Mais de quatro décadas de atuação, dois Kikitos, dois Grande Otelo, três prêmios Guarani e um Urso de Prata do Festival de Berlim. Marcélia Cartaxo, aos 61 anos, é uma das grandes atrizes nacionais. E nesta terça-feira (19), receberá mais um troféu para sua coleção: o Oscarito, do Festival de Cinema de Gramado.
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Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
A homenagem será entregue a partir das 18 horas. Mas ao final desta manhã, a profissional participou de coletiva de imprensa, na Sociedade Recreio Gramadense, onde destacou personagens, falou sobre as dificuldades em transitar entre perfis diferentes de papéis e sobre ser uma atriz nordestina. A palavra emoção é a que define o encontro, que durou pouco mais de uma hora. O choro não foi escondido e os aplausos duraram quase um minuto ao final.
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Conhecida principalmente pela interpretação de Macabéa em “A Hora da Estrela” (1985), baseado no livro homônimo de Clarice Lispector, papel que rendeu a ela o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim de 1986, ela confessa que durante muitos anos passou por personagens que tinham a mesma essência.
“Realmente ao longo da minha carreira foi muito difícil. Só fui decolar depois de Madame Satã. Só fazia personagens sofridos, que vinham do Nordeste, e que tinham aquela dor, sofrimento existencial, de fome, de transição para algum lugar, procurando por vida melhor”, relembra.
A mudança ocorreu no início do novo milênio, em 2001. “Aí quando fui convidada para fazer Madame Satã, falei que era a primeira vez que faria uma prostituta e disse que seria uma prostituta que teria orgulho de ser. Não queria mais chorar, vivenciar essas mulheres tristes, eu queria mudar, mudar minha trajetória, que tinha um estigma muito forte. Fiz muitas empregadas e queria fugir de tudo isso. E a partir daí senti a alegria de interpretar um personagem diferente”, revela.
“Vou colocar o Oscarito do lado do Grande Otelo”
“Esse encontro, poder falar da minha história, é muito importante pra mim. Os filmes que fiz, o fato de vocês apreciarem a minha arte já é grandioso, fico muito feliz, gratificada, e receber esse prêmio, essa homenagem, vou colocar o Oscarito do lado do Grande Otelo. É uma alegria, um reconhecimento, é a minha dedicação. Sei que o mundo não vai se acabar agora, que as pessoas ficam mais exigentes e vão querer me ver diferente, e eu vou poder experimentar todas essas coisas. Só quero dizer que essa trajetória toda, nunca estive sozinha”.
“Viva o cinema brasileira, vida longa a esse Festival, são 53 anos de resistência, 53 anos de encontros, 53 anos de muitas alegrias pra gente, para os artistas, que venham mais, que venha a nova geração, que venha tudo de novo com essa tecnologia, venham novos editais para que possamos contar a história do nosso povo”, celebra.
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Uma entre três mulheres
Cartaxo foi a primeira mulher brasileira a conquistar o Urso de Prata, em Berlim, como Melhor Atriz. Além dela, Ana Beatriz Nogueira (1987) e Fernanda Montenegro (1998).
Durante a coletiva, a atriz contou como foi a ligação para sua mãe, direto da Alemanha para o Nordeste brasileiro. “Liguei de orelhão e falei que tinha ganhado o urso. Minha mãe disse ‘não traz para cá esse urso não, que não tem comida para ele’, aí eu expliquei que era de ferro”, lembra entre sorrisos.
Carreira e futuro
Marcélia também atuou em longas-metragens como “A Mãe” (2022), “Pacarrete” (2019) e “O Céu de Suely” (2006).
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Para os próximos meses, tem estreias nas telas. Em 4 de setembro, ocorre o lançamento nos cinemas do premiado longa “A Praia do Fim do Mundo”, de Petrus Cariry.
Já a segunda temporada de “Cangaço Novo”, série brasileira do Amazon Prime Video, tem previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2026.