas casaco de moletom e moletons em geral, que é o que eles mais pedem, não está vindo muito”.

Publicidade

A Campanha do Agasalho em São Leopoldo não tem data de término definida: “vamos observar a previsão do tempo e estender o quanto for necessário”, informou a prefeitura.

VEJA AINDA: Mais chuva e nova massa polar: Veja como fica o tempo no RS até o fim de junho

Publicidade

125 atendimentos em um único dia

Francine destaca que em torno de 45 mil peças já foram distribuídas ao longo de 2026, enquanto 33 mil foram arrecadadas – 10 mil delas, de 22 maio para cá, já dentro da Campanha do Agasalho.

A procura intercala entre dias com mais e menos atendimentos, mas, em geral, as segundas-feiras sempre registram muito movimento no Banco do Agasalho, conforme Francine. Há duas semanas, o local registrou 125 pessoas buscando roupas em uma única segunda-feira. “Vem bastante famílias, pessoas em situação de rua. Vem todo tipo de composição familiar: avó que pega para os netos, famílias numerosas, pessoas que vêm e pegam apenas para si também”, conta a coordenadora, sobre o espaço.

Peças de verão são maioria entre as doações para adultos em Sapucaia do Sul

Em Sapucaia do Sul, a Campanha do Agasalho foi lançada no dia 18 de maio. De lá para cá, mais de 18,3 mil peças de roupas e pares de calçados foram arrecadados, segundo a prefeitura.

Publicidade

Dentre o total, porém, 7.354 peças são de verão. Em alguns casos, as arrecadações voltadas a dias quentes são maiores do que as voltadas para o inverno, foco da campanha. As roupas adultas femininas, por exemplo, somam 2.366 peças de verão e 2.348 de inverno. No caso das masculinas, a diferença é ainda maior: foram 1.352 peças de verão doadas e apenas 800 de inverno.

“Apesar do grande número de doações, permanece a necessidade de arrecadação de roupas masculinas de inverno, cobertores, roupas de cama e calçados masculinos, itens que apresentam maior demanda entre os usuários atendidos pela rede socioassistencial”, destacou a prefeitura sapucaiense, que conta com 20 pontos de arrecadação.

Publicidade



Em Esteio, 26% do arrecadado são itens de verão

Em Esteio, a Campanha do Agasalho começou em 24 de abril e arrecadou, até a última semana, 5.502 peças e itens. Desse total, 1.439 peças de roupas de verão, ou seja, 26,1% do total não é o ideal para a época do ano.

De acordo com a prefeitura esteiense, as principais necessidades atualmente são cobertores, roupas infantis de inverno, agasalhos masculinos, meias e calçados fechados. “A orientação é que as doações sejam feitas com foco em peças adequadas”, ressaltou a administração municipal.

A iniciativa segue até 30 de julho em 17 pontos diferentes pela cidade. Além disso, drive-thrus de arrecadação são realizados periodicamente, sempre em frente ao Espaço Oliveira Silveira (Rua Coberta), no Centro. A próxima ação ocorre neste sábado (20), entre 10h e 12h.

LEIA TAMBÉM: São Leopoldo recebe 600 casas para atingidos pela enchente de 2024

Parcerias diminuem os descartes em Portão

No município de Portão, cerca de 23 mil peças já foram arrecadadas na Campanha do Agasalho deste ano. Conforme estimativa da diretora de Assistência Social da cidade, Juliane Birk, pelo menos 3 mil peças não puderam ser utilizadas, por conta de rasgos e manchas.

“Temos parceria com as lavanderias da cidade, que lavam, e em algumas foi feito reparo na costureira, aí conseguimos destinar”, comenta. “Essa parceria com os pontos de coleta e as lavanderias é algo que a gente tem muita gratidão. A nossa quantidade (de descarte) é menor por essas parcerias que estabelecemos”, completa. A campanha em Portão segue até o fim deste mês.

 

Publicidade