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VERÃO NO RS

Caravelas-portuguesas e águas-vivas causam 13,1 mil acidentes em apenas 24 horas; mais de 11 mil só na Praia do Cassino

Entenda como evitar contato com medusas durante veraneio e o que fazer em caso de acidentes

Publicado em: 06/02/2026 às 16h:03 Última atualização: 06/02/2026 às 16h:21
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Nas praias do Rio Grande do Sul, os acidentes por águas-vivas sofreram um aumento considerável desde o último final de semana. Em um único dia, 11,6 mil casos foram registrados pelo Corpo de Bombeiros na Praia do Cassino, e mais de 13 mil em todo balneário de Rio Grande, mas isso não é o mais preocupante.

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O incomum é que estão aumentando também os acidentes com as perigosas caravelas-portuguesas, que podem ser mais graves e até mesmo levar à morte, em casos raros.

Acidentes por caravelas-portuguesas (Physalia physalis) preocupam Praia do Cassino, no litoral sul do RS | abc+



Acidentes por caravelas-portuguesas (Physalia physalis) preocupam Praia do Cassino, no litoral sul do RS

Foto: Corpo de Bombeiros Militar/Reprodução

As caravelas-portuguesas (Physalia physalis) são mais comuns nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Neste verão, no entanto, elas têm se aventurado cada vez mais pelo litoral sul do Rio Grande do Sul, especialmente na Praia do Cassino, em Rio Grande.

Especialmente no último final de semana, os casos de acidentes com esses animais demonstraram um aumento considerável. “Até então, [caravelas-portuguesas] não haviam aparecido ainda na nossa praia neste verão”, disse o Capitão Bombeiro Militar Gabriel Barboza Castro, que é Comandante da Companhia Especial de Guarda-Vidas do 3º BBM do litoral sul.

Somente na segunda-feira (2) desta semana, foram mais de 500 casos registrados no Balneário Cassino, segundo o Laboratório de Zooplâncton da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

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O que fazer em caso de acidentes com caravelas-portuguesas

  • Saia da água imediatamente pois pode causar cãibra;
  • Busque ajuda do salva-vidas;
  • Lavar bem o local apenas com água do mar;
  • Aplicar compressas de vinagre e/ou geladas com bolsas de gel, para aliviar a ardência da lesão;
  • Não aplicar água doce;
  • Fique de olho em sintomas mais graves e, caso sinta, procure atendimento médico o mais rápido possível.

Principais sintomas do contato com a caravela-portuguesa

  • Coceira intensa;
  • Ardência/dor no local;
  • Vermelhidão e marcas na pele;
  • Inflamação e queimação;
  • Possível reação alérgica à toxina;

Sintomas mais graves

Por ser um cnidário mais perigoso, o Laboratório de Zooplâncton da Furg recomenda que a pessoa preste atenção em uma possível reação alérgica. Ela pode desencadear sintomas mais graves, como:

  • Cãimbras;
  • Febre;
  • Confusão mental;
  • Inchaço de ínguas;
  • Alteração na frequência cardíaca e respiratória.

Caso sinta qualquer um desses sinais, é importante ir imediatamente ao atendimento médico.

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Como identificar a caravela-portuguesa

As caravelas-portuguesas podem ser identificadas pela bolsa flutuadora de cor vibrante, entre o azul, o rosa-claro e o roxo, que ficam flutuando na água, como o próprio nome indica, segundo o laboratório da Furg.

Acidentes por caravelas-portuguesas (Physalia physalis) preocupam Praia do Cassino, no litoral sul do RS | abc+



Acidentes por caravelas-portuguesas (Physalia physalis) preocupam Praia do Cassino, no litoral sul do RS

Foto: WikimediaCommons/Reprodução

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O mais perigoso, no entanto, são os tentáculos. Eles podem se estender por até 30 metros de comprimento e possuem milhões de células urticantes, responsáveis pelas lesões.

E não é só na água que elas podem ser perigosas. Mesmo que tenham sido levadas pelo vento para a areia, ou estejam mortas, elas ainda podem causar lesões. Então, o ideal é ficar longe, independente de onde ela esteja.

Parecidas, mas não iguais

As caravelas-portuguesas são animais cnidários. Ou seja, fazem parte da Filo Cnidaria, assim como as águas-vivas. No entanto, as caravelas são um agrupamento de águas-vivas que ainda não estão na fase adulta e não são consideradas verdadeiras, chamadas de pólipos. Eles vivem fixados ao substrato.

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Mais de 11 mil acidentes por água viva em um dia

Contando com outros animais marítimos, como espécies diferentes de águas-vivas, mais de 11,6 mil pessoas foram atendidas pelos guarda-vidas somente na terça-feira (3) desta semana, conforme o capitão Castro.

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O número representa quase o triplo de casos do último verão. No dia 4 de fevereiro de 2025, os guarda-vidas haviam atendido pouco mais de 3 mil casos na Praia do Cassino.

Outras espécies de águas-vivas também são responsáveis pelos acidentes. Dentre as espécies mais comuns no litoral gaúcho, estão a Olindias sambaquiensis, Chrysaora lactea e Tamoya haplonema.

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Estudos mostram que a presença dessas águas-vivas aumenta, assim como os acidentes, durante a alta temporada, principalmente por conta do pouco vento e do mar calmo, segundo o Laboratório de Zooplâncton.

Bloom de medusas: processo natural

Quando há um aumento de águas-vivas, também chamadas de medusas, e caravelas-portuguesas, é chamado de “bloom”, conforme o Ministério da Saúde.

“São fenômenos naturais, mas alguns fatores têm contribuído para um aumento desses afloramentos nas últimas décadas, como o aumento da temperatura das águas oceânicas e alterações dos ambientes praianos”, explica.

No verão entre 2011 e 2012, um desses afloramentos de medusas chegou a causar 20 mil acidentes somente no Paraná. Somente nos balneários de Rio Grande, mais de 13,1 mil casos já aconteceram somente na terça-feira (2).

Mães d’água não são tão perigosas

Ao caminhar pela beira da praia, os banhistas também podem ver as mães d’água espalhadas ao longo da faixa de areia. Segundo o laboratório da Furg, elas apresentam um baixo potencial de lesões.

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Fique de olho na bandeira

Desde 2015, o Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul usa uma bandeira específica para sinalizar a presença de águas-vivas para os banhistas. Ela é da cor roxa e é colocada na beira-mar quando os guarda-vidas identificam que há essas medusas na água.

Dicas para evitar acidentes com caravelas-portuguesas e águas-vivas no mar

  • Use roupas de neoprene ou outro tecido que cubra a maior parte da pele;
  • Procure tomar banho em locais seguros e com um posto de guarda-vidas;
  • Fique de olho na cor da bandeira: se for roxa, evite entrar na água;
  • Se vir uma caravela-portuguesa na areia, evite entrar na água;
  • Evite tocar em águas-vivas e caravelas, mesmo as que estão encalhadas na areia;
  • Adultos devem orientar crianças a não manusear os organismos;
  • Em caso de contato com uma água-viva ou caravela-portuguesa, a pessoa deve procurar um guarda-vidas imediatamente.

*As informações veiculadas nesta matéria são apenas para fins de educação. Em caso de sintomas, ou de dúvidas, um profissional de saúde deve ser consultado.

As informações veiculadas nesta matéria são apenas para fins de educação. Em caso de sintomas, ou de dúvidas, um profissional de saúde deve ser consultado.


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