A preservação do estilo arquitetônico de Gramado está em debate. A partir da revisão do Plano Diretor da cidade, aprovado em 2022, poder público e profissionais da construção civil buscam maneiras de manter uma das características estéticas mais relevantes da cidade.
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Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Foi através da arquitetura, que remete a cidades europeias, que o município começou a se destacar no turismo. As vertentes alemãs e italianas se fixaram, com estilos bávaro e enxaimel. Com o boom imobiliário que Gramado vive há alguns anos, há consenso de que é preciso preservar essa identidade.
Foi pensando nisso que um acordo de cooperação sem custo aos cofres públicos foi firmado entre a Prefeitura de Gramado e a Planta, que reúne mais de 250 profissionais do setor imobiliário. Por mais de um ano, foi estudado qual o estilo arquitetônico predominante na cidade.
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O presidente da Planta, Bernardo Tomazelli, afirma que a entidade tem atuado pensando em ações estratégicas para o futuro. Mesmo com uma cláusula na legislação, não havia especificidades que mostrassem a profissionais de outras regiões quais os itens considerados indispensáveis.
“E a gente pensou em construir essa cartilha institucional e educacional, mostrando qual é a arquitetura da cidade e porque deu certo”, pondera Bernardo, que também é vice-presidente do Conselho do Plano Diretor de Gramado.
Itens característicos

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Com a união de técnicos da entidade e da Secretaria de Planejamento o projeto foi estruturado. O relatório final foi entregue em maio.
A proposta consiste em oito elementos, destacados como característicos das construções da cidade: telhado inclinado; beiral; cachorros à vista (elemento que suporta os beirais); oitões triangulares; gaiutas/mansardas; revestimento em pedra, madeira ou tijolos à vista; sacadas, balcões e floreiras e uma paleta de cores terrosas e neutras.
A partir desse direcionamento institucional, o projeto está redigido em formato de lei e tramitará na Câmara de Vereadores, inclusive, com audiência pública. Depois disso, haverá o desenvolvimento da cartilha, que trará os elementos visuais.
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Bernardo explica que o projeto levou em consideração o zoneamento já existente na cidade. E, com a vigência da lei, cada item elencado terá uma pontuação, que precisará ser atingida. “No Centro, Bavária e Planalto, tem que atingir 80 pontos. Em bairros, como Várzea Grande, Carniel e Dutra, seriam 30 pontos”, exemplifica.
Necessidade
O regramento será válido para toda a cidade, incluindo as áreas de acesso. As construções de prédios plurifamiliares e comércios precisarão seguir as diretrizes para garantir a aprovação.
“A gente pensou em um conceito que não inviabilize, mas que direcione as construções para que tenham as características da região”, cita o engenheiro civil.
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Um dos tópicos ainda em análise é que a Planta sugeriu que os projetos que englobem as oito características ganhem um percentual a mais de índice construtivo como incentivo. A expectativa é que a lei entre em vigor ainda neste ano.
“Entendemos a necessidade desse direcionamento, porque temos medo de que a cidade perda a identidade, as raízes e a essência. Isso muito em virtude do que temos presenciado. As pessoas vêm para Gramado para olhar para a nossa arquitetura também e preservar isso é muito importante”, ressalta Bernardo.
Mercado imobiliário
O presidente comenta que a entidade quer desenvolver um comitê em Canela para auxiliar nas demandas do setor também no município. A prefeitura está trabalhando na revisão do Plano Diretor, na fase de diagnóstico e planejamento para os próximos dez anos.
Segundo Bernardo, há o objetivo de inserir uma cláusula sobre a arquitetura predominante e posteriormente criar uma cartilha nos moldes da de Gramado.
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A aproximação entre o setor nas duas cidades é tida como relevante para o presidente, que tem apostado em eventos para qualificação do mercado, assim como pesquisas. Neste mês, uma pesquisa divulgada pela Planta mostrou que o mercado imobiliário movimentou R$ 2,5 bilhões em Gramado em 2024. A arrecadação para os dois municípios ficou na casa dos R$ 50 milhões em imposto.
“O nosso mercado é muito pujante, sólido e confiável. As pessoas sabem que podem comprar na planta que vai ser entregue. Temos um valor de metro quadrado bem atrativo. Queremos continuar investindo nessas pesquisas, que mostram o cenário imobiliário para quem quer investir”, reforça.
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