Uma ação pioneira de parceria entre a Corsan, empresários e a prefeitura começa a acelerar a universalização da coleta e tratamento de esgoto em Gramado. Com um investimento de R$ 153,6 milhões, quatro localidades da cidade receberão obras que aumentarão em cerca de 33% o sistema até o final de 2028.
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Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
O bairro Várzea Grande foi o primeiro contemplado. Na segunda-feira, dia 29, equipes se concentravam na Rua Leopoldo Tissot, no entorno da Vila Olímpica, e, posteriormente, seguirão pelas demais vias do bairro.
As tratativas para essas obras começaram em 2024. A Corsan propôs a criação de um sistema coletivo para atender uma projeção de novas 120 construções nos bairros Várzea Grande, Moura e Dutra, Mato Queimado e setor oeste – que compreende o Carazal. O levantamento levou em consideração o número de pedidos de licenças solicitadas no Executivo, com prédios que possuam mais de dez unidades.
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Nessa parceria, a companhia antecipa os investimentos nesses locais, ficando responsável pelas obras e por cerca de 80% do aporte financeiro. Ao invés de cada empreendimento apresentar uma solução individual para o esgotamento sanitário, os empresários passam a responsabilidade de execução para a Corsan – que já planeja a extensão coletiva da rede.
“Construímos uma parceria de ganha-ganha. É bom para o município, para a população e para os empresários”, afirma o diretor executivo da Corsan, Rodrigo Lacerda.

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Conforme ele, o intuito é priorizar as áreas da cidade que estão em expansão, encontrando uma forma coletiva de viabilizar a coleta e tratamento de esgoto. “Estudamos muitas alternativas por entender a importância de Gramado para o cenário nacional. Nosso gerente de engenharia estará de perto acompanhando as obras para a gente entregar na velocidade e qualidade esperadas”, reforça.
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Para a diretora-presidente da Corsan, Samanta Popow Takimi, o início das obras é uma forma de demonstrar o compromisso que foi firmado com a comunidade.
“E também uma resposta objetiva acerca dos questionamentos para ampliação da rede, preocupação com o meio ambiente, saúde e a infraestrutura que Gramado precisa. Não são somente investimentos de infraestrutura, é a garantia de que a população vai ter os direitos que vem com tudo isso. O progresso que Gramado tanto impulsiona para região vai ser respeitado e vai ser preservado”, atesta.
Projeção das obras
O maior investimento desse projeto será no bairro Várzea Grande, com estimativa de R$ 50,5 milhões. Depois, no setor oeste, com R$ 42,7 milhões. Na sequência, o Mato Queimado, com R$ 32,3 milhões. Por fim, o bloco Dutra/Moura, que terá aporte de R$ 28,1 milhões. No Mato Queimado, as obras devem ser concluídas em dezembro de 2027. Nas demais áreas, até dezembro de 2028.
Empresários envolvidos

Foto: Divulgação
Um termo de cooperação com a prefeitura foi firmado pela Corsan, que possui um contrato também com as primeiras 33 empresas envolvidas.
As obras foram compatibilizadas com o final da construção dos empreendimentos. Nesta primeira etapa, deveria haver a adesão mínima de 80% dos empreendedores para o início dos serviços. Segundo Rodrigo, a taxa ficou em 90%.
O valor estipulado para as obras foi dividido entre os empresários e a Corsan. Ao decorrer do tempo, os empreendimentos que forem aderindo ao projeto deverão também arcar com o investimento. “O custo tende a reduzir a partir do momento que novos empreendimentos façam a adesão”, cita Rodrigo.
A projeção é que em torno de 10 mil famílias sejam beneficiadas com os mais de 70 quilômetros de redes coletoras, incluindo ramais prediais para interligação dos encanamentos dos imóveis à tubulação principal.
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Uma estação de tratamento será construída do bairro Várzea Grande e há a previsão de ampliação da estação do bairro Dutra, além de 37 estações elevatórias responsáveis por impulsionar o esgoto de pontos mais baixos para áreas elevadas até chegar nas unidades de tratamento.
“Fazer obra em Gramado é um desafio”

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
“Fazer obra de infraestrutura em Gramado é um desafio”, declara o diretor executivo da Corsan. Rodrigo cita que a dificuldade é em relação à movimentação turística da cidade. “Nós discutimos para fazer as obras nas vias onde há menor fluxo para a gente impactar o menos possível no deslocamento na época do Natal Luz”, acrescenta.
A companhia informa que colaboradores do setor de Responsabilidade Social passarão nas ruas afetadas para conversar com os moradores. “Durante a obra, nós vamos ter assistentes sociais que vão tirar dúvidas”, acentua Rodrigo.
Um dos pontos abordados pelo diretor executivo é que houve a contratação de uma empresa especializada em pavimentação para fazer os reparos no asfalto. Isso foi motivado pelas reclamações do poder público e comunidade sobre os serviços executados nas ruas depois das obras.
Antecipação ao Marco Legal
O Marco Legal do Saneamento Básico estipula que os municípios garantam a coleta e tratamento de 90% do esgoto em 2033. Contudo, o diretor executivo da Corsan promete que esse percentual será atingido até o final de 2029.
De acordo com a companhia, atualmente, o montante atendido é de 37%. O número aumentará para aproximadamente 70% até o final de 2028, alcançando os 90% do ano seguinte. “A gente vai passar por um período de grande volume de obras, mas o benefício vai ficar e vai ser muito positivo para o município”, alega Rodrigo.
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Os trabalhos ocorrerão de forma paralela em diversas localidades. Além do bairro Várzea Grande, a partir da segunda quinzena de novembro, os serviços iniciarão no Mato Queimado. Em janeiro, na região dos bairros Dutra e Moura e, até o fim do primeiro trimestre de 2026, no setor oeste. Ainda, para o próximo ano, obras devem ser realizadas na área central da cidade.
Cumprimento das promessas
Acompanhando de perto os projetos e compromissos da Corsan, o prefeito de Gramado, Nestor Tissot, e o promotor de Justiça, Max Guazelli, apontam a expectativa de cumprimento das promessas da companhia.
“Gramado tem um déficit muito grande na área do saneamento. A Corsan vem fazendo investimentos gigantes na região, na questão da coleta e tratamento de efluentes sanitários. A cidade tem que se transformar não só na parte que nós enxergamos, mas principalmente naquilo que é básico”, reforça o promotor. “Esperamos que a comunidade saiba compreender a importância disso e que ajude o município suportando as obras e depois fazendo as conexões necessárias”, complementa.
O prefeito ressalta que, após a privatização da empresa e gestão da Aegea, já se percebe o aumento dos investimentos na cidade. “Na prática, é zelar pelo bem-estar da nossa sociedade e do turista, que é a razão de ser do nosso município. Gramado com essa parceria sai na frente, tomando uma atitude corajosa e os empresários compreenderam esse papel importante. É um investimento também em saúde”, pondera Nestor.
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