O desfecho de um crime que impressionou pela frieza dos atos subsequentes ocorreu nesta quinta-feira (14), na 4ª Vara do Júri de Porto Alegre. Um homem foi condenado a mais de 32 anos pela morte da então companheira, em outubro de 2024, em Porto Alegre.
Mas antes mesmo de o corpo da mulher de 29 anos ser descoberto sob uma cama dias após o crime, o acusado já estava detido por um ato de desamparo: uma semana antes do feminicídio ser descoberto, ele abandonou o próprio filho, uma criança de 3 anos na época do crime, dentro de um ônibus que fazia a linha Porto Alegre-Gramado, na cidade de Três Coroas.
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Foto: Câmera de monitoramento
O menino, diagnosticado com síndrome de Apert, é dependente de sonda alimentar. Na época, ele foi encontrado pelos bombeiros, assustado.
Foi o abandono, ocorrido em 22 de outubro de 2024, que serviu de fio condutor que levou as autoridades a uma tragédia ainda maior dentro de uma residência na zona sul da Capital.
Um rastro de horror no bairro Lami
As investigações revelaram que o feminicídio ocorreu entre os dias 20 e 21 de outubro de 2024. Após agredir violentamente a vítima no bairro Lami, o réu ocultou o corpo em um saco plástico embaixo de uma cama box.
O cadáver só foi localizado em avançado estado de decomposição, dias após o desaparecimento da mulher.
Durante o processo, segundo a acusação apontou, ficou evidente a tentativa do acusado de evitar o acionamento da polícia. A investighação apontou que o homem chegou a buscar informações sobre como entregar o filho ao Conselho Tutelar antes de decidir, por fim, deixá-lo sozinho no transporte intermunicipal.
O veredito e o peso da pena
Presidido pela juíza Cristiane Busatto Zardo, o julgamento resultou na condenação do réu a 32 anos e 8 meses de reclusão em regime inicial fechado.
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Conselho de Sentença acolheu a tese de feminicídio consumado, reconhecendo a brutalidade e o contexto de violência doméstica que envolveram a morte da ex-companheira do acusado. Ainda há possibilidade de recurso.
O homem, que está preso preventivamente desde 30 de outubro de 2024, também já havia sido condenado a 1 ano e 8 meses de prisão, em 15 de janeiro de 2026, pelo abandono do filho — condenação proferida pela Justiça de Três Coroas.