O número de atendimentos até novembro no Ligue 180 bateu recorde no período de 20 anos em que é oferecido à população brasileira. O serviço funciona como uma Central de Atendimento à Mulher, voltado a vítimas de violência. Somente entre janeiro e novembro, foram 946 mil atendimentos, sendo que 139 mil eram de denúncias de violência contra a mulher.
A projeção da coordenação do 180 é que até o final do ano o número de chamadas ultrapasse 1 milhão, o que representará mais de 2,7 mil por dia neste ano. Nem todos as chamadas são para denúncias, uma vez que muitas pessoas buscam informações no canal. Entre as dúvidas estão o que pode ser configurado violência e a quem recorrer.

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No Rio Grande do Sul, de janeiro a novembro, cerca de 40 mil mulheres denunciaram algum tipo de violência. Dados do Observatório da Segurança Pública mostram que mesmo diante das denúncias, as mulheres seguem sendo assassinadas no Estado.
De acordo com o Observatório, de janeiro até 5 de dezembro, 76 mulheres foram mortas no Rio Grande do Sul em casos que configuram feminicídio. No mesmo período, 246 foram vítimas de tentativas de feminicídio no RS. Os números já superam todo o ano de 2024, quando foram registrados 73 casos de feminicídio consumado e 236 de tentativas do crime no Estado.
Nas maiores cidades da região, três mulheres foram vítimas de feminicídio neste ano. Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo somam ainda 22 tentativas de feminicídio. Entre tentativa e crime consumado, os números de 2025 já superam o do ano passado nestas cidades.
Os dados indicam ainda que a maioria dos casos de violência acontece dentro da casa da vítima ou do suspeito, revelando que o companheiro da mulher é o principal agressor.
A violência contra a mulher em números neste ano no RS
Feminicídio consumado: 76
Feminicídio tentado: 246
Estupro: 2.170
Lesão corporal: 16.415
Ameaça: 28.545
*Dados entre janeiro e 5 de dezembro
Pesquisa nacional reforça insegurança e violência vivida pelas mulheres
A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada em 2025, corrobora a percepção de violência e insegurança vivida pelas mulheres no País. O levantamento ponta que 27% das brasileiras já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. Um terço das mulheres relataram ter vivenciado, nos últimos 12 meses, pelo menos uma das 19 situações de violência investigadas, incluindo agressões físicas, morais, psicológicas, patrimoniais, sexuais e digitais.
Além disso, 79% das entrevistadas acreditam que a violência contra a mulher aumentou no último ano. A busca por ajuda cresceu entre as vítimas: 58% recorreram à família, 53% à igreja e 28% procuraram Delegacias da Mulher. Apenas 5% não tomaram nenhuma atitude. Entre as que solicitaram medida protetiva, quase metade relatou descumprimento.
O levantamento, realizado pelo Instituto de Pesquisa DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) a cada dois anos, integra série histórica iniciada em 2005. Mais de 21 mil brasileiras com 16 anos ou mais foram ouvidas em todos os estados e no Distrito Federal e a margem de erro média é de 0,69 p.p..
Como funciona o Ligue 180
As denúncias podem ser feitas pela própria vítima ou por terceiros. As chamadas para o Ligue 180 são gratuitas e sigilosas. O atendimento pode ser feito pelos seguintes canais:
Telefone, no número 180;
WhatsApp, no número (61) 9610-0180
E-mail central180@mulheres.gov.br
Ao acionar o serviço por qualquer um dos canais, as mulheres digitam a tecla 0, para ter acesso ao atendimento prioritário, no idioma desejado – português, inglês, espanhol.
Além de registrar denúncias, as mulheres podem buscar informações sobre seus direitos e acessar orientações sobre a rede de serviços especializados, como Casas da Mulher Brasileira, delegacias especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), centros de Referência e defensorias públicas.
Em casos de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.
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