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ALERTA PERMANENTE

Casos de dengue despencam na região em janeiro de 2025, mas virologista alerta para os próximos meses

Especialista lembra que, historicamente, os casos de dengue começam a aumentar entre fevereiro e março, com o pico da doença ocorrendo em abril e maio

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 06/02/2025 às 16h:08 Última atualização: 06/02/2025 às 16h:09
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O primeiro mês de 2025 terminou com uma redução expressiva no número de casos confirmados de dengue nas cidades da região, contrastando com o cenário alarmante registrado em janeiro de 2024.

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Dados do painel da Secretaria Estadual da Saúde (SES) mostram que municípios como São Leopoldo, Novo Hamburgo e Canoas, que estavam entre os mais infestados no ano passado, tiveram uma queda significativa nos registros.

Apesar disso, essas três cidades ainda lideram o número de casos confirmados em 2025 e figuram no ranking dos 10 municípios com mais ocorrências no primeiro mês do ano.

Nesta quinta-feira (6), Vigilância em Saúde seguiu plano de aplicar inseticida nas escolas para evitar que o mosquito se estabeleça nesses ambientes | abc+



Nesta quinta-feira (6), Vigilância em Saúde seguiu plano de aplicar inseticida nas escolas para evitar que o mosquito se estabeleça nesses ambientes

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

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Em São Leopoldo, por exemplo, o número de casos confirmados caiu de 140 para 11 no comparativo entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025. O mesmo ocorreu em Novo Hamburgo, onde os 206 casos do primeiro mês do ano passado foram reduzidos para apenas cinco neste ano. Canoas também registrou uma forte diminuição, passando de 93 para 8 casos confirmados.

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A exceção na região foi Taquara, que apresentou um aumento no número de confirmações. Em janeiro de 2024, o município do Vale do Paranhana havia registrado apenas um caso de dengue, enquanto em janeiro de 2025 já são quatro casos confirmados.

Em contrapartida, Campo Bom zerou os registros da doença neste ano, enquanto no mesmo período de 2024 já havia contabilizado 11 casos.

Veja os números

Município | Confirmados jan/24 | Confirmados jan/25
São Leopoldo | 140 | 11
Canoas | 93 | 8
Novo Hamburgo | 206 | 5
Taquara | 1 | 4
Gramado | 12 | 3
Sapucaia do Sul | 9 | 2
Sapiranga | 3 | 1
Campo Bom | 11 | 0
Estância Velha | 3 | 0
Esteio | 2 | 0
Portão | 1 | 0

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Notificações também apresentam queda

Além dos casos confirmados, as notificações — que representam suspeitas da doença ainda em investigação — também despencaram na região. São Leopoldo, que já notificou 77 casos suspeitos em 2025, lidera esse ranking, seguido de Novo Hamburgo (63 notificações), Sapucaia do Sul (52), Canoas (40), Taquara (13) e Gramado (10). Esse recuo reforça a tendência de menor circulação do vírus na região neste início de ano.

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Apesar da queda, algumas cidades ainda aparecem entre os 20 municípios gaúchos com mais casos confirmados. São Leopoldo ocupa a quarta posição no estado, seguido por Canoas (6ª posição), Novo Hamburgo (8ª), Taquara (9ª), Gramado (16ª) e Sapucaia do Sul (20ª).

Clima e imunidade influenciaram na queda de casos

O virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale, explica que a redução expressiva nos números pode estar ligada a diferentes fatores. O primeiro deles é o surto do ano passado, que pode ter deixado parte da população imunizada.

Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale  | abc+



Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale

Foto: Arquivo/GES

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“No ano passado, tivemos um número de casos no mundo, no Brasil e no Rio Grande do Sul muito acima da média, um recorde. Isso pode influenciar os números deste ano, seja porque as pessoas passaram a tomar mais cuidado, seja por uma certa imunidade que se forma na população atingida, que dificilmente teria dengue pelo mesmo sorotipo neste ano”, afirma.

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Outro fator determinante foi o clima. Em 2024, o Rio Grande do Sul teve um mês de dezembro extremamente chuvoso, seguido por um janeiro muito quente, o que favoreceu a proliferação do mosquito Aedes aegypti e a transmissão do vírus. “Neste ano, apesar de termos um clima quente, ele foi mais ameno em relação ao ano passado, e isso influência diretamente na disseminação do mosquito”, acrescenta.

