O projeto da ferrovia de passageiros que conectará Porto Alegre a Gramado, autorizado pelo governo do Estado na quinta-feira (7), já tem traçado definido e prevê um percurso de pouco mais de uma hora de viagem entre a capital e a Serra.
A linha férrea passará por 19 municípios e terá área de influência em outros três, totalizando 22 cidades beneficiadas de forma direta ou indireta com o turismo e o incremento de ICMS e tributos municipais.

Foto: Pixabay
O trajeto começa cerca de 700m do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, seguindo por Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom, Dois Irmãos, Sapiranga, Araricá, Parobé, Taquara, Morro Reuter, Nova Hartz, Igrejinha, Picada Café, Santa Maria do Herval, Três Coroas e, por fim, a na Av. Das Hortênsias, entre Gramado e Canela.
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Com aproximadamente 84 quilômetros de extensão, a ferrovia contará com 27 cruzamentos rodoferroviários, 15 pontes e viadutos – incluindo um viaduto ferroviário sobre a freeway (BR-290) – e nove túneis ao longo do percurso. A operação ficará a cargo de uma empresa privada, dentro do modelo de autorização previsto pelo novo marco legal das ferrovias, com possibilidade de exploração por até 99 anos.

Foto: Arte Alan Machado/GES
O secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, destacou que o traçado terá impacto direto ou indireto em 22 municípios, mas que a definição sobre o número de paradas dependerá do projeto executivo.
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“São praticamente 84 quilômetros de trajeto, que certamente contará com pontos estratégicos para fomentar o turismo e atrair empreendedores dispostos a investir ao longo do percurso. O estudo de viabilidade já indica o potencial, e é por isso que a iniciativa privada agora busca parceiros para compor os investimentos”, afirmou.
O investimento estimado é de R$ 4,5 bilhões, totalmente privado, e as obras devem começar em 2028, com previsão de conclusão e início da operação em 2032. Além de oferecer uma alternativa mais rápida e confortável para o deslocamento entre a Região Metropolitana e a Serra, o trem deve impulsionar o turismo e promover maior integração entre os municípios do Vale do Sinos e da Serra gaúcha.
Como serão os trens e estações do trajeto
O trem de passageiros que ligará Porto Alegre a Gramado, segundo o projeto da SulTrens – Transportes Ferroviários, será formado por composições modernas, com quatro módulos articulados e ligação interna, ar-condicionado e cabines nas duas extremidades para permitir tráfego bidirecional.
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Cada unidade terá entre 70 e 75 metros de comprimento, motorização híbrida diesel-elétrica e capacidade para transportar de 220 a 300 passageiros sentados, com possibilidade de operação em comboio de dois trens. A velocidade máxima prevista é de 120 km/h, com rampas de até 6% e raio de curva horizontal de 90 metros.
“Nosso objetivo é captar turistas para Gramado, mas queremos que a primeira atração seja o trem. O passeio, a festa já começa no aeroporto Salgado Filho, com estações padrão europeu”, comenta o administrador da SulTrens, Renato Grillo Ely.
As estações de embarque e desembarque também terão padrões internacionais. Em Porto Alegre, a parada será elevada em relação à rua, com plataforma central de 9 metros de largura e até 160 metros de comprimento, permitindo o atendimento simultâneo de dois trens. O acesso ao aeroporto Salgado Filho será feito por uma passarela tematizada de 700 metros.
Em Gramado, a estação ficará ao nível do solo, com a mesma dimensão da capital, e atenderá também passageiros com destino a Canela. O projeto prevê ainda plataformas exclusivas para condomínios residenciais ao longo do trajeto, com largura de 6 metros e comprimento para atender um trem por vez.
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Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Cronograma prevê início da operação em 2032
De acordo com o cronograma do projeto, a conclusão do anteprojeto de engenharia está prevista para agosto de 2026, enquanto o fechamento da captação dos recursos privados deve ocorrer em janeiro de 2027.
A fase de licenciamento ambiental e elaboração do projeto final de engenharia está programada para ser concluída em junho de 2028, quando também está previsto o início das obras civis. O processo de desapropriações e a contratação do material rodante devem ocorrer em 2029.
A execução das obras e fornecimentos seguirá até março de 2032, seguida pelos testes de linha e comissionamento (abril), operação experimental (junho) e emissão da licença ambiental de operação (agosto). A operação comercial do trem entre Porto Alegre e Gramado está prevista para começar em setembro de 2032.
O prefeito de Gramado, Nestor Tissot esteve presente no Palácio Piratini no ato da assinatura, e comemorou a notícia: “É uma conquista que nos enche de orgulho e alegria, tanto como prefeito quanto como cidadão”, afirmou.
Tissot destacou que a obra representa uma oportunidade única para o Rio Grande do Sul, com impacto especial no turismo da Serra. “Será um marco histórico”, disse. Ele acrescentou que mais de 20 municípios, incluindo a capital, devem ser beneficiados, com facilitação não apenas para o turismo, mas também para serviços essenciais, como saúde, e para o transporte de mercadorias.
Projeto se sustenta apenas com receitas da operação
Ao contrário da maioria dos sistemas ferroviários de passageiros no mundo, que dependem de investimentos públicos para cobrir custos de implantação e operação, a SulTrens afirma que o trem entre Porto Alegre e Gramado foi formatado para se viabilizar apenas com receitas próprias.
Segundo estudo, a previsão é que a operação comercial e as receitas acessórias sejam suficientes para financiar integralmente a construção e a manutenção do serviço, sem necessidade de aporte governamental direto.
O modelo considera fatores como o crescimento contínuo da demanda turística para a Serra, a capacidade dos visitantes de arcar com tarifas compatíveis com o serviço e a atratividade do trajeto diante dos congestionamentos diários na BR-116 e nas áreas centrais de Gramado e Canela.
O projeto também se apoia em vantagens históricas e estruturais, como a antiga ligação ferroviária entre as cidades e o novo marco regulatório das ferrovias, que abre espaço para iniciativas privadas no setor.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
“Quando um turista chega no aeroporto e quer ir a Serra, ele precisa alugar um carro, ou pagar por uma corrida. Então, esse valor ele vai investir no trem, que o levará diretamente ao seu destino sem os transtornos do trânsito e os perigos da estrada”, informou Renato Ely, sem dar detalhes sobre o preço da passagem.
Os estudos mostram que 65% dos turistas que chegam a Gramado são de fora do Rio Grande do Sul, sendo a maior parte de São Paulo (15%), Santa Catarina (13%) e Paraná (7%), além de 30% vindos de outras partes do Brasil e do mundo.
O governador Eduardo Leite afirmou que o investimento privado “só se viabiliza porque o Rio Grande do Sul virou a chave”. Segundo ele, o Estado hoje tem “estabilidade fiscal, capacidade de investimento público e segurança jurídica para atrair o empreendedorismo”.
Mais de 22 mil empregos previstos
O projeto do trem entre Porto Alegre e Gramado também possui potencial de geração de postos de trabalho. Durante a fase de implantação, a estimativa é criar 6.397 empregos diretos e 14.926 indiretos ou induzidos, totalizando 21.323 oportunidades. Na etapa de operação, que começa após a conclusão das obras, o número previsto é de 350 empregos diretos e 1.050 indiretos, chegando a 1.400 vagas.
Somando as duas fases, o empreendimento deve gerar 22.723 postos de trabalho ao longo de sua execução e funcionamento, movimentando diferentes setores da economia e impulsionando o desenvolvimento regional. “O trem representa muito mais do que infraestrutura: é desenvolvimento econômico, geração de empregos e valorização do nosso potencial turístico”, acrescentou o governador.