Diante do prognóstico de formação do El Niño nos próximos meses, o governo do Rio Grande do Sul se pronunciou sobre como o fenômeno deve impactar o Estado e de que forma ele será enfrentado. O governador Eduardo Leite e a meteorologista Cátia Valente afirmam que o cenário não deve repetir as condições extremas registradas em 2024.
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Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Segundo o governador, de lá para cá, uma série de investimentos em infraestrutura, monitoramento e prevenção foi realizada, com foco em reduzir impactos de cheias e melhorar a capacidade de reação. Ele destaca que o Estado estruturou um plano de reconstrução e resiliência, com bilhões em investimentos e ações distribuídas em diversas áreas.
“Não existe uma tecnologia capaz de impedir eventos extremos de acontecerem, mas existe, sim, a responsabilidade de todos nós nos prepararmos melhor para enfrentar esses eventos. E é exatamente isso que estamos fazendo no Rio Grande do Sul”, afirma Leite em vídeo publicado nas redes sociais.
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Em coletiva de imprensa, Cátia ressaltou que, neste momento, os modelos indicam o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial pelo menos até a metade do ano, com tendência de continuidade no segundo semestre. A projeção atual, de acordo com a especialista, aponta para um El Niño entre fraco e moderado, sem indicativos, até o momento, de um evento forte ou extremo.
“O que nós podemos afirmar é que nós teremos, sim, um El Niño atuando este ano. É apenas isso, hoje, que nós podemos afirmar. Nós ainda não temos, em nenhum momento, a condição de dizer que ele vai ser forte e muito menos que seja extremamente forte”, pontua.
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Leite ainda afirma que a atuação do El Niño não implica, necessariamente, na repetição de inundações extremas como as registradas em 2023 e 2024, uma vez que outros fatores, como frentes estacionárias e bloqueios atmosféricos, também foram determinantes para aquele cenário.
“Ainda que não seja possível ter clareza absoluta sobre o que pode ocorrer e qual será a gravidade, o Estado está trabalhando forte na preparação, considerando todos os cenários que a ciência nos permite prever”, diz.
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“Em nenhum momento estamos prevendo que eventos como os de 2024 vão ocorrer em 2026 por causa do El Niño. Em nenhum momento há essa condição para nós”, finaliza a meteorologista.
Ações desde 2024
Segundo o governador, a estruturação do chamado Plano Rio Grande, ainda durante o período das cheias, garantiu cerca de R$ 14 bilhões para 227 projetos voltados à reconstrução e à resiliência do Estado. Entre as medidas, estão investimentos em sistemas de proteção contra cheias, com mais de R$ 500 milhões repassados a municípios para recuperação e modernização de estruturas.
Cidades como Porto Alegre e Canoas concentram parte significativa dos recursos, incluindo obras em diques, casas de bombas, comportas e redes de drenagem. Também há financiamento para estudos e novos projetos em diversos municípios, como Novo Hamburgo, São Leopoldo e Sapucaia do Sul.
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O governo estadual também destacou a execução de programas de desassoreamento e dragagem, que somam cerca de R$ 1 bilhão em investimentos, além da reconstrução de rodovias e pontes com padrões mais elevados para resistir a novas cheias. Ao todo, são cerca de 1,2 mil quilômetros de malha viária em recuperação.
Na área de monitoramento, houve ampliação da rede de radares meteorológicos e de estações hidrometeorológicas, além da contratação de estudos para melhorar a previsão e emissão de alertas. A estrutura da Defesa Civil e das forças de segurança também foi reforçada, com novos equipamentos e aumento de efetivo.
O governador afirmou ainda que o Estado segue monitorando as condições climáticas e trabalhando na preparação para diferentes cenários.