O ex-jogador profissional de futebol Carlos Antônio da Silva, conhecido como Da Silva, se manifestou após a divulgação, nesta quinta-feira (12), de uma ação coordenada Ministério do Trabalho (MTE) que determinou o fechamento do alojamento da escolinha de futebol SER Vasquinho, localizada no bairro Rincão do Cascalho, em Portão.
O local é acusado de submeter adolescentes, com idades entre 14 e 17 anos, a condições análogas ao trabalho infantil, com rotina intensa de treinamentos voltada à alta performance, sem vínculo formal com clube profissional ou garantias legais.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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Da Silva, que também é presidente do clube, afirmou que as acusações não condizem com a realidade da escolinha, que existe há mais de duas décadas. “Estou há 22 anos à frente do projeto SER Vasquinho. Quer dizer que eu trabalhei 22 anos errado? Isso me dói, isso me deixa triste. Desde o dia que recebi a notícia de que o Vasquinho ia fechar, eu não dormi. Desmoronei”, disse.
Segundo o Ministério do Trabalho, a estrutura investigada era apresentada como um centro de formação de atletas, mas operava sem os registros e licenças exigidas para esse tipo de atividade. A fiscalização ao projeto, que se arrasta desde fevereiro, só foi divulgada nesta quinta-feira, quando é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil.
Para Da Silva, a escolha da data reforça o que ele chama de “caráter midiático” da operação. “Pra mim, é uma publicação marqueteira. Lamento que tenham usado o meu trabalho pra gerar marketing”, declarou.
“Não havia trabalho infantil”
O treinador nega que os adolescentes viviam sob regime de treinos excessivos ou que houvesse exploração de mão de obra. Ele afirma que a escolinha mantinha estrutura simples, com foco no esporte como ferramenta de inclusão e desenvolvimento social.
“Nós temos profissionais capacitados aqui dentro. Eu joguei 20 anos como profissional e sei do que estou falando. Jamais forçamos qualquer criança a treinar ou fazer algo, não havia trabalho infantil. Nunca recebi dinheiro por qualquer venda ou profissionalização de jogador”, explicou.
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Ele também enfatiza que todos os pais tinham conhecimento da rotina dos filhos e que havia autorização formal para a permanência no alojamento, inclusive com registros em cartório. “Os pais estavam sempre presentes. Muitos vinham do Paraguai, ficavam aqui no hotel, faziam churrasco com a gente. Alguns passavam o final de semana com os filhos. Isso aqui é uma família”, garantiu.
Escolinha desativada e adolescentes já encaminhados
Com a interdição do alojamento determinada pelas autoridades, os adolescentes que viviam no local já foram encaminhados para suas residências. O Ministério do Trabalho classificou o ambiente como inadequado para menores, embora o local seja uma residência ampla, construída há cerca de cinco anos, cujo aluguel é de R$ 1,2 mil.
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Apesar de ter sido surpreendido pela repercussão, Da Silva afirma estar cumprindo todas as determinações impostas pelos órgãos competentes. Agora, ele pretende seguir por vias jurídicas para contestar a denúncia. “A justiça de Deus vai pesar. Eu confio em Deus e sei que ele conhece meu caráter. Vou provar que essa denúncia é infundada e depois vou tentar reerguer a escolinha”, concluiu.