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IMUNIZAÇÃO

Após um ano de campanha, vacina contra a dengue tem índices baixos de procura

Baixa adesão se mantém mesmo com a gravidade da doença

Publicado em: 02/05/2025 às 03h:00 Última atualização: 02/05/2025 às 12h:57
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Em de maio de 2024, o Rio Grande do Sul começava a receber as primeiras doses de vacinas contra a dengue. Embora os casos da doença fossem alarmantes, a procura por imunização não ocorreu na mesma proporção. De lá para cá, pouco mudou, a baixa adesão exigiu ainda mais campanhas e até a expansão da faixa etária para receber o imunizante.

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Procura por vacina contra a dengue ainda é baixa | abc+



Procura por vacina contra a dengue ainda é baixa

Foto: Laura Rolim/GES-Especial/ARQUIVO

Para se ter uma ideia, o Rio Grande do Sul recebeu 86.939 doses da vacina contra a dengue, dessas, 63.306 foram aplicadas. Estas doses foram distribuídas aos municípios gaúchos aptos a receber o imunizante, conforme série histórica de casos de dengue, seguindo os critérios de avaliação da área técnica do Ministério da Saúde (MS).

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De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), não há previsão de novo envio de doses de vacina da dengue para o RS. “O Estado oficiará o MS no que diz respeito ao esgotamento de doses em municípios de alta transmissão de dengue, já que a vacina é uma tecnologia de enfrentamento para o agravo, além das demais medidas de controle ambiental e epidemiológica”, diz nota da SES.

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Baixa adesão

Novo Hamburgo recebeu 5.009 vacinas contra a dengue em um ano. Destas já foram aplicadas 4.373 doses. Ao todo, foram aplicados 3.187 imunizantes para a primeira dose e 1.186 à segunda. Ainda é considerada baixa a adesão para a segunda dose. O público-alvo são pessoas de 10 a 14 anos.

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Segundo o Ministério da Saúde, em 2024 foram enviadas 6,5 milhões de doses aos Estados e apenas 3,3 milhões foram aplicadas. Praticamente a metade dos imunizantes não foi aplicada.

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Dengue pode matar

A dengue é endêmica em várias regiões tropicais e subtropicais do mundo, incluindo o Brasil. Nos últimos anos, tem-se observado um aumento na incidência dos casos, com surtos sazonais que coincidem com o período de maior proliferação do mosquito vetor.

Até o momento, o Rio Grande do Sul possui 12.958 casos confirmados da doença, segundo o Painel de Casos de Dengue no RS, sendo sete mortes. No mesmo período, no ano passado, a dengue já contabilizava 163.835 casos. Em 2024 houve recorde da doença, chegando aos 209 mil confirmados e 281 mortes no Estado.

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No último dia 26, Sapucaia do Sul registrou a primeira morte por dengue em 2025, sendo a primeira morte também da região. Trata-se de uma mulher de 48 anos, que estava internada no Hospital Municipal Getúlio Vargas (HMGV) e era moradora do bairro São José.

Desinformação acerca da doença

Entende-se que um dos problemas enfrentados para a popularização do imunizante seria o limite de idade para a imunização, entre os 10 a 14 anos. Por isso, a faixa foi ampliada para 6 a 16 anos em algumas situações. Em fevereiro, o MS publicou nota técnica atualizando a recomendação de uso da vacina da dengue, permitindo a ampliação e o remanejamento para novos municípios, em casos de doses com prazo de validade iminente.

Mas a faixa etária não é o único impeditivo para os índices reduzidos de imunização. Conforme o médico infectologista do Hospital Municipal de Novo Hamburgo, Rafael Matiuzzi, alguns fatores que contribuem para a baixa adesão podem ser apontados. Um deles é a falta de conhecimento ou a desinformação. “Muitas famílias desconhecem a gravidade da dengue e os benefícios da vacina. Circulam fake news ou receios herdados da vacina anterior (Dengvaxia), que teve uso restrito e causou desconfiança pública”, comenta.

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A vacina contra a dengue é a Qdenga (TAK-003), e recente no Brasil, sendo aprovada pela Anvisa em março de 2023. “Ela ainda inspira dúvidas quanto à segurança, principalmente por falta de informações acessíveis e claras nos postos”, ressalta.

Matiuzzi aponta outras possíveis causas da falta de procura à vacina, como a dengue ainda é vista como uma “doença de verão” ou transitória, poucas campanhas por parte dos governos, pouca ou nenhuma mobilização escolar nem obrigatoriedade institucional, sendo mais difícil a faixa etária na questão da mobilização, o que poderia contar com apoio das escolas ou campanhas em redes sociais, por exemplo.

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Medidas de prevenção à doença

A dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti infectado. Uma das principais medidas de prevenção da doença é evitar a proliferação do mosquito, que também é de outras doenças como a chikungunya e a zika, por exemplo. São as doenças chamadas arboviroses. O mosquito se prolifera em água parada. Por isso, a população deve manter limpas áreas internas e externas em suas casas. Além disso, é recomendado o uso de repelentes.

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Sintomas e diagnóstico

A dengue pode se manifestar de forma leve a grave. Os sintomas incluem febre alta súbita, dores de cabeça intensas, dores atrás dos olhos, fortes dores musculares e nas articulações, náuseas e vômitos, além de manchas vermelhas na pele. Nos casos graves, pode ocorrer a dengue hemorrágica, caracterizada por sangramentos, queda brusca da pressão arterial e choque.

O diagnóstico da dengue começa com a avaliação dos sintomas clínicos e do histórico epidemiológico. Testes laboratoriais confirmam a infecção, e o teste de RT-PCR desempenha um papel essencial no diagnóstico precoce e na diferenciação dos quatro sorotipos do vírus da dengue. Esse exame detecta o material genético do vírus no sangue do paciente, permitindo identificar sua presença e determinar qual dos quatro sorotipos está causando a infecção. O tratamento deve ser iniciado logo após os resultados para evitar formas graves da doença.

Fonte: Associação Médica do Rio Grande do Sul

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