Spilki destaca que o resultado positivo de janeiro não significa que o risco de um novo surto está descartado. “Nós tivemos um janeiro mais calmo e estamos tendo uma entrada de fevereiro com menos casos acumulados do que no mesmo período de 2024. Mas isso não quer dizer que não teremos um aumento significativo nos próximos meses”, alerta.

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O secretário adjunto da Saúde de Canoas, Favio Telis, faz uma análise semelhante. “Ano passado, tivemos um período maior de chuva e um acúmulo de água. Depois, em função da enchente, intensificamos o trabalho, e a comunidade pode ter ficado mais sensível à prevenção. Mas tudo são suposições até o momento”, observa.

Alerta para os próximos meses

Segundo Spilki, a dengue tem um comportamento previsível e costuma atingir o pico entre abril e maio, com aumento significativo de casos já a partir de fevereiro e março. Ele reforça que, embora a tendência seja de números menores do que os registrados em 2024, o Estado ainda pode enfrentar um volume preocupante de infecções.

“Pode ser — e tomara que seja — que não atinjamos o mesmo número de casos do ano passado. É muito provável que isso aconteça. Mas mesmo que os casos deste ano fiquem em torno de 10% do que foi registrado em 2024, ainda assim será um número alto. Se aproxima, por exemplo, do que tivemos em 2023 e pode chegar a pelo menos metade do que registramos em 2022, que também foram anos muito impactados pela dengue”, explica.

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Para os próximos meses, a preocupação é com o calor intenso e prolongado. “O calor forte e depois as chuvas aumentam a proliferação, enquanto o frio não chega. O fator climático sempre nos deixa mais alertas. E nossos vizinhos também. Estamos próximos de municípios que podem não tomar a mesma atitude que a nossa ou demorar a agir e controlar”, comenta Telis.

Essa perspectiva reforça a necessidade de manter as ações preventivas, já que a dengue veio para ficar no Rio Grande do Sul. “Quando comparamos com as médias históricas de cinco ou dez anos atrás, percebemos que, infelizmente, a dengue se tornou um problema permanente. Felizmente, neste ano, os números estão bem menores que os de 2024, mas ainda indicam um cenário semelhante aos anos anteriores, o que significa que a pressão sobre a saúde pública continuará”, conclui Spilki.

Monitoramento e medidas preventivas

A Secretaria Estadual da Saúde reforça que os dados apresentados são alimentados pelos próprios municípios e que o acompanhamento deve continuar intenso nos próximos meses.

Em São Leopoldo, por exemplo, chamou a atenção uma inconsistência no painel estadual: o município havia registrado 20 casos confirmados na semana anterior e, repentinamente, esse número caiu para 11, o que levantou dúvidas sobre a atualização dos dados.

A prefeitura, contudo, afirma que houve um lançamento errado no início de janeiro e que os números foram corrigidos após alerta da Secretaria Estadual de Saúde.

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Enquanto isso, as prefeituras seguem com ações de fiscalização e conscientização, como a realização do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), que mapeia áreas com maior infestação do mosquito. Novo Hamburgo já realizou o levantamento neste início de ano e deve intensificar as estratégias para manter a tendência de queda nos casos.

Nesta semana, até o início do ano letivo, o foco é aplicar inseticida nas escolas para evitar que o mosquito se estabeleça nesses ambientes.

“Estamos preparando outras ações para o mês de fevereiro e de março no município, já que a tendência é de aumentarem os casos a partir de agora”, observa Débora Spessatto Bassani, gerente de Vigilância em Saúde de Novo Hamburgo.

Pulverização dengue em Canoas | abc+



Pulverização dengue em Canoas

Foto: Vinicius Thormann/Divulgação

São Leopoldo também realizou o LIRAa na primeira quinzena de janeiro. A análise mostra uma tendência de aumento de focos em relação ao levantamento anterior, realizado em outubro passado.

A ação percorreu, por amostragem, todos os bairros do município, abrangendo 3.187 residências. Das 68 amostras coletadas, 38 deram positivo para a dengue. Em outubro de 2024, 23 deram positivo.

Canoas também mantém equipes da vigilância epidemiológica atentas à situação. “Estamos intensificando a borrifação intradomiciliar, que está sendo feita com equipamentos cedidos pela Secretaria Estadual de Saúde. Vamos priorizar unidades de saúde, escolas e depósitos”, afirma Telis.

(*) Colaborou: Nicole Goulart

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