A repercussão da operação do Ministério do Trabalho (MTE) que interditou o alojamento da escolinha de futebol SER Vasquinho, em Portão, segue mobilizando a comunidade local.
Nesta quinta-feira (12), uma comitiva de vereadores do município visitou o ex-jogador profissional Carlos Antônio da Silva, conhecido como Da Silva, responsável pela escolinha, para manifestar apoio e solidariedade ao projeto social que, segundo os parlamentares, vem transformando vidas há mais de duas décadas.
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Além dos políticos, mães de atletas atendidos pelo projeto também se pronunciaram em defesa do trabalho desenvolvido pelo Vasquinho, classificando como “injusta” e “incompreensível” a acusação de que adolescentes estariam sendo submetidos a condições de trabalho infantil.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
“Acho absurdo”: Vereadores saem em defesa do projeto
Em nome dos parlamentares, o vereador Dioni Bandeira criticou a ação do Ministério do Trabalho, que considerou a rotina de treinos dos adolescentes como situação análoga ao trabalho infantil. “Se olhar sob a ótica de que atividade física para a criança gera um trabalho infantil, nessa ótica, eu acho absurdo”, declarou o vereador.
Bandeira afirmou ainda que o Legislativo local reconhece o trabalho do ex-atleta e que muitos jovens da cidade e de outras regiões do Brasil encontraram no Vasquinho uma oportunidade de vida. “É um trabalho de excelência, que gera oportunidade para aqueles meninos que às vezes não têm. Para chegar em um grande clube, ele precisa de estrutura, de entrega, e é isso que o Da Silva oferece. Sem isso, muitos ficariam pelo caminho”, pontuou.
O parlamentar também destacou que pretende ajudar pessoalmente o clube no enfrentamento jurídico que se inicia após a interdição determinada pelas autoridades federais.
Mães relatam rotina saudável dos filhos na escolinha
Familiares dos adolescentes que treinam no clube também falam positivamente da experiência dos filhos com a escolinha. Daniele Bruckmann de Sousa, mãe de um atleta que frequenta a escolinha há quatro anos, afirma que acompanha de perto a rotina do filho e nunca presenciou nenhuma conduta abusiva por parte dos treinadores ou da coordenação do projeto.
“Eu acompanho os treinos deles. O meu filho faz academia, vai para o treino, treina junto com os guris. Não tem nada de treino forçado. Jamais forçaram ele a fazer o que o corpo dele não aguenta. É tudo no tempo deles”, garantiu.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Outro depoimento em defesa do projeto vem de Camila Winter, que também é mãe de um dos atletas. O filho dela chegou a treinar por dois anos nas categorias de base do Grêmio, após se destacar nas atividades do Vasquinho. “
Através do projeto, ele evoluiu tecnicamente e se desenvolveu. Nunca vi nada fora do normal, nunca houve excesso. Eles treinam porque gostam. O meu filho treina futebol todos os dias, o outro [filho] pratica judô duas vezes por semana. Praticar esporte é o lazer deles, não é trabalho”, relatou.
Força-tarefa determinou fechamento do alojamento
A ação do Ministério do Trabalho classificou a estrutura da escolinha como irregular e determinou a desativação do alojamento, que hospedava adolescentes de outros estados e até do Paraguai. Segundo o órgão, a ausência de vínculo trabalhista e a rotina intensa de treinamentos caracterizam situação irregular e, portanto, passível de interdição.
Da Silva também já se manifestou dizendo que irá recorrer judicialmente contra a medida, por considerá-la equivocada. Ele afirma que todos os adolescentes estavam no local com autorização formal dos pais e nega que houvesse qualquer tipo de abuso ou exploração